março 31, 2005

público privado


o que é público e privado?

e fico aqui com esta pergunta sem resposta: como se estabelece a relação entre o que é público e o que é privado nos dias e nas sociedades de hoje?

onde está a fronteira? em que momento o privado se torna público ou o público exerce supremacia sobre o privado? nosso cotidiano caminha por este fio agudo de faca entre o que julga resguardado e o que resguardar.

quais os critérios para entender o privado e o público? além do banal, além das respostas que sabemos nos dar facilmente sobre as relações entre estado e sociedade?

050328_capa_lula_a.jpg
esta foto pertence ao álbum de família, portanto privada, ou é publica?

o-homem-e-sua-casaa.jpg
e esta, em que ábum inserir?

A dialética brasileira entre o público e o privado

Sintoma da confusão entre o dever público e a liberdade privada é o interesse da imprensa e da população pelos detalhes da vida pessoal dos políticos

Maria Rita Kehl*

A piada, bastante conhecida, talvez só faça sentido em português: "fulano é um político honrado, ele faz na vida pública o mesmo que faz na privada". Diz respeito à corrupção, ao descaso dos políticos em relação a suas responsabilidades, à falta de caráter que parece já ter se tornado uma regra entre os homens públicos no Brasil. Mas a piada revela um erro de avaliação: certamente o político corrupto não faz, em sua vida privada, tanta sujeira quanto em sua vida pública. Quando um corrupto é pego com a mão na massa, é freqüente que o vejamos chorar diante das câmeras de televisão, jurando inocência em nome de Deus e da família. A vida privada, que na sociedade burguesa é a vida em família, representa o altar do indivíduo para o pensamento liberal; mesmo os políticos corruptos estão convencidos de que sua vida familiar está preservada da imoralidade de sua conduta pública. Não é impossível que PC Farias tenha sido um pai dedicado, ou que dona Sylvia Maluf esteja satisfeita com o marido que tem.

tem mais aqui

*Maria Rita Kehl é psicanalista.

Posted by pparafusos at 5:31 PM | Comments (1)

miaus

cats para a noite

cats.jpg


Fal: : ester, meu amorzinho lindo, tou fora de sampa, mas tou na área. e sigo te amando.


como foi bom encontrar este bilhete da fal no orkut. por isto não te encontro na janela, carolina? o alexandre está permitindo estas viagens disparatadas? demora que cê vai encontrar o telefone sabe onde.... de qualquer forma tem uns cats do elliot e do andrew lloyd weber procê. saudades.

"I have played". so he says, "every possible part
and I used to know seventy speeches by heart.
I'd extemporize back-chat, I knew how to gag,
and I knew how to act with may back anda my tail;
with an hour of rehearsal, I never could fail.
I'd a voice that would soften the hardest of hearts,
whether I took the lead, or in character parts.
I have say by the bedside of poor litle nell;
when the curfew was rung, then I swung on the bell.
In the pnatomime season I never fell flat,
And I once understudied dick whittington's cat.

t. s. elliot , gus: the theatre cat

"representei", diz ele, os papéis mais diversos,
e guardei de memória uns setecentos versos.
improvisei apartes, pus cacos no enredo,
e sabia em surdina soprar um segredo.
no palco o meu rabo entre aplausos se movia;
com uma hora de ensaio, eu jamais falharia.
minha voz comovia o coração mais cruel,
fosse à frente do elenco ou em pífio papel.
sentei-me à cabeceira do infeliz pinóquio,
e no eco da baleia fui de roma a tóquio.
ator de pantomima e às vezes substituto,
interpretei um certo gato arisco e astuto.

tradução de ivan junqueira
cats1.jpg

Posted by pparafusos at 12:28 AM | Comments (1)
março 30, 2005

sobre água, guerra e a capitulação do brasil

sobre a água, a guerra que está por vir e nossa rendição antecipada

diz manoel carlos pinheiro do, do agrete :

"Depois da guerra pelo petróleo, seria a vez da guerra pela água;

mas, no caso do Brasil, primeiro da lista em recursos hídricos, o governo já

entregou tudo às transnacionais; no vulgo, arriou as calças sem nem

negociar."

pois é. manoel. recebi do carlos alberto teixeira no dia 22 a notícia da

entrega da amazônia. fernando henrique cardoso já havia liberado por

decreto lei o uso de nosso subsolo para quem o deseje explorar, desde que

seja entrangeiro.

talvez, para negociar com o fmi o nosso não mais acordo, tenha sido este o

preço a entrega por escrito da amazônia para consagrar o que o mundo inteiro

já sabia.

amigo, estamos banidos do solo onde nascemos. esta é a dura realidade.

a matéria que veio pela goldenlist segue abaixo:

1º tempo:
22/11/2002 - 21h36
Oito países criam Organização do Tratado de Cooperação Amazônica
da France Presse, em La Paz (Bolívia)

Os ministros das Relações Exteriores do Brasil e sete países sul-americanos fundaram hoje na Bolívia a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (Otca), que visa "elevar as condições de vida dos habitantes da região em harmonia com a proteção do meio ambiente".
Segundo a Declaração de Santa Cruz, cidade sede do encontro, Bolívia, Brasil, Colômbia, Guiana, Peru, Suriname, Venezuela e Equador se comprometeram em sustentar a Otca "mediante o envio de recursos financeiros e tratamento prioritário no âmbito das administrações nacionais, das ações relacionadas aos programas e projetos estabelecidos entre as partes", seguindo uma visão ecológica.
A criação da entidade foi realizada na abertura da 6ª sessão do Tratado de Cooperação Amazônica (TCA), principal instrumento de políticas voltadas para o desenvolvimento sustentável dos territórios amazônicos.
Os ministros ratificaram o compromisso para adotar medidas apropriadas para cumprir os "objetivos da Declaração do Milênio [da Onu] sobre as metas de desenvolvimento ambiental sustentável'.
Também reconheceram a implantação de políticas de desenvolvimento sustentável em ecossistemas de montanhas e seu valor para a manutenção da bacia amazônica.
Na Declaração de Santa Cruz, os representantes sul-americanos apoiaram o processo de Tarapoto, cidade peruana onde em 1995 foram aprovados 12 critérios e 77 indicadores sobre a utilização dos recursos naturais em benefício aos Estados signatários do TCA.
Além de oficializar o tratado, os ministros apoiaram uma comissão especial de combate às doenças epidemiológicas e endemias, além de melhorar as condições de saúde na região, que conta com 22 milhões de pessoas.
Com uma extensão de 7,3 milhões de km², a bacia amazônica tem 20% da água doce do planeta, um recurso cada vez mais escasso e cobiçado, e conta com uma enorme diversidade biológica.
Neste encontro, que será encerrado hoje, os representantes dos oito países da região também decidiram que a Otca terá sede permanente em Brasília.


xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

2º tempo:



Agreement Promotes Sustainable Development in Amazon Basin
Accord aims to raise regional living standards while protecting resources

By Eric Green
Washington File Staff Writer

Washington -- A new agreement among eight South American countries has been signed to promote sustainable development of the Amazon Basin's resources, the Organization of American States (OAS)says.

The OAS said in a January 27 statement that it signed the agreement with the Amazon Cooperation Treaty Organization (ACTO) to promote better water quality standards, protect forests, conserve biological diversity, protect indigenous populations, improve health care and education, and cooperate in such areas as transportation, electricity and communication.

The agreement carries out provisions of the 1978 Amazon Treaty that encompasses more than 7.8 million square kilometers and a population of over 250 million people. That treaty called for a joint commitment to cooperate in managing the world's largest freshwater river basin network, containing one of the world's most important areas of biological diversity, a term which describes the number and variety of plants, animals and other living organisms.

Signatories of the Amazon Treaty are Brazil, Bolivia, Peru, Ecuador, Colombia, Venezuela, Guyana and Suriname.

OAS acting Secretary-General Luigi Einaudi praised the new agreement, calling it a "practical program" that would promote shared interests among the South American nations. Einaudi said "one of the great challenges of countries and their people is to balance the urgent demands for economic growth and development with sustainable management."

ACTO Secretary-General Rosalía Arteaga, who signed the accord on behalf of her organization, described the agreement as a "mechanism to promote sustainable development and fight poverty while seeking to lift the standard of living of the region's population."

Arteaga, from Ecuador, expressed concern about threats to the Amazon region's biodiversity unless it is protected.

"Anything we do in the Amazon affects climate change, and influences tsunamis in Asia. It affects the entire world," she said.

The U.S. Agency for International Development (USAID), through its program to assist countries in the Amazon Basin, has been involved in helping to identify, promote and adopt policies for sustainable land use and forest conservation in target areas.

One program developed by USAID is an initiative to fight illegal logging in developing countries in the Amazon Basin, as well as in Central America, Africa and Southwest Asia. The initiative includes combating the sale and export of illegally harvested timber and fighting corruption in the forest sector.

USAID says illegal logging destroys forest ecosystems, robs national governments and local communities of needed revenues, underprices legally harvested forest products on the world market, finances regional conflict and acts as a disincentive to sustainable forest management.

The World Bank estimates that illegal logging results in annual losses of $10-$15 billion in developing countries.


Created: 28 Jan 2005 Updated: 28 Jan 2005


xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

3º tempo:

Washington anexa la Amazonia: las cancillerías latinoamericanas se duermen (I)

Heinz Dieterich

Rebelión

1. El avance de Washington

El 28 de enero del presente, en Washington, D.C., la Secretaria General de la Organización del Tratado de Cooperación Amazónica (OTCA), Rosalía Arteaga, y el Secretario General Interino de la Organización de Estados Americanos (OEA), Luigi R. Einaudi, firmaron un acuerdo sobre “Manejo Integrado y Sostenible de los Recursos Hídricos Transfronterizos en la Cuenca del Río Amazonas”, que constituye un nuevo paso trascendental de Washington hacia la apropiación final de la Amazonia.

En una primera etapa, la OEA administrará 700 mil dólares del Fondo Mundial para el Medio Ambiente, conocido como GEF, Global Environment Facility, y dará apoyo técnico. La OTCA coordinará regionalmente el proyecto. El tratado tiene el objetivo de desarrollar un “modelo de gestión del agua”. Considerando que más del 20 por ciento del agua dulce del mundo se encuentra en la Amazonia, en la cuenca de agua dulce más grande del mundo, y que el área abarca una superficie superior a los 7.8 millones de kilómetros cuadrados, ese acuerdo con fines paradigmáticos es de importancia histórica.

El Acuerdo no se limita, sin embargo, al vital líquido. Prevé también proyectos en los áreas de medio ambiente y salud, protección del medio ambiente e integración económica y conservación y gestión sostenible de la biodiversidad. Fuera del engorroso discurso diplomático-jurídico, las cláusulas más preocupantes del Acuerdo son las siguientes.

2. El Acuerdo Arteaga-Einaudi

“1.1. Las Partes cooperarán recíprocamente en aquellos asuntos que sean de interés común dentro de sus esferas de competencia y de sus respectivos programas de actividades. Particularmente, las Partes cooperarán en proyectos relacionados con las siguientes actividades:

e. Apoyar el desarrollo de trabajos conjuntos en la ejecución de las áreas programáticas de acción y compromisos prioritarios contenidos en el Plan Estratégico 2004-2012 de la OTCA aprobado por la VIII Reunión de Ministros de Relaciones Exteriores de los Países Miembros el pasado 14 de septiembre de 2004, y el Programa Interamericano para el Desarrollo Sostenible 2004-2007 de la OEA.

1.2. Para efectos de esta cooperación, si fuere necesario, las Partes celebrarán acuerdos suplementarios conforme a los lineamientos establecidos en este Acuerdo.

3.2. La SG/OEA y la OTCA también podrán financiar aquellas actividades o proyectos que estén siendo ejecutados por alguna de ellas, sin perjuicio de la contribución o participación de otras organizaciones o instituciones.

4.1. La dependencia responsable dentro de la SG/OEA de coordinar las actividades de la SG/OEA, según este Acuerdo, es la Oficina de Desarrollo Sostenible y Medio Ambiente (en adelante OSDE), y su coordinador es el Director de la OSDE, señor Scott Vaughan.

4.2. La dependencia responsable dentro de la OTCA de coordinar las actividades de la OTCA, según este Acuerdo, es la Dirección Ejecutiva de la OTCA, y su coordinador es el Doctor Francisco Ruiz Marmolejo.

4.3. Los coordinadores definirán las directrices generales de los proyectos a desarrollar…

4.4. Todas las comunicaciones y notificaciones que se deriven de este Acuerdo tendrán validez únicamente cuando…estén dirigidas a los coordinadores…

5.1. Las Partes se reconocen mutuamente los privilegios e inmunidades de que gozan en virtud de los acuerdos sobre la materia que sean pertinentes y los principios generales del derecho internacional.”


3. El gran triunfo de Bush

George Bush ha de estar festejando este acuerdo. Todas las fichas latinoamericanas caen como dominós, facilitando la apropiación de la Amazonia, la regionalización del Plan Colombia y la destrucción de los movimiento sociales del área.

El primer paso fue la colocación imperial del Coronel rastrero Lucio Gutiérrez en la presidencia del Ecuador, en enero del 2003. El segundo paso la colocación de la candidata de Gutiérrez, Rosalía Arteaga, en el puesto de primera Secretaria General de la OTCA, en marzo del 2004, con el apoyo unánime de los cancilleres de los ocho países miembros de la OTCA, Bolivia, Brasil, Colombia, Ecuador, Guayana, Perú, Surinam y Venezuela.

El tercer paso se dio en la VIII Reunión de Ministros de Relaciones Exteriores de los Estados miembros de la OTCA, en Manaos, Brasil, el 14 de septiembre del 2004, donde los delegados nacionales “celebraron la aprobación del Plan Estratégico” de la OTCA, elaborado por Arteaga, el cual define “los Ejes Estratégicos de Acción, las Áreas Programáticas e Instrumentos Operacionales para orientar las actividades de la Secretaria Permanente desde el año 2004 hasta el 2012”.

Habiendo sometido la Amazonia a un protocolo de inspiración neoliberal y neocolonial, (ver “América Latina: los cuatros intereses estratégicos de Washington y el papel de la FLACSO-Ecuador, en rebelion, la página de Dieterich, 16.10.2004), solo faltaba meter la Organización de Estados Americanos (OEA) ---el Departamento Colonial de Washington, como decía el Che--- en el proyecto de expropiación regional. Este cuarto paso acaba de realizarse con el Tratado Arteaga-Einaudi.

El punto 1.1 e del Acuerdo ratifica el “Plan estratégico” de Rosalía Arteaga; la cláusula 3.2 abre la Amazonia a “terceras instituciones”, y los párrafos 4.1 a 4.4 dan prácticamente carta blanca a un par de burócratas de la OTCA y de la OEA, para crear los hechos consumados que después ningún gobierno nacional podrá revocar.

Solo ha habido un punto de luz en esta oscuridad que se dio cuando el Ministerio de Ciencia y Tecnología (MCT) de Venezuela frustró una cábala entre el “Programa Iberoamericano de Ciencia y Tecnología para el Desarrollo” (CYTED), de España, y el Consejo Nacional de Ciencia, Tecnología e Innovación (CONCYTEC) del Perú, que hubiera abierto las puertas de la Amazonia al subimperialismo español.

Todo lo demás es deprimente: con cancillerías de ocho Estados latinoamericanos que tratan a la Amazonia como si fuera el puesto de tamales de la abuela en la esquina de su casa, y no la región de materias primas estratégicas más importante del mundo con una extensión territorial equivalente al 73 por ciento de la superficie de Estados Unidos.

La ineptitud de esos aparatos diplomáticos, su falta de visión estratégica y de una doctrina diplomática latinoamericana a la altura de un naciente sistema mundial multipolar y del estatus de sujeto de la Patria Grande, son tan profundas que hay sectores que proponen que el imperialismo francés participe en la OTCA, a raíz de su colonia en Guyana (Departamento de Ultramar), supuestamente para “equilibrar la influencia de Estados Unidos”.

Esa posición, sostenida incluso por personajes de la diplomacia venezolana, refleja el neocolonialismo mental absoluto de estos funcionarios que no logran, ni les interesa, concebir el mundo sin la mano conductora de las potencias mundiales. La solución al problema de la Amazonia no es tratar de equilibrar el imperialismo estadounidense con el europeo, sino de mantener a ambos expoliadores fuera y formular un plan maestro de desarrollo latinoamericano-bolivarianista para esa región, con plena participación de los pueblos indígenas y de las fuerzas patrióticas latinoamericanas.

4. La subversión balcanizadora o el Destino Manifiesto del Imperio

El proceso de subversión balcanizadora que observamos desarrollarse actualmente en la Amazonia tiene sobradas antecedentes en la historia del imperio. El expansionismo intervencionista fue congénito a la elite estadounidense que liberó a las trece colonias de Gran Bretaña, hecho por el cual ha demostrado siempre una consumada destreza en apoderarse de riquezas y tierras ajenas, bajo la bandera del Manifest Destiny y modalidades muy diversas, entre ellas: la compra, con o sin amenazas militares, como en el caso de Louisiana y Alaska; la intervención militar directa, como en Puerto Rico (1898); la creación de una Quinta Columna interna, como en el modelo de secesión utilizado por James Monroe para separar a Texas del Estado mexicano (1829); la cooptación o el apoyo a un sector secesionista de la elite nativa, paradigma utilizado por Theodore Roosevelt para separar Panamá de la República colombiana (1903); el uso de resentimientos étnicos, históricos o diferencias religiosas, como en la balcanización de la Unión Soviética y, actualmente, la manipulación electoralista y callejera de “fuerzas de la oposición”, financiadas, dirigidas y mediatizadas desde Washington y las fundaciones de George Soros, para convertir las exrepublicas soviéticas de Asia Central en satélites estadounidenses.

La Amazonia puede ser comparada en términos de geopolítica y geoeconomía con la estratégica zona de Asia Central o con el Medio Oriente, de tal manera que toda diplomacia latinoamericana que no conceptualiza a la Amazonia como blanco de la subversión balcanizadora estadounidense, es simplemente diletante o cipaya.

fonte: - c.a.t. catalisando

Posted by pparafusos at 4:50 PM | Comments (3)

meu querido paulo,


não se deve recomendar a uma pessoa afeiçoada às letras lavar a roupa suja em casa. já não existem mais casas! os muros e muralhas são peças de museus, alguns foram derrubados. veja bem: o conceito de casa surgiu para proteger o ser humano das intenpéries e de assaltos de animais.

a defesa foi aperfeiçoada com a construção de muralhas, muros, fortalezas onde os reis e senhores feudais guardavam seus reinos. nesta época, para o bem ou para o mal a figura do senhor feudal, do patriarca não era questionada sequer. hoje, meu querido, este momento da história humana faz parte do passado na maioria do mundo.

é bem verdade que o feudalismo foi substituído pelo neo colonialismo econômico, diria mais, pela ditadura econômica que faz de seres suportamente libertos ( falo libertos, não livres) escravos. os patriarcas, de feições antigas caíram em desuso para dar passagem a outros de porte agressivo, já não mais o guardador de seu rebanho mas o lanceiro , o comandante que envia este mesmo rebanho à luta que por ele deveria ser travada. para o mal, que bem não é.

é bem verdade que os bafejados pela deusa fortuna, as famílias mais bem postas na sociedade preservam o culto à imagem de um e outro que ocupe o poder para que seus direitos sejam preservados em detrimento de todo um povo e da própria natureza.

mas como as casas não têm parede , não há dentro. entende? só existe este exposto osso de mundo que a cada dia que passa é cada vez mais obrigado a se desvestir de sua carnadura. e os tanques são públicos!

ademais nossa casa que não existe é o mundo. este vasto mundo tão pequeno onde aprendemos com kierkgard "lembrar para frente", como cunhou harold bloom. nunca, mas nunca mesmo assuma ares patriarcais e conselheiros com uma pessoa afeita às letras e com espírito crítico.

manchará sua biografia.

ps. desejo encerrar este assunto porque aqui escrevo para meu prazer e ele precisa ser renovado. mas não brinquem comigo! freud explica bem como o doente vê em tudo, seja até no mais corriqueiro gesto de amor, uma pedrada. atentem para isto.

van_gogh_results.gif
google de van gogh

Posted by pparafusos at 10:42 AM | Comments (2)
março 28, 2005

a reação de uma cidade ao holandês voador*

tudo começou quando narrei neste blog as aflições de um brasileiro logrado por um holandês. suely coelho, a blogueira dos enta, ecoou o assunto até a jornalista cora ronái. e na última página do segundo caderno de "o globo" ela divulgou a história verídica do mineiro desesperado e do holandês voador.

ninguém poderia imaginar que houvesse uma repercussão tão grande, no brasil e exterior. além do mais contava eu então o problema da cidade que tem 12 fontes de água mineral medicinal mas um pequeno movimento de turista numa cidade nascida com vocação turística, onde a economia empobrecida provoca o fechamento de hotéis e lojas.

tudo bem que estamos falando de uma cidade no brasil. e o brasil inteiro vive há décadas uma crise de falta de tudo com a implantação de uma política neoliberal. além disto existe o mundo inteiro, com muitos países em crise econômica, inflação e desemprego.

mas como reagiu a própria cidade?digo, os que detém o poder político no município? poderiam ter aproveitado a divulgação e o atual prefeito ou algum assessor apresentaria seus planos para o crescimento, a recuperação da cidade. mas não. primeiro reagiram com raiva, depois resolveram ignorar.uma tática de assessoria de imprensa que pega bem quando o assunto repercute pouco. mas fica mal quando adquire as dimensões atuais.

alguns moradores da cidade não compreendem, pois não leram a matéria dda cora ronái publicada em "o globo", apenas seguem a opinião do pastor, como um comportado rebanho .outros, esclarecidos vêem em caxambu na mídia por 0,0 centavos uma oportunidade de sacudir a cidade. ainda hoje os comentários fervem em todos os grupos de conversa. mas o poder ignora.

os hoteleiros confabulam se desmentirão o fato de que a cidade não tem turistas. mas eu me pergunto: desmentir como? é bem verdade que o atual prefeito, recém empossado pegou a prefeitura totalmente falida, telefones cortados, nenhuma verba. mas todos sabiam que isto iria acontecer.

é bem verdade que os motivos para a cidade estar minguando são de outra espécie também: um deles , por exemplo, é a sucessão política que segue uma tradição de capitania hereditária às vezes e em outros momentos o poder troca de mãos para o outro lado. na realidade a política local só tem dois lados que se alternam no poder, e nos dois lados as lideranças são as mesmas, ou quase.

mas por que eu me preocupo com isto? devem estar se perguntando as pessoas daqui e dali. simples: sou cidadã brasileira, escolhi caxambu para viver os últimos anos de minha vida por sua beleza, por seu povo amigo e por suas fontes de água mineral. fico triste quando uma loja cerra as portas quando um projeto acaba em água. quando um amigo diz: "tenho um comércio há anos e nunca pensei que estaria na hora de fechar pois ninguém pode comprar. o dinheiro não circula aqui."

tenho certeza que está fase má da cidade pode ser superada, principalmente porque na prefeitura há um bom administrador. mas é preciso ter os olhos mais abertos, a mente mais receptiva e o coração seguro de que o futuro se constrói com planejamento e não com mágoas.

esta história não era para ser transformado na política municipal de uma cidade que não quer crescer, por várias razões, apesar de seu povo que precisa trabalhar e comer. mas, infelizmente, assim aconteceu.

caxambu como está, este interior, ainda é bom. para mim, para nós que temos salário seguro no fim do mês. eu a quero assim, tranqüila e pacata. mas não posso pensar somente em mim. e por isto, junto com um holandês e um mineiro desesperado a história está sendo contada dentro de um balaio de gatos.


* Holandês Voador, o lendário navio fantasma que aterrorizou marinheiros durante séculos. apesar de todas as súplicas de sua tripulação, um Capitão Holandês, déspota, insistiu em atravessar o Cabo Horn (próximo ao Estreito de Drake) em meio de uma violenta tempestade. Então o Espírito Santo apareceu, mas o Capitão disparou sua pistola contra ele e amaldiçoou o Senhor. Por sua blasfêmia, Deus lhe rendeu uma maldição, o barco foi condenado a navegar por toda a eternidade, sem nunca poder parar em um porto. Desde então, os marinheiros dizem que um encontro com o Holandês Voador é um prenúncio de desastre.

ler mais aqui: holandês voador

Posted by pparafusos at 11:33 PM | Comments (2)

a sina das cidades

a sina das cidades é como a das gentes. umas podem marcar definitivamente o imaginário e o real, enquanto outras até mais bem dotadas desaparecem, somem, minguam.

assim acontece com a macondo de gabriel garcia marquez e a comala de ruan rulfo. macondo ficou para sempre. mas comala, quem lembra desta cidade?

até entendo o sentido das coisas; em comala quem determina a cidade são os mortos que perambulam por ruas e casas e conversam de si para consigo no cemitério casos do passado. nem quando mortos se comunicam entre eles. cada um na sua cova com sua história, sua lembrança que remoen nos olhos vazios das caveiras mesmo que tenham virado pó. portanto, nunca há um diálogo, sempre um monólogo.

bia lessa disse em brasileirinho, o dvd ópera da maria bethânia que a grande revolução é o riso, a alegria. ficar triste é fácil, saber encontrar a alma da gargalhada feliz é muito difícil pois a felicidade sempre foi tida como irresponsável, por isto reprimida. tem razão a bia lessa quando convoca à revolução pela alegria.

nesta mesma obra o poeta ferreira gulllar enfatiza que o importante é reinventar-se, refazer-se.

enquanto algumas gentes e cidades reinventam-se e ampliam com isto sua longevidade e seus prazeres outras ficam à deriva em circunavegações em torno de um mesmo tema, bajulando seus botões.

a comala de "pedro páramo" , o livro de juan julfo, é bem mais trabalhado do que os "cem anos de solidão" de gabriel garcia marquez, minha opinião leiga e de muitos entendidos. juan rulfo publicou pouco pois preferia trabalhar mesmo depois de publicados os seus textos aprimorando-os, secando-os, fazendo-os semelhantes à terra mexicana: que as palavras tivessem o sabor da terra.

assim a cidade e as gentes. em algumas somente os ventos confabulam nas esquinas. em outras há brisas também além de perfumes e burburinhos criativos. umas sabem reinventar-se , como o fez a própria maria bethânia na ópera brasileirinho. outras perdem o trem da história. o trem. o trem mesmo, uai!

juan rulfo também gostava de fotografis. aqui estão algumas:

rulfo03corredor bajo del convento de atlatlahucan.jpg
corredor bajo del convento de atlatlahucan

rulfo07 copy.gif

Posted by pparafusos at 11:45 AM | Comments (0)
março 27, 2005

Procissão


_luzes-em-baependi.jpg


Gilberto Gil - Procissão

Olha lá vai passando a procissão
Se arrastando que nem cobra pelo chão
As pessoas que nela vão passando
Acreditam nas coisas lá do céu
As mulheres cantando tiram versos
Os homens escutando tiram o chapéu
Eles vivem penando aqui na terra
Esperando o que Jesus prometeu
E Jesus prometeu vida melhor
Pra quem vive nesse mundo sem amor
Só depois de entregar o corpo ao chão
Só depois de morrer neste sertão
Eu também tô do lado de Jesus
Só que acho que ele se esqueceu
De dizer que na terra a gente tem
De arranjar um jeitinho pra viver
Muita gente se arvora a ser Deus
E promete tanta coisa pro sertão
Que vai dar um vestido pra Maria
E promete um roçado pro João
Entra ano, sai ano, e nada vem
Meu sertão continua ao deus-dará
Mas se existe Jesus no firmamento
Cá na terra isto tem que se acabar

Posted by pparafusos at 11:47 AM | Comments (0)
março 26, 2005

mais uma voz

recebi este email do carlos alberto, mais uma voz a ser ouvida.


Carlos Alberto Motta Lara to me


Prezada Esther, (email recebido ontem)

como de costume, li hoje, logo cedo, a coluna da Cora Rónai em O Globo e me

surpreendi com o tema abordado.

Meu nome é Carlos Alberto Motta Lara, resido no Rio de Janeiro e tenho uma

casa em Baependi, a vetusta vizinha cidade mãe de Caxambu.

Gostaria de parabenizá-la pelo texto citado pela jornalista e tecer algumas

breves considerações sobre o mesmo.

Primeiramente, devo alertá-la que no caso do calote sofrido pelo azarado

artesão, a ausência de obrigação entre as partes, supostamente ocasionada

pelo fato de ser o contrato verbal, não procede.

Não se faz necessária a formalidade da escrita para que haja obrigações entre

contratantes. Farta, unânime e definitiva é a doutrina jurídica nesse

sentido.

Portanto, não obstante sua ingenuidade, comum aos artistas, o nosso Fernando

mantém dele inarredável a chance de ver seus direitos salvaguardados, se

assim os desejar.

Trata-se de uma questão de prova.

O direito não ignora tal circunstância, vez que a prevê.

Baependi é uma grande produtora e exportadora de artesanato na região.

Sofrem os artesãos, entretanto, do mesmo ataque vil, ignóbil e covarde dos

abutres atravessadores.

A falta de organização em forma de cooperativa faz deles vítimas de si

mesmos.

Não conseguem fazer preço, pois ficam, individualmente, à mercê de quem o

impõe.

Não fosse a lógica dessa filosofia cruel que banaliza a miséria, o próprio

espírito do capitalismo, eu diria que enquanto uns poucos donos dos meios de

produção se enriquecem, outros muitos donos do trabalho se empobrecem na

mesma proporção.

Aqui do lado, a quatro quilômetros, o cenário não é diferente de milhares de

pequenos lugarejos no Brasil, como Caxambu, e milhões no mundo, como Tendaho,

na Etiópia, onde o sistema, ignorando a cultura, a equidade e a isonomia,

engole os fracos e poupa os fortes numa verdadeira e macabra “seleção

natural” econômica.

É triste, mas é vero.

Para as mazelas produzidas pelos atuais políticos e as abandonadas em nosso

colo por seus antecessores, não vejo solução imediata.

Essa nossa cultura política arraigada é que afasta os bem e atrai os mal

intencionados, todos em sua maioria.

Verdadeira reforma política se faz necessária com urgência.

Vejo poucos mandatários de poder com esse discurso.

Tudo parece conveniente como está.

Tanto para a direita quanto para a esquerda e vice-versa, pois já não sei

quem é quem nessa geléia geral.

Entradas de cidades esburacadas, cinemas fechados, turismo abandonado,

riquezas seqüestradas...., certo está o povo quando, do alto de seu

incompreensível bom humor, decreta: a merda continua a mesma, só mudam os

mosquitinhos.

Grande abraço,

Carlos Alberto

mottalara@ig.com.br

Posted by pparafusos at 5:01 PM | Comments (3)
março 25, 2005

mais uma viagem

brian higgin . este é o nome do viajante. enviou esta flor e avisou "estou numa nova viagem".

flor-do-brian.jpg

ele tem blog, ofazendo barulho/ com a seguinte epígrafe: "Mudou um pouco mas eh a mesma coisa. Cheguei atrasado mas cheguei na hora." e lá ele só conta o dia da semana, do mês e o ano. parou em
Quarta-feira, Março 17, 2004.

suponho então que a história deste dia deva ser muito longa. tão comprida que passado um ano ainda não parou de ser contada. talvez até um pouco dolorosa como uma novena, ou como carpir vários defuntos. quem sabe perdeu-se o contador em alguma neblina espessa e não sabe como retornar para mudar a data?

perguntei como fazia para de uma folha construir esta flor de folhas. ele explica e envia mais dois exemplos amarelo e verde.

"Basta achar uma folha e ter um scanner. A montagem (muito simples) foi feita
no Photoshop. Me inspirei no trabalho de um cara que eu vi no Paço na
quarta-feira. Ele usava uns elementos da natureza (penas, folhas...) para
compor seus quadros que eram todos ilustrações a grafite feitos numa folha
A4, só que em todos os trabalhos ele abria uma janela no pass-partout (é
assim que escreve) e, elegantemente, punha algum elemento real: um pedaço de
tela, um fragmento de cartão postal, um recorte de uma embalagem antiga de
sabonete e... penas, folhas.... Então ontem, enquanto esperava um amigo para
ver um filme sentado na escada do Teatro da UFF, olhei para o lado e tive a
minha primeira inspiração. Veja só. Parece ou não parece uma pintura? Adorei
essa viagem!"

Beijos,
Brian

folhas-verde-amarelo-verso.jpg

obrigada por me permitir te acompanhar no seu caminho, brian. beijos. mas o máximo que consegui desta brincadeira foi este efeito:
squei.jpg

Posted by pparafusos at 4:43 PM | Comments (0)

"o mineiro desesperado e o holandês voador"

quinta-feira março 24, 2005 em post copiado em a blogueira dos "enta"

O mineiro desesperado e o holandês voador

"Jan Piets da vida enriquecem em Amsterdã, enquanto Fernandos vão à falência no interior do Brasil"

Cora Ronái.

Profissional sério não é só aquele que atende nos quesitos laborais, mas aquele que se entrega de corpo e alma.
suely coelho a blogueira dos "enta"

Cora.gif
foto usada por cora ronái para ilustrar o artigo. inspiradamente suely lembrou a música.

Condor

Oswaldo Montenegro

Quando voa o condor
Com o céu por detrás
Traz na asa um sonho
Com o céu por detrás
Voa condor
Que a gente voa atrás
Voa atrás do sonho
Com o céu por detrás

Quando voa o condor...

Feliz páscoa para todos vocês e Fernandos Brasili são os votos de Suely que faço meus também.

Posted by pparafusos at 12:22 PM | Comments (2)

corra para refazer a declaração anual do imposto de renda


sempre torturantes as questões com o governo. se cometemos um delito, como por exemplo deixar de recolher uma parcela do imposto de renda, imediatamente somos punidos.

quando o governo comete um delito ou engano ou erro, seja qual for o sofisma, ou silogismo erístico que use para definir suas mancadas, recebemos ameaças também em vez de um pedido formal de desculpas.

como esta:.... ""4. Dessa forma, torna-se necessária a adoção de providências no sentido de retificar os comprovantes já emitidos, para incluir como rendimento tributável, item 3.1, o valor da devolução em 2004 da Contribuição
para o PSS (função) e como Contribuição Previdenciária Oficial, item 3.2, todo o valor efetivamente descontado a esse título em 2004 do servidor, do aposentado ou do pensionista."

Dentro em breve estaremos disponibilizando no SIAPEnet as mesmas para os servidores abrangidos por esta medida.

Comunicamos, ainda, aos servidores que já enviaram suas Declarações de Ajuste Anual, ano calendário 2004, que deverão fazer declarações retificadoras, evitando, com isso, possíveis transtornos junto ao Fisco Federal.

Julio Cesar Gomes Larratéa
Diretor do Departamento de Administração
de Sistemas de Informação de RH"

eles criam oproblema por pura incompetência e nós que já cumprimos com nossa obrigação cidadã de pagar imposto, pois ele vem descontado em folha, -que dizem servirá para melhorar o país, mas que vai para onde não sabemos- ficamos sujeitos aos "transtornos junto ao fisco federal", conforme explica o sr. Julio Cesar Gomes Larratéa.

o primeiro caso foi criado pelo governo. antes da medida ser aprovada iniciaram o desconto do inss do funcionalimo público aposentado.depois perderam a causa no supremo (STF) e esqueceram de computar nos Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte do ano-calendário 2004 , o valor devolvido e liberaram o os comprovantes sem este acréscimo.

todo início de ano é para os brasileiros uma visita ao inferno: pagar iptu, ipva , apresentar a declaração do imposto de renda, acrescida da necessidade de fazer prova de vida, para quem aniversaria no início do ano, o que eles chamam de recadastramento. e outras quitandas mais.

não programamos mais as festas natalinas mas sim o que economizar para pagar o quinto ao governo no início do ano seguinte.

desta vez a dose de fel foi acrescida: o governo , juntamente com líderes sindicais, aprovaram um plano de cargos e salários para as IFES, instituição federal de ensino superior, e todos foram obrigados a abrir mãos de suas antigas situações e posições para entrar em novo regime de cargos.

sim. havia opção, claro: "ou você fica no pucre que será extinto no final do ano ou assina a nova papelada."

para variar todo o pessoal de nível superior dançou feio com direito a tombos e fraturas. agora, no planalto, uma mesa de negociação tenta resolver o problema pois foi concedido step 1 e dois, quando deveria ser cinco. mas o que significa cada step nem eu nem você saberemos.

e lá iremos retificar nossas declarações de renda sob ameaça, quando bastava que eles mesmos fizessem a correção. aliás, um pedido de desculpas não vai mal.

salário ser renda é um assunto que sempre debati com o delfim neto e afins no banheiro de minha casa: salário não é renda, salário não é renda , sempre argumentei. isto é mais um sofisma para definir roubo, punga, assalto.

mas ele, nenhum deles, nunca me ouviu.

cordeira, sigo com minha papelada para retificar a declaração do imposto de renda que já fiz . e eu, que cantava feliz "pai, afasta de mim este cálice,/ afasta de mim este cálice / de vinho tinto de sangue."

desta vez ainda não deu, milton.


definições interessantes no aurélio:

salário
[Do lat. salariu, 'ração de sal', 'soldo'.]
Substantivo masculino.
1.Remuneração paga pelo empregador ao empregado, de forma regular, em retribuição a trabalho prestado..

renda1
[Dev. de render.]
Substantivo feminino.
resultado financeiro da aplicação de capitais

render
obrigar a capitular; vencer a resistência de; sujeitar, dominas,vencer.

imposto
(ô) [Do lat. med. impositu, subst. do lat. impositu, part. pass. de imponere.]
Adjetivo.
1.Feito aceitar ou realizar à força. [Flex.: imposta (ó), impostos (ó), impostas (ó). Cf. imposto, do v. impostar, e emposta, s. f.]

Posted by pparafusos at 7:50 AM | Comments (0)
março 24, 2005

matéria da cora rónai pode ajudar caxambu


a jornalista cora rónai publicou a matéria abaixo em "o globo" de hoje. co_cora1.jpg

e aqui está meu agradecimento a ela:


acabei de ler sua coluna em "o globo". você não imagina o quanto está ajudando a cidade de caxambu , a todos os artesãos e ao próprio fernando.

é de jornalistas como você que o mundo precisa. eu sou apenas uma senhora aposentada de 63 anos que mora no interior e como suely coelho, a blogueira dos enta, que não tem a minha idade, mas a indignação, sentiu como se dela fora o drama de um brasileiro.
e o é. nós carregamos o sofrimento da humanidade e a perplexidade de nada poder fazer e ver que, em muitos casos, contribuímos por omissão e sabe-se lá mais o que, para que os fatos que nos maltratam se sucedam, repitam e tripliquem.

mais uma vez agradeço a suely que ampliou o que no meu blog eu contava e a você que ouviu e fez ressoar para o brasil uma hisória do interior que é mais um retalho desta nossa colcha de misérias.

como tantans na selva os blogs minam a burocracia da imprensa e você cora ronai é nossa mestra e a ponta de lança desta história que um dia será escrita. a nossa história brasileira de resistência aos agravos do corporativismo econômico, e da afetividade e amor que apesar de tudo usamos como estandarte.

peço sua benção, JORNALISTA E IMENSO SER HUMANO.

um abraço.

esther

SEGUNDO CADERNO Publicado em 24 de março de 2005 Cora Rónai

Blog do Colunista cronai@oglobo.com.br


O mineiro desesperado e o holandês voador

Fernando Henrique Ferreira, 48 anos, casado, pai de família, tem um ateliê em Caxambu. Fabrica peças em papel machê, que vende para o exterior através da ONG Mãos de Minas. Em novembro de 2004, durante uma feira de artesanato em Belo Horizonte, um importador holandês chamado Jan Piet Hartman ficou interessado no seu trabalho, apresentado no estande do Sebrae e, por telefone, convidou-o para um encontro no Hotel Boulevard.

Fernando pôs o mostruário no carro e foi para a capital. As peças que levou causaram tão boa impressão que o holandês encomendou, no ato, 1.500 peixes e 3.325 objetos de decoração variados — araras, tucanos, galinhas d’angola, pequenas cenas de praia. Os dois acertaram o preço total de R$ 25.450, dos quais 25% seriam pagos no início de janeiro, e o restante contra a entrega, em princípios de março.

Fernando voltou entusiasmado para Caxambu: não é todo dia que um artesão do interior recebe uma encomenda dessas. Para poder aprontá-la a tempo, contratou seis auxiliares diretos e 40 terceirizados. Investiu tudo o que tinha na compra de material e no pagamento dos trabalhadores.

Quando janeiro chegou, a encomenda ia adiantada. Fernando telefonou para a Brasil Trade, em Maceió, para pedir o adiantamento prometido. Mas Marcelo Gomes, sócio brasileiro de Jan Piet Hartman, disse que o parceiro se enganara, e que o sinal só seria pago no fim do mês.

Sem capital, Fernando se viu obrigado a vender o carro e os poucos bens que possuía — um freezer e uma televisão — para dar continuidade ao trabalho. No fim do mês, ainda sem notícias do dinheiro, ligou para o próprio Jan Piet, com quem havia combinado a transação. Ficou sabendo então que o gringo mudara de idéia: agora, estava às voltas com um negócio de calçados em Franca, e não tinha mais interesse no artesanato.

No ateliê humilde de Caxambu, mais de três mil peças bonitas e coloridas esperam por comprador. Hoje, porém, elas são a única coisa alegre da vida de Fernando, que está atolado em dívidas, sem o carro de que depende para viver e sem esperanças de resolver a situação. É que, como acontece regularmente no artesanato, não há contrato escrito entre as partes; Jan Piets da vida enriquecem em Amsterdã, enquanto os Fernandos vão à falência no interior do Brasil.

***

Esta história, assim mesmo como está aí, mais ou menos com essas mesmas palavras, foi contada por Esther Maria Duarte Bittencourt, moradora da região e autora do excelente blog “Porca e parafuso” — um perfeito exemplo do jornalismo individual que a internet permite.

— Este senhor já era meu comprador, só que a gente não se conhecia antes — me disse Fernando, ao telefone. — Ele adquiria as peças através da ONG (Mãos de Minas). Desta vez me procurou diretamente. Não dava para imaginar que faria uma coisa dessas. É um homem educado, bem vestido, de fino trato. Ficamos amigos. Sei que fui ingênuo, mas, acredite, acordo apalavrado é o que mais tem aqui no interior, a gente trabalha sempre assim. Aceitei também porque, sem a ONG, a transação ficava mais lucrativa.

Pela transação “mais lucrativa” que o levou à ruína, Fernando receberia cerca de R$ 5 por peça. Descontem-se daí todas as despesas envolvidas e o resultado é um grande nó no estômago.

Ler o que Esther escreve, aliás, é descobrir mais um pedaço de Brasil desesperado:

“Caxambu é uma cidade no Sul de Minas Gerais com tudo para dar certo”, diz ela. “Doze fontes de água mineral medicinais e um parque agradável, sem qualquer projeto turístico. Imagine uma única fonte de água mineral medicinal numa cidade do exterior e como estaria o turismo nesta cidade!

Caxambu está às moscas. Hotéis fecham as portas, outros demitem os funcionários. Lojas vão à falência. O Hotel Glória, um dos mais tradicionais, lançou um plano de demissão voluntária, mas nenhum funcionário deseja perder os direitos trabalhistas. O único cinema local fechou as portas porque não consegue pagar o IPTU.

Então, se não tem para quem vender na cidade sem turista, o que faz o artesão? Ou fica nas mãos do atravessador, o que acontece com freqüência, ou filia-se à ONG que não tem como absorver toda a produção da região. Entre um talvez ou 80 centavos, melhor a última opção.

E é assim que acontece. Para nós que temos ferramentas tecnológicas, que lemos jornais e livros, temos educação formal e estamos antenados com o mundo, esta história beira o realismo fantástico. É por isso que as novelas da Globo que abordam este tema fazem tão pouco sucesso no interior. Aqui, a realidade supera qualquer coisa que a imaginação invente.”

***

Quem desejar mais informações sobre o trabalho de Fernando pode acessar o site http://www.ateliedepapel.com.br/oficina.html. Enquanto existe.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

como uma cidade pode crescer

cora ronái deu o empurrão. cabe ao prefeito empossado em janeiro deste ano aproveitar o momento e dizer dos planos de sua administração para o crescimento da cidade. creio que a primeira medida seria contratar uma firma perita em turismo para desenvolver e divulgar o potencial do município. mas não o conheço . sei que ele está zangado comigo. e muito . pois acredita que joguei uma pá de areia na administração dele recém iniciada.

há várias perspectivas para analisar o assunto: uma delas é aproveitar a cidade na mídia e fazer caxambu crescer. a outra ... bem, a outra....

Posted by pparafusos at 1:03 PM | Comments (0)
março 23, 2005

vinícius de moraes e noel rosa cantam caxambu

ficou a lembraça; um pouco de colonial, um ponto barrôco, as marcas, os burburinhos antigos. e de saudades a cidade vive. de tomaras, quem sabe,será? talvez...

esta semana eu me maltratei dizendo mal da cidade que escolhi para morar. tudo verdade e há muito mais. mas agora é hora do afago, dos beijos, de confessar meu amor plantado junto com os pêssegos de meu pomar.

sei que com as rugas da história bordadas em água definha lentamente caxambu imersa em platonismo. nutrea-a lembranças do passado. caxambu alimenta-se de seu tempo imperial o momento em que gloriosamente a princesa isabel conseguiu emprenhar ao tomar de suas águas.

igreja-de-santa-isabel11111.jpg
igreja santa isabel

quando vinícius de moraes esteve aqui num fim de semana deixou esta crônica gostosa falando de figos, os figos que crescem nos quintais das casa, vendidos na quintanda verdes para o doce.

durante um carnaval em que aqui estve noel rosa fez para a cidade uma música.


Caxambu Les Eaux

Depois de uma temporada como a que tive no Zum-Zum, nada melhor que esta moleza, este vago tédio em que me encontro, específicos de uma estação de águas. Cheguei, além do mais, asilando uma gripe que se não é a "russa", anda por perto. Estou derreado. Servem-me as águas a domicílio, numa garrafa vestida de uma linda fantasia de palhinha, um negócio para o baile do Municipal: eu, astênico, vagotônico, no fundo feliz de me sentir de novo disponível. Cai-me bem, de quando em quando, uma doença. É, não só, de certo modo, um treino para a morte, como um grande pretexto para a meditação. O tempo, que se faz tão rápido nesta minha quadra da existência, como que se relaxa. Fica tudo mais sensível, mais acústico. Esse binômio "gripe e estação de águas" é muita felicidade junta. Sinto que me recuperarei de modo total, e com muita sabedoria.
E uma certa tristeza.

*

Tenho figos no quarto. Se acordo de madrugada e sinto fome, como um figo. Ou chupo, em solo mineiro, uvas paulistas, tal um herói de Kazantzakis. E antes de voltar à cama, e aos braços de mme. de Rênal, com quem na pele de Julien Sorel, traio a minha bem-amada, ainda respiro à janela o ar das Alterosas. Em que país, fosse mesmo escandinavo, poderia eu ver três senhorazinhas encantadas passarem pela rua, às duas da manhã, tremulando valsas em bandolins afinadíssimos? Em que ficção, fosse mesmo japonesa, poderia eu ler uma cena destas? Ó prosadores destas Minas que sois amigos meus: por que me ocultastes isto tanto tempo?

*

Hoje fui ao parque: melhor dizer Parque, assim com maiúscula. Passeei minha convalescença por entre outras senhorazinhas encantadas, mas desta vez encantadas de serem aquáticas, de estarem trafegando assim por entre a flora bem-comportada do jardim, parando para beber as águas e fazer uma fofoca rápida; senhorazinhas, algumas, ainda esperançosas, justiça lhes seja feita, a julgar pelas calças compridas que portam, mais justas que as da Mariazinha do Posto 5.
Bravo, senhoras minhas! Nada de entregar os pontos. Bebei na Fonte Duque de Saxe, lavai o rosto na da Beleza e os olhos com o colírio alcalino da Viotti. Em seguida, fazei massagens de duchas, e se necessário for, metei um Pitanguy. E em desespero de causa ide para o Jardim Botânico em dia de chegada de navio holandês. Há sempre um viúvo rico dos Países-Baixos correndo o mundo, disposto a negociar os dólares da própria solidão. Ora, o Jardim Botânico, para um flamengo, é atração turística obrigatória. Sentai-vos num banco com o vosso tricô e ao vê-lo que se aproxima, gordinho e rubicundo, pedi-lhe fogo. Se ele não fumar, isso já é assunto bastante para um passeio juntos. Não paga dez. À noite recebereis uma cesta de tulipas e um mês depois estareis em Amsterdã, dona de casa entre canais, tomando a vossa genebra bem gelada e nem lembrando mais deste país subletrado e subdesenvolvido. Eu tive uma prima idosa que casou assim: e ela era mais feia que a necessidade. Casou-se com um suíço. A linha é mais ou menos essa...
Ontem minha mulher foi assistir, no circo local, a uma pantomima sobre Caryl Chessmann, o famoso Bandido da Luz Vermelha, de Los Angeles, cuja execução na câmara de gás, há uns quatro anos, deixou o mundo em suspenso. Contou-me ela que, num determinado momento, a mulher do bandido vai visitá-lo na prisão e ao vê-lo pergunta-lhe, asssim mesmo à gaúcha:
– Então, como vais?
Ao que Chessmann responde:
– Encarcerado, como vês...

*

Como existe esperança no mundo... Que beleza! É de ver o movimento que vai por estas fontes, mesmo agora, já um pouco fora de estação. Uma trançação constante, cada um com o seu copinho de plástico onde há escrito: "Lembrança de Caxambu."
E as águas balsâmicas desengurgitam figados cirróticos, acordam vesículas preguiçosas, dissolvem litíases antigas. É a saúde! Uma esticada de mais dez anos, mais cinco, mais seis meses, mais um mês, mais 15 dias... – poxa! – mais uma semaninha só, tá?
A Velha da Prestação não tem outro jeito:
– Tá.

*

Mas ao vê-la sentada lá no alto do outeiro, com o maxilar apoiado nas falanges, numa atitude de Pensador de Rodin a gente sente que a Morte está chateada da vida. Assim não é vantagem, com essas águas... E ela fica, pensando que não há nada como se ter dinheiro.
O que ainda lhe vale é que para a paisanada local, pobre e mal nutrida, a carência de iodo nas águas da região é bócio certo. De qualquer modo, para ela não deixa de ser uma esperança...


esta foi a última música composta por noel rosa, e cujo tema é o carnaval de caxambu.

Chuva de Vento (Noel Rosa)


Quem nunca viu
Chuva de vendo a fantasia
Vá em Caxambu, de dia
Domingo de carnaval!
Chuva de vento
Só essa de Caxambu!
Domingo chove chuchu
E venta água mineral!
Um espanhol
Que está me ouvindo desconfia
Dessa chuva a fantasia
Que abala Caxambu
Esse espanhol
Que na mentira não me ganha
Garantiu que lá na Espanha
Chove bala pra chuchu!
Chuva de vento
É quando o vento dá na chuva
Sol com chuva - céu cinzento
Casamento de viúva
Zeca Secura
Da fazenda do Anzol
Quando chove não vê sol
Vai comprar feijão no centro
Bebe dez litros
De cachaça em meia hora
Pra aguentá chuva por fora
Tem que se molhar por dentro
Vento danado
É aquele lá de Minas
Sopra em cima das meninas
Diverte a população
Até os velhos
Vão correndo pras janelas
Pra ver se algumas delas
Já usa combinação
Fez sol com chuva
Uma viúva lá da Penha
Disse que não há quem tenha
Tanto pretendente junto
Mas um por um
Dos pretendentes é otário
Pois o vencedor do páreo
Ganha resto de defunto
Quem nunca viu
Chuva de vento a fantasia
Vá em Caxambu de dia
Domingo de carnaval
Chuva de vento
Só essa de Caxambu
Domingo chove chuchu
E venta água mineral!
Um Zé Pau-d'água
Tem um amigo parasita
Não trabalha e sempre grita
Viva Deus e chova arroz!
Gritando assim
Do seu povo ele se vinga
Viva Deus e chova pinga
Que arroz nasce depois
Chuva de vento
Muita gente desconfia
Dessa chuva fantasia
Que eu vi em Caxambu
Se o espanhol
Contar a dele não me ganha
Vai dizer que na Espanha
Chove bala pra chuchu!

Posted by pparafusos at 8:14 PM | Comments (0) | TrackBack
março 22, 2005

reclame e ame sua terra"*


"reclame e ame sua terra"*

Agradeço à Suely por sua sensibilidade e capacidade de motivar pessoas para debater um problema e encontrar soluções; à Cora Ronai, à eliane estoducto e a todos os amigos que ao questionar o caso do artesão Fernando Henrique Ferreira, estão debatendo o Brasil e seu povo do interior acostumado aos contratos feitos através do apalavrado e apertos de mãos.

A ong mãos de minas nada tem a ver com esta transação do Fernando. Através da ong este senhor, Jean Piet Hartman, da brazil trade, comprara as primeiras peças dele. "depois ficamos amigos -diz o fernando_ pessoa gentil, de fino trato e a transação sem a ong como intermediária é mais lucrativa."

Caxambu é uma cidade no sul de minas gerais com tudo para dar certo. 12 fontes de águas minerais medicinais, um parque agradável. Mas sem qualquer projeto turístico.

Imagine uma fonte de água mineral medicinal no exterior e como estaria o turismo nesta cidade.

Caxambu está às moscas. Hotéis fecham as portas, outros demitem seus funcionários . Lojas vão à falência. Um dos mais tradicionais hotéis da cidade lançou um plano de demissão voluntária mas nenhum funcionário deseja perder seus direitos trabalhistas. O único cinema local fechou porque não consegue pagar o iptu.

Então, se não tem para quem vender na cidade sem turista o que faz o artesão? Ou fica nas mãos do atravessador, o que acontece com freqüência ou filia-se à ong que não tem como absorver toda produção da região. Entre um talvez ou oitenta centavos, melhor a última opção.

E é assim que acontece. Para nós que temos ferramentas tecnológicas, que lemos jornais, livros, -sabemos ler- temos educação formal e informal, estamos antenados com o mundo esta história quase beira o realismo fantástico. Por isto as novelas da globo que abordam este tema pouco sucesso fazem no interior. Pois a realidade aqui é incrível e inimaginável.

Obrigada amigos. Muito obrigada.

o título deste agradecimento foi retirado da comunidade criada por suely coelho, "reclame e ame sua terra" no orkut http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=57249 e ela a descreve assim:

"Todo mundo sabe que o Brasil (como qualquer outro lugar) tem seus problemas. Entretanto, pela sua grandeza seus problemas passam a ser de todos.

Todos sabem que a melhor maneira de resolvê-los é se manifestando, fazendo isso de maneira coerente em alto e bom som. Portanto, essa comunidade está sendo criada para você pôr a boca no trombone (de maneira incoerente se quiser) sobre o Brasil. Suas reclamações podem ser justificáveis ou não--desde que compartilhe com os outros, bem-vindos!"

Posted by pparafusos at 10:07 AM | Comments (3)
março 21, 2005

ainda sobre a gringolância


amiga, sua indignação faz crecer meu orgulho e minha admiração por você.

ontem estive com a casa cheia, como todos os domingos, e só de manhã
acesso a internet. depois chegam os amigos. por isto a demora na resposta.


o artesão é muito explorado pelo comprador ou turista.

aqui vai a resposta a sua pergunta suely,/ pois a jornalista aqui falhou.

entre o fernando henrique ferreira e o senhor jan piet
como informa o artesão "não existe contrato algum. o
acordo foi feito verbalmente, como todas as outras transações. entre
as partes nunca rola contrato. é um mercado informal e a compra
e venda de mercadorias é feita sem nota fiscal. é de praxe. é uma
constante no mercado de artesanato no brasil inteiro.

o artesão não tem como emitir uma nota fiscal e em conseqüência as
lojas também não a emitem."

continua fernando a informar:

"o senhor jan piet hartman já era meu comprador antigo. adquiria
minhas peças através da ong mão de minas. desta vez ele me procurou e
firmamos acordo apalavrado, o que se usa muito no interior."

fernando mora e tem ateliar ("atelier de papel") na rua doutor enout 171 centro , caxambu, minas
gerais, cep 37440 000. telefone 3341 25 59 código da cidade 35.

os preços das peças variam entre 9 a 19 reais.

ah, ele hoje procurará falar com a dona maria emília , bordadeira oficial de
caxambu, para ver se existe esta feira em hotéis de luxo de são paulo como informou o fernando nimam .

Posted by pparafusos at 12:09 PM | Comments (1)
março 20, 2005

infelizmente é verdade, suely.


infelizmente é, suely, verdade. o fernando está desesperado. aqui é uma região de muito artesanato e todos ligados à ong mãos de minas que paga pouco por cada peça, mas paga. fernando foi contatado para fazer uma venda fora da ong, ganhando mais e entrou pelo cano.

cartao.jpg
cartão da firma de jan piet hartman estabelecida em são luiz do maranhão

para você ter uma idéia do absurdo sobre os preços vamos dar um exemplo: você já viu uns balaios de bambu, compridos, que aqui usam para colocar roupa suja? já viu por aí? já anotou os preços?

aqui eles são vendidos para o atravessador por 0.80 centavos. mas não é um só. são três. um dentro do outro.
o atravessador fornece o bambu e eles fazem o trabalho.

ninguém pensa , no entanto ,em plantar bambu na própria terra. planta que dá à toa.

estas bolsas de vime usadas aí, aqui são compradas por vinténs. assim como as peneiras, cestinhos de palha de milho etc.. .

e eles, os artesãos, estão nas mãos dos atravessadores . a gente não pode falar muito pois eles morrem de medo de perder a oportunidade.

aqui se tem a dimensão exata do que é o brasil.

os contrastes são escandalosos, ao lado de uma tapera no meio do mato perto de uma cachoeira hoje cercada, ergue-se uma mansão. todas as terras estão sendo compradas pelos gringos à preço de banana. ( aqui tem água a dar de páu. estamos sobre o aquífero guarani. se um dia acabar a água de superfície é só cavar um poço)

é uma lástima.

em airuoca, em região de apa (área de preservação ambiental), eles compraram terras e construíram casas (isto é proíbido) e como o acesso pela estrada é calamitoso, principalmente na estação das águas, eles estão forçando o governo do estado a permitir a construção de um aeroporto. mas como eles chegam com muito dinheiro, dólar! é dado como certo que o estado permitirá. o parque das águas de são lourenço não foi vendido para a nestlé?

esta região que compreende baependi e segue até itatiaia está sendo tombada como patrimônio da humanidade e você sabe que quando falam em humanidade estão excluíndo o povo do terceiro mundo. é o mesmo processo vivido no amazonas e no pantanal.

mas este dinheiro não circula por aqui não. as lojas, até as tradicionais, assim como os hotéis estão fechando as portas!

e os miseráveis cada vez mais miseráveis e sem terra pois o homem ingênuo supõe que com o dinheiro ganho na venda poderá ir para a cidade grande e viver bem. quando depara com a realidade....
aqui não existiam desabrigados. hoje as ruas estão cheias. veja a foto que fiz ontem.

dona-cotinha.jpg

um hotel desempregou na semana passada 48 pessoas. isto é muito grave para uma cidade do interior que vive de turismo. é grave em qualquer lugar, mas aqui o reflexo disto é impressionante, pois são várias famílias que dependem daquele emprego . mas o hotel não terei como arcar com o salário destas pessoas.

é isto amiga. tudo isto.

e assisto sem nada poder fazer. certa vez estava sendo criada a associação dos artesãos com apoio da ong mão de minas. mas a instrução do povo é nenhuma e pouca coisa contece. eles ficariam livres dos atravessadores

agora há um outro sonho "a estrada real", que já existe. mas de sonho em sonho lá seguem os brasileiros comendo poeira.

um abraço

ps. ah, te assutei, por que? será que não estou sabendo me comunicar? conta, por favor.

beijos
esther

Posted by pparafusos at 8:41 AM | Comments (0)
março 19, 2005

"em busca do tempo perdido"

"não consigo entender muito bem porque alguém deve escrever o que quer que seja. o vasto mundo se basta, não tem nenhuma necessidade de nossas palavras." frase de uma das muitas cartas de simone de beauvoir para nelson algren.

sim, a simone de "os mandarins". este livro nasce durante o amor dos dois no correr dos anos como corre a pena nos manuscritos. no tempo em que havia tempo . por sartre nutria grande amizade. seu grande amor, destes de chamar de fofo, meu marido e eterno amante, e apelidos que se não fossem ternos seriam jocosos, foi algren. os "mandarians" foi dedicado a ele. no livro, algren é lewis borgan.

estas cartas são um romance verídico, acontecido e rompido brusca e inexplicavelmente pelo autor de "o homem do braço de ouro".

na realidade este livro carta assemelha-se a um blog. simone conta seu cotidiano, suas aspirações, seus sonhos a um interlocutor que nem sempre responde. além de negar sua afirmação sobre a desnececidade de esrever ela o faz com voracidade.

estou fascinada por este livro. a mulher segura de si, às vezes cruel em "a cerimônia do adeus", livro onde narra os últimos dias de sartre; não bem cruel mas sem suavidade, demasiado crua, ela se derrama em copiosos dia-a-dia regados por lembranças amorosas de paisagens e cópulas preguiçosas.

outro blogueiro foi proust : "em busca do tempo predido". está deliciosa a leitura deste amor.

mas quem diria?

Posted by pparafusos at 10:19 PM | Comments (0)

roubado na santa paz


(treinamento para prócer)


>

Essa gif anda por aí espalhada na net.

Não atire o pau no gato tô
Porque isso sô
Não se faz
O gatinho nhô
É nosso amigo gô
Não devemos maltratar os animais

tudo foi roubado com paz , pompa e circunstância daqui : blogueira dos enta. por isto está com letra maíscula. em respeito à roubada.

Posted by pparafusos at 10:02 PM | Comments (1)
março 18, 2005

como a gringolância ferra o brasileiro

explicação do neologismo gringolância : gringo=mascate, estrangeiro --- lan, de land = terra. cia de ganância. gringolância esplanar,sugestão da li do palavras tortas


fernando1.jpg

fernando henrique ferreira, 48 anos, casado, possui um ateliê em caxambu. ele fabrica peças em papier machée e as vende ao exterior através da ong mãos de minas.
f.jpg
em novembro de 2004, durante a décima quinta feira do artesanato em belo horizonte o senhor jan piet hartman, da holanda, importador de produtos brasileiros, como diz seu cartão de visitas, consegui o telefone de fernando na feira no estande do sebrae e o convocou a ir a belo horizonte no hotel boulevard.
fe.jpg
conheceu as peças do artista e encomendou 3.325 objetos variados como araras, tucanos , galinha d'angola, galinha porta ovos, elefante, hipopótamo, tartaruga, porquinho, prainhas ( são ambientações com bonecos pegando sol na praia ) além de 1.500 peixes. ficou combinado o preço total de 25.450 reais a ser pago da seguinte maneira: 25% no início de janeiro o restante contra entrega do material no início de março.
feer.jpg
fernando retornou para caxambu e contratou seis auxiliares diretos e 40 terceirizados para aprontar em tempo a encomenda. investiu tudo o que tinha na compra de material e no pagamento dos trabalhadores.
fer.jpg
no início de janeiro telefonou para a brasil trade sediada em são luiz do maranhão , solicitando que lhe enviasse o sinal . o sócio de jan piet hartman , marcelo gomes informou que jan havia se enganado e o sinal de 25% só chegaria em final de janeiro de 2005.
fernan.jpg
fernando vendeu bens, carro, tv , freezer, para comprar mais material e entregar o pedido no prazo certo. no final de janeiro ele telefonou de novo para jan piet, com quem combinou a transação em belo horizonte. foi informado de forma curta e grossa que ele, jan, havia feito uma transação de sapatos em franca, são paulo e gastara o dinheiro das encomendas . ficariam para outra ocasião.
fernand.jpg
devendo na praça, sem carro, com mais de 3.000 peças no seu estúdio, em processo falimentar está fernando.
ffer.jpg
porque um gringo, acostumado a negociar com astesãos brasileiros lhe deu o calote.
ferna.jpg
as peças são estas que estão vendo . se alguém desejar pode encomendar pelo telefone 3341 25 59 código da cidade 35.
fern.jpg

a campanha é: vamos salvar um brasileiro terceiro mundo enganado por um holandês do primeiro mundo.

fernando11.jpg

conta fernando, com as roupas manchadas de tinta: era uma pessoa fina, bem trajada, parecia ser sério. guardarei este cartão como triste lembrança, e mesmo no mato fico a ver navios, os que levariam minhas peças para o exterior.

fernando já tem peças na europa vendidas através da ong mãos de minas.

Posted by pparafusos at 5:38 PM | Comments (0)
março 17, 2005

transitivo direto

preparei o buraco fundo, mandei cavar que sou suicida mas não louca. falei : romário, eu me jogo e você cobre de cal, folha seca e tampa com terra . viro adubo.
porque, romário, na minha janela não tem mais a fal. ela mudou pro lado de lá daquela rua. suicido, adeus mundo. se alguém cheirou fal, bebeu fal, ganhou vício ( parodiando chico). só pelas letrinhas que ela escreve dá pra ficar falxiconoma. com ela na janela, meu! perdi todos os neurônios no tóxico.

romário disse : tá.

mas fal chegou hoje até parece que veio da praia e disse: oi. - a gente quanto mais o tempo passa fica mais sentida. ou fica sem sentimento, o que pode dar no mesmo-.

mudei o dia da morte. mas né que roncou trovoada na hora da conversa e só agora parou de relampaguear? é a enchente das goiabas que dá todo mês de março. não faiou. por estes dias tome trovão, tome chuva.... assim será.

madeo, vortei. mas a rua tá escura. tô cá dentro pra não molhar os pés. me pélo de medo de lobisomi. mas a gente precisa continuar a traçar o destino das porcas. esperei você escrever e nada... que quê houve madeo?

ah, saquei. só pelo skipe?

Posted by pparafusos at 8:03 PM | Comments (0)
março 16, 2005

a tecnologia evolui mais que a ética: a corrosão do caráter*

conversa com sonia grisólia


convidei ana laura diniz**, autora de "contos de bordel" e uma das últimas conversa do porcas e parafusos (antes do matusalém matusca) para participar deste momento com sonia grisólia, diretora da wwwriters sistemas (http://wwwriters.com.br/new/index.php) "empresa especializada em integrar soluções para a internet e gerenciar o relacionamento com o cliente virtual."

os enfoques são diferentes e diferente é também a fonte que ela usa: trebuchet ms-12. eu prefiro a baskerville old face , mas tanto faz pois no blog a fonte, se não me engano, é a verdana. no mais rimos juntas, fundamental para uma boa parceria.

há um movimento na europa chamado slow food international association - cujo símbolo é um caracol- com base na itália: www.slowfood.com .

serve de base para um movimento mais amplo , o slow europe que questiona a "pressa" e a "loucura" gerada pela globalização, o apelo à "quantidade do ter" em contraposição à qualidade de vida ou à "qualidade do ser".

disse o médico: é preciso ajudar o fígado, o pâncreas e áreas afins a processar o alimento com mais eficiência. "mastigue cada porção levada à boca no mínimo 10 vezes. permita que a bílis tenha tempo para escoar.

tempo é o que nunca nos damos e nossa bílis não flui, os sentimentos, em geral, são medidos pelo dinheiro que cada um tem no banco e a necessidade de aumentar o fluxo de caixa para nos apresentarmos ao mundo como pessoas bem sucedidas com o carro do ano, casa na praia, e antenados com as novidades de uma realidade da qual já não fazemos parte: a nossa. tudo pela mais valia!

sonia grisólia em algumas intervenções no grupo telework brasil levanta questões sobre valores, ética e pergunta onde está a vida que deveria ser vivida. com a naturalidade de quem não tem nenhuma verdade ou resposta pronta a oferecer, ela fala conosco sobre tecnologia, desenvolvimento, ética, comportamento, política, economia e sociedade.

diz ela:
"há uns 2 anos eu li o ócio criativo de domenico de masi que falava
sobre a tecnologia como um meio pelo qual o homem poderia deixar o
trabalho braçal e pesado no passado e dedicar-se a atividades mais
criativas e nobres. o mundo desenhado por de masi me pareceu fantástico
na época (e ainda me parece). o problema é que não estou vendo ele
se realizar em sua plenitude."

soniagrisolia.jpg
sonia grisólia


perguntas formuladas por esther lucio bittencourt:

sonia, quando o mundo inventou a sociedade industrial todos esperavam a mesma coisa; e no entanto houve desemprego, como vemos hoje, famílias perdendo seu espaço na sociedade, caindo aceleradamente na escala social, e consequëntemente a diluição de valores tidos como importantes para uma sociedade organizada e respeitosa. o que provoca o inverso do apregoado, do esperado, cada vez que uma nova mudança econômica é instituída, a seu ver?

>>> não acho que aconteça o inverso ou que mudanças sejam ruins. há sim um momento de aparente caos até que as coisas se acomodem. não sou contra a evolução e nem digo que o que acontece agora está errado. apenas questiono algumas prioridades, mas sou consciente que a tecnologia evolui mais rápido do que os conceitos sociais e éticos que regulam as relações humanas. talvez eu lamente o fato de não estar viva para aproveitar o mundo desenhado pelo de masi…

sinto-me como advogado do diabo, mas estas traquitanas que seduzem as pessoas existem e sempre existiram. desde quando o primeiro homem desejou a pedra que servia de arma ao seu companheiro primitivo, e o matou para ficar com ela ou a trocou por um punhado de raízes. não seremos nós que nos distraímos de nós porque há algum componente em nosso dna que exige futilidade e abstrações, em vez de convivência com a realidade em torno?

>>> a realidade é chata. e como todo mundo, não gosto do que é feio. o ser humano desde que se descobriu consciente busca a beleza, a harmonia e tem uma atração irresistível pelo fútil, pelo alegre. no entanto, não é isso que questiono. o amor ao belo não aliena, necessariamente. ou você acha realmente possível toda a organização social ser baseada apenas no que é fútil?

"não se afobe não que nada é pra já...", como canta o chico. será? alguma coisa do que foi prometido por cada fase de transição social e econômica será que um dia nos alcançará? ou como disse john lennon: "a vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro"?

>>> eu acho que john lennon é um bom filósofo…

a visão do mundo que nos orientou no passado, religiosas, econômicas, familiares, afetivas, são insuficientes para justificar o presente e antecipar o futuro, daí o anseio por novas utopias e a incapacidade de sonhar no sentido de almejar. mas isto aconteceu em todos os momentos históricos em que a sociedade pretendeu ter alavancado o progresso. e nisto o ser humano perdeu seu tino, rumo e consciência? ou há algo mais profundo e arcaico para que tenha havido a "corrosão do caráter"?

>>> na história cada movimento revolucionário passa por etapas que podem ser resumidas mais ou menos assim:
- perda dos referenciais
- anseio por uma nova utopia
- momento de ruptura (a negação do passado)
- perda do rumo e consciência (caos)
- tentativas (vários caminhos)
- acomodação = iluminação

penso que o vivemos agora é um pouco diferente porque não chegamos a completar um ciclo e outro se sobrepõe com novos desafios sociais, ético e econômicos. veja, a tecnologia resolveu o problema da fome no mundo. então, por que ainda existem pessoas com fome? porque ainda não evoluímos política e economicamente. e antes que um desafio tão básico como a fome seja resolvida a humanidade se vê diante de outros desafios éticos como a clonagem, etc. todos se sobrepõem e antes que uma discussão esteja concluída outra igualmente importante começa, muitas vezes invalidando a anterior e… assim caminha a humanidade hoje em dia!!!

do ponto de vista individual, é cada vez mais comum os ciclos não se completarem, as histórias de vida mudarem rapidamente por um fator qualquer. pense: quantas vezes você já mudou de casa? de emprego? quantos amigos de infância você mantém contato freqüente? quantas pessoas podem ser consideradas testemunhas da tua história? compare a tua vida com a dos teus avós e… é muito diferente, não é mesmo?

seria preciso, sem ajuda de dicionários e conceitos filosóficos definir o que para cada um de nós significa caráter. você quer ser a primeira a tentar?

>>> para mim o conceito de caráter não permite dúvidas, discussões e nem interpretações. caráter é a capacidade de confiar e despertar confiança. ponto final.

ou seria a revolução tecnológica, mal apreendida, fundada com o fito de nos oferecer ócio criativo, riquezas e qualidade de vida a facilitadora do surgimento de uma sociedade sem juízo, sem senso, e sem caráter ou com o caráter corroído?

>>> a revolução tecnológica está mesmo oferecendo tudo isso à humanidade? ou será que alguns seres humanos são mais seres humanos do que outros nessa sociedade? eu vejo uma sociedade calcada em castas e privilégios. às vezes me parece que não estamos muito diferentes da idade média, só disfarçamos melhor.

nos anos 60/ 70 falava-se em crise do ocidente quando a tecnologia entrou em nosso cotidiano prometendo livrar o ser humano da fadiga física; quando a mídia exibe a degradação da sociedade, de seus governantes e a publicidade afirma como correta a falta de caráter, de princípios honestos ou seja que o errado é quem não rouba nem trapaceia. que o bem sucedido precisa de mil traquitanas para demonstrar seu sucesso. mas isto não faz parte do esquema de uma sociedade doente e desorientada? não a tecnologia, mas a pessoa que a usa, a está usando ou como queríamos demonstrar se exibe a partir de supor sua posse?

>>> como eu disse, o ser humano evoluiu muito pouco desde a época dos romanos ou mesmo antes

em verdade, sonia, em nenhum momento da história eu estudei qualquer menção da união dos homens em torno de uma idéia produtiva para o enriquecimento humano que não fosse guerras, disputas e opressão de outros seres. cito como exemplo a obra do bardo shakespeare, "henrique v", onde uns poucos trucidaram muitos em nome de são crispim e de seu rei que o invocou. nesta época eles cortejavam lanças e espadas em vez de celulares e palms...

>>> acho que nem precisavas ir tão longe. basta olharmos o oriente médio hoje...

eu não li o livro corrosão do caráter de richard sennett, mas pergunto se a informática e a tecnolgia teria a ver alguma coisa com isto - a corrosão do caráter - ou ele sempre foi, o caráter, um aposto, uma metáfora para enaltecer determinada sociedade ou grupo que estariam livres para sem tê-lo cobrá-lo de outros com o fito de auferir algum lucro?

>>> boa pergunta…

você fala da ausência de contato humano mesmo quando as pessoas estão juntas, de um endeusamento da tecnologia, que jung definiu como : "a questão eterna no ser humano entre ser e ter".

>>> no seriado star trek a sociedade humana não se baseia mais no ter. tanto que não existe mais dinheiro ou propriedade. o desafio de vida que cada ser humano se propõe é o aperfeiçoamento do seu caráter… mesmo assim, existem muitas pessoas mesquinhas… mas normalmente são de outras espécies (risos). tomara que um dia sejamos assim.

estas competições nos remetem ao mundo infantil quando o carro do pai da gente era o mais possante ou ele era o homem mais importante. hoje sem maquiagem as crianças usando roupas formais de adultos continuam suas disputas. parece que caiu a máscara de um mundo que nunca cresceu, porque crescer significa assumir um papel, qualquer que seja ele, perante si mesmo.

>>> adão e eva foram expulsos do paraíso porque provaram da árvore do conhecimento e descobriram o bem e o mal. para mim, crescer significa perder a inocência e escolher a cada minuto da vida o bem ou o mal. ninguém escolhe só o bem, nem só o mal durante uma vida. nos revezamos entre generosos e mesquinhos, frios e emocionais, amorosos e odiosos, milhares de papéis. em resumo: não vejo esta configuração injusta de mundo como um capricho de crianças, porque a humanidade não é inocente e assim como o bem existe, o mal também é um fato.

cícero, ovídio, modernamente paul lafargue, o genro de marx, e bertrand russel e mais hodierno, domenico de masi falaram sobre o ócio, a preguiça e a criatividade fazendo parecer que o mundo seria como as bucólicas de virgílio. este apelo pelo ócio criativo beira a tragédia num momento em que o desemprego anda pelas tabelas, em que o regime de trabalho é semelhante ao feudal, porque um sistema econômico é substituído por outro e isto tem muito pouco a ver com tecnologia e sim com a mais valia, com a ditadura econômica que determina como podem trabalhar os povos do terceiro mundo, em tarefas inferiores, enquanto os do primeiro ocupam os céus. é uma ironia, mas a seleção genética já está em andamento há muito tempo, e goebbels fincou pé na propaganda com sua técnica de que não importa o fato, mas sua versão, repetida ad infinitum. portanto, não importa que os celulares toquem, mas que o toque de cada um provoque o desejo do outro de possuir o do semelhante que sempre será melhor?

>>> esther, eu não tenho tanto conhecimento acerca dos filósofos e pensadores, mas reafirmo: o problema não está no avanço da tecnologia, mas em como a humanidade lida com isso. veja o caso das pesquisas de células-tronco em embriões humanos. nos dizem que está tudo bem pois somente serão utilizados embriões excedentes que iriam para o lixo. não nego os benefícios das descobertas, mas não consigo evitar um certo desconforto diante do fato de que produzimos embriões humanos que vão… para o lixo e isso é considerado normal. agora, vão para pesquisas médicas. legal, assim evitamos desperdício!!! e os animais utilizados nas mesmas pesquisas médicas? você já viu as fotos das torturas a que estes seres são submetidos?

(nem eu, sonia, leio muito, só isto)

outro dia estava vendo um programa de ficção científica e um ser humano foi tomado por um et que se uniu a ele simbioticamente. existia o conhecimento para separá-los, mas este conhecimento tinha sido obtido por um médico que realizava pesquisas em seres humanoides através de processos anti-éticos (como na alemanha nazista). e daí? não usa o conhecimento e os pacientes morrem ou usa o conhecimento, salva os 2 pacientes, e com isso dá um aval a este tipo de pesquisa? o que vale mais: a vida de um ser ou o caráter de uma sociedade?


perguntas formuladas por ana laura diniz:

todo mundo tem por igual - nem mais, nem menos - 24 horas por dia. mas diversas empresas como o unibanco, que oferece "30 horas" por dia aos seus clientes, investem em fórmulas que "supervalorizam" os seus produtos e serviços em nome da tecnologia e do progresso global. onde ficamos na ordem prática das coisas entre a realidade e a ficção?

>>> no lugar de sempre: consumindo.

e o atendimento ao cliente na maioria dessas lojas como americanas.com e submarino? qual o poder do consumidor frente a virtualidade dessas empresas? quais são seus direitos, seus deveres e como devem se comportar nesse processo?

>>> todos os direitos e deveres que valem para uma loja off-line, valem para uma on-line. se algo não for cumprido de acordo com o combinado, basta buscar os direitos no código do consumidor.

manuel castells, autor espanhol de mais de 20 livros, entre os quais a famosa trilogia "a era da informação: economia, sociedade e cultura", e membro do comitê de especialistas sobre a sociedade da informação da comissão européia e do comitê assessor da secretaria-geral das nações unidas sobre tecnologia da informação e desenvolvimento global, afirmou em entrevista para o jornal "le monde" que dispomos de elementos suficientes para demonstrar que a internet não isola e tampouco é um instrumento de poder ou do mundo dos negócios. "pelo contrário, é um espaço descentralizador e cidadão. a internet é um fenômeno econômico, social e político, mas não é nem uma tecnologia que traz em si a solução global aos problemas da humanidade, nem um sistema que cria desigualdades sociais". se não cria, enfatiza. ou a exclusão digital é irreal? como ficarão as pessoas que nada entendem "dessas máquinas"? como será o futuro delas no mercado de trabalho?

>>> essas pessoas já utilizam caixa eletrônico, telefones, compram rancho com cartões alimentação dados pela empresa, carregam o seu cpf eletrônico, etc. caminhamos para uma unificação digital e dificilmente alguém conseguirá se isolar do sistema de informação. a internet é apenas base/estrada por onde trafegarão todas estas informações. isso é uma coisa.
outra coisa é a exclusão. digital ou não ela continuará como a pior chaga da humanidade até que as regras de poder econômico e político se alterem e se voltem para beneficiar a maioria.

veja ana, não entender "dessas máquinas" não torna ninguém um excluído. pode até ser uma opção pessoal. excluído é quem não tem acesso a saúde, trabalho, comida, educação, justiça, dignidade, etc.

a internet é uma tecnologia, sim, mas para fazer o quê? muitos agem de forma exclusivista, tornam a internet para si, mas o que eles, por sua vez, acrescentam para a rede? que noção as pessoas precisam ter de toda essa parafernália?

>>> a internet é apenas um caminho por onde trafegam informações. simples assim. por outro lado, as informações… bom, daí voltamos ao papo do bem e do mal da pergunta da esther...

o mundo da informática hoje se resume em internet? internet é a palavra chave pra tudo?

>>> não. informação é a palavra-chave para tudo. ontem, hoje e sempre.

a produção de informação e entretenimento cresce significativamente, enquanto o armazenamento e a distribuição de informação estão cada vez mais baratos. há suficiente demanda para absorver toda esta produção?

>>> caminhamos para a ultra-segmentação da informação. imagine que temos 5 bilhões de pessoas no mundo. que tal 5 bilhões pessoas com necessidades de informações diferentes e que mais cedo ou mais tarde pedirão de pacotes personalizados de informações … acho que existe demanda sim!

o fórum social mundial mostra as premissas de uma sociedade civil mundial capaz de se mobilizar por grandes causas. a internet tem um papel maior neste processo?

>>> com certeza. a internet facilitou o acesso a informações e isso é a base de qualquer movimento…

hipocrisia total. depois do "arrastão tsunami" ninguém fala de outra coisa, e várias empresas dançam no auê da tragédia para que se encham as sacolinhas de "tim tones" (personagem humorístico criado e vivido por chico anysio na década de 80). em nome do amor, da guerra, de deus, muita atrocidade se faz... afinal, alguém sabe quantificar o número de "tsunamis" que vive-se diariamente nesse pau-a-pique chamado brasil? a massa permanece mais massa e a elite intelectual se faz de cega, surda e muda. afirmar que cada vez mais os brasileiros estão menos preparados cultural, social, educacional e profissionalmente virou lugar-comum. a questão é: de que adianta tanta fanfarra tecnológica se aqui as pessoas mal sobrevivem e as que se dizem "estudadas", mal sabem interpretar aquilo que vêem? lêem, mas são incapazes de correlacionar uma informação a outra. a internet termina, dessa forma, por exercer um papel superficial, vazio e curto diante a tanto volume de notícias e informações diárias?

>>> cito manuel castell: "a internet é um fenômeno econômico, social e político, mas não é nem uma tecnologia que traz em si a solução global aos problemas da humanidade, nem um sistema que cria desigualdades sociais".

sonia enfatiza questões importantes. e se a tecnologia não cria desigualdade social, não é de todo errado afirmar que ela a realça. já ultrapassou a urgência de as autoridades responsáveis se cobrirem de dignidade e respeito para com o seu povo.

saúde, educação, cultura e uma política sócio-econômica-social mais justa não deve ser artigo de luxo. o fim de um ciclo é sempre o início de outro de mesma ou maior demanda. na esperança dias melhores frente a tanto avanço tecnológico, a vida segue seu fluxo no tempo do tempo do mundo. (ana laura)


Mais sobre sonia grisolia: http://www.widebiz.com.br/gente/pires/domenico.html entrevista com domenico de mais
http://www.multivirtual.com.br/informacao/articulista.php?codigo=12 Sônia Grisolia. Diretora da wwwriters Sistemas, empresa especializada em integrar soluções para a internet e gerenciar o relacionamento com o cliente virtual. Participou da idealização da wwwork, comunidade dirigida aos micro e pequenos empresários, profissionais autônomos e liberais. - vários artigos
http://www.serprofessoruniversitario.pro.br/ler.asp?TEXTO=567 wilson azevedo fala sobre dúvidas se sónia grisólia sobre ead, educação à distância.

*o livro "a corrosão do caráter" é de Richard Sennett

**ana laura diniz. idade, 28. é jornalista e co-autora do livro "contos de bordel - a prostituição feminina na boca do lixo de são paulo", que venceu o 3º prêmio volkswagen de jornalismo, categoria livro-reportagem, além de produtora musical, atriz e letrista.

Posted by pparafusos at 12:41 PM | Comments (2)

debate sobre a realidade nacional

carlos aberto teixeira conta http://catalisando.com.br

Está sendo criado o Instituto de Estudos da Realidade Nacional, uma louvável iniciativa de Patrícia Carlos de Andrade e Denis Rosenfield, com o apoio da UniverCIdade. Acabo de voltar há poucas horas do evento de inauguração, em que foram abordados, nas Mesas 1 (Eduardo Gianetti, Sergio Ribeiro da Costa Werlang, Maria José de Queiroz) e 2 (Antônio Carlos Pereira e Ali Kamel), os temas "Liberdade sob diferentes ângulos" e "Os meios de comunicação e a liberdade". O debate foi de altíssimo nível. Por sorte, foi tudo gravado em vídeo, que irá ao ar pela Net no Canal Universitário em data e hora que divulgarei oportunamente. Será feita também uma transcrição que será publicada em livro. Quem perdeu este primeiro dia, saiba que perdeu muito.

Mas hoje e amanhã tem mais. Veja a programação: nesta quarta-feira dia 16 de março das 17:00 às 18:30 haverá a Mesa 3 - O Estado e a segurança (propriedade privada e MST), com Paulo Brossard, Xico Graziano, Carlos Alberto Sardenberg e Yeda Crusius. Das 18:45 às 20:00, a Mesa 4 - Política e Liberdade, com Octávio Amorim Neto, Rodrigo Maia, Eliseu Padilha, Pedro Parente e Yeda Crusius. Das 20:15 às 21:45, haverá a Mesa 5 - Política Externa , com Pedro Malan, Celso Lafer, Eduardo Viola e Marcílio Marques Moreira.

Na quinta, dia 17 de março das 18:00 às 19:30 haverá a Mesa 6 - Liberdade Econômica e Propriedade privada, com Armínio Fraga, Marcos de Barros Lisboa, Gustavo Franco e Roberto Fendt. Das 20:00 às 21:30, a Mesa 7 - Impasses do Brasil Atual, com Henrique de Campos Meirelles, Jorge Gerdau Johannpeter, Denis Rosenfield e Paulo Roberto Nunes Guedes.

Local: Teatro da Cidade - Av. Epitácio Pessoa, 1664 - Ipanema - tel: 2536-5250. Entrada Franca, vagas limitadas, aliás, limitadíssimas. Reserve seu lugar pelo telefone (21) 2536-5250 ou via email lcsilva@UniverCidade.edu.

- c.a.t.
catalisando

Posted by pparafusos at 9:18 AM | Comments (0)
março 15, 2005

cristal poesia


leia aqui o que deu no diário on line


Prosas e poesias estão na web

Fernanda Borges
Do Diário OnLine

Nesta segunda-feira ( dia 14, ontem) é comemorado o Dia Nacional da Poesia, pois foi nesta data que nasceu o poeta brasileiro Castro Alves. Poeta romântico, Castro Alves morreu de tuberculose em Salvador, no dia 6 de julho de 1871, com apenas 24 anos. Ele escreveu poesias de destaque como “Navio Negreiro”, e por isso ficou conhecido com poeta dos escravos.font>

Os internautas que gostam de prosas e poesias têm diversas opções na web. Uma delas é o site Cristal Poesia e Prosa, que traz diversas obras de autores renomados, como Fernando Pessoa, Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira. Além disso, estão destacadas algumas prosas de Luiz Fernando Veríssimo, João Ubaldo Ribeiro, entre outros.

O cristal poessia e prosa, o site s também traz poesias de sua idealizadora Eliane Stoducto. No link poemas musicados estão disponíveis algumas composiçãoes com diversos intérpretes destacando quem são os autores de cada cnção.

O Cristal Poesia e Prosa já recebeu diversos prêmios da categoria, e foi selecionado pela Unesco (Organização das Naçoes Unidas para a Educação, Ciência e a Cultura). Cartões virtuais, links relacionados e novidades completam os serviços do site.


alguns poemas de eliane estoducto

Abri as portas

Abri as portas
Abri o peito
Abri as pernas
Abri os braços

Perdi o tempo
Perdi o afeto
Perdi o gosto
Perdi o tato

E comprei tranca
Com cadeado
Vidro blindado


Mar em trânsito

Para Maria Tereza

Para o mar Maria ia Para o mar ia Para o mar ia Ao pisar a fina areia Em hora de maré cheia O mar ia até Maria O mar ia até Maria O mar ia O mar ia

Maria
Mar em trânsito..
Porta de aço>



Taquicardia

Delírios de febre,
suor e arrepios,
me toma de assalto
uma taquicardia:
o pulso acelera
assim de repente,
me sinto doente...

Os olhos vidrados,
a boca silente.
Sutil calafrio,
qual sombra da morte,
percorre a espinha.
Na louca agonia
espasmos, tremores...

é a vida que parte?
São males? São dores?
Que nada...
São só ais de amores...


Lua Cheia


Nas madrugadas insones de verão,
montada em negro corcel, viajo rumo ao passado.
Deliro, ardo em febre. Me apunhalo.
Me afogo em frios suores e,
depois, choro pela vida desperdiçada
como o vinho entornado
nas mesas de tabernas ordinárias
e chopes não terminados, levados
por apressados garçons mercenários.
Choro por minha polidez medíocre e bem comportada,
pelo tolo acato às convenções institucionalizadas,
pelo horrível aprendizado de engolir sapos.
E choro e uivo e me debato.
Afinal, é lua cheia.


elliane.jpg
esta menina eliane, esta grande mulher promove os amigos publicando seus trabalhos, é elo entre as pessoas, aproxima-as, ensina-me...; mas não só por isto digo que ela é um dos maiores seres humanos que conheço. ela é em tudo o desejo de que o mundo inteiro fosse assim: como nossa li. minha profunda admiração e meu amor, eliane estoducto, não só por este reconhecimento mas por tudo o que silenciosamente você árdua e ardorosamente conquista.

Posted by pparafusos at 11:45 AM | Comments (0)
março 12, 2005

zilka salaberry

morre metáfora do brasil


zilka.jpg

morreu ontem, dia 11 de março a atriz silka salaberry

em 30 de abril de 1897 em volta grande, minas gerais, nasceu o cineasta brasileiro humberto mauro que em 1936 filmava cidade-mulher em preto e branco com um elenco poderoso. dentre as atrizes zilka salaberry, bibi ferreira, zenaide andrea etc. entre os atores estava mario salaberry.

após vários filmes e novelas zilka salaberry encarnou o personagem dona benta encerrabodes de oliveira.

sitio do ppicapau.jpg sítio do picapau amarelo, na chácara do visconde, em taubaté (SP)

"numa casinha branca, lá no sítio do picapau amarelo, mora uma velha de mais de sessenta anos. chama-se dona benta. quem passa pela estrada e a vê na varanda, de cestinha de costura ao colo e óculos de ouro na ponta do nariz, segue seu caminho pensando:
- que tristeza viver assim tão sozinha neste deserto..." (apresentação da personagem no primeiro parágrafo do livro reinações de narizinho).

o sítio do pipcapau amarelo de monteiro lobato é tido por estudiosos como a metáfora do brasil, assim como dona benta .

viscondi.jpg
viscondi de sabugosa

zilka com sua vida, nós com a nossa fazemos parte deste sítio ou do outro side. ou seja o lado terceiro mundo do planeta com suas fantasias tropicais vertidas para o frio.

donabenta-2.jpg
dona benta e narizinho

"a trajetória

a carioca zilka salaberry de carvalho era formada em economia, mas exerceu a profissão por apenas quatro dias. bisneta, neta e filha de atores, logo se refugiou nos palcos. durante dez anos, participou do teatrinho troll, no qual interpretava uma bruxa. em 1936, fez seu primeiro trabalho profissional como atriz, no filme cidade-mulher, de humberto mauro. sua estréia na tv foi em 1957, com a novela a canção de bernadete. mas apenas dez anos depois, com a novela a rainha louca, ela chegaria à tv globo, onde realizou seus trabalhos mais importantes.

foi com a inesquecível dona benta, personagem criada por monteiro lobato e materializada no sítio do picapau amarelo que cativou os corações de crianças por todo o país. a personagem esteve presente em todos os episódios dos onze anos que durou a primeira versão da série infantil. zilka participou também das novelas irmãos coragem, o casarão e o bem-amado. seu último papel na tv foi em 2002, na novela esperança, de benedito ruy barbosa. no mesmo ano, ela fez uma participação no filme xuxa e os duendes 2.

zilka, que colecionou transgressões ao longo da vida, como ser a primeira mulher a tirar a roupa no palco no brasil, nos anos 50, e ser hippie antes de o movimento virar moda, se dizia uma avó tão moderna quanto a que o novo sítio mostrou. ela adorava os jogos de computador e dificilmente parava em casa. mas não deixava de sentir saudades de sua famosa personagem. "algumas pessoas até hoje choram quando me encontram. e quando querem elogiar algum trabalho meu, dizem coisas do tipo: 'dona benta, a senhora estava ótima como uma cafetina na minissérie 'teresa batista'!' agora, estou entregando o bastão. daqui a pouco ninguém mais lembra que eu fiz dona benta. mas éramos uma família. as crianças me chamavam de vó", lembrava zilka."
fonte: globo online

cidade  mulher.gif
a partir da esquerda: mario salaberry, carmen santos, sarah nobre e jayme costa em cidade mulher , filme de humberto mauro.


"Não vejo razão para não continuar considerando Monteiro Lobato como uma das muitas lendas maravilhosas inventadas por ele próprio. A lenda dum homem dinâmico num país apático; de um homem vivo num povo cuja maior parte está semimorta porque tem sido abandonada, porque vegeta subalimentada, sem escolas, sem hospitais, sem nada; dum homem de espírito a bradar revoltado em meio da mediocridade ou da indiferença."

Érico Veríssimo

Posted by pparafusos at 2:08 PM | Comments (1)

Um vampiro à solta nas ladeiras de Olinda

hoje, dia 12, as cidades vizinhas - olinda e recife - fazem aniversário. olinda 470 anos, recife é dois anos mais nova. para recordar um texto publicado no diário do comércio de recife em 1999, quando o jornal comemorava 80 anos.


Um vampiro à solta nas ladeiras de Olinda

A vida escorria mansa no final dos anos 40. Quando a noite chegava, o lazer das famílias era ouvir rádio. A rua ficava para os boêmios, no vocabulário pernambucano, para os farristas. O bar era coisa impensável para moças e rapazes de boa família. Fora do carnaval os eventos de rua não passavam de novenas e procissões. Os namorados estavam limitados ao portão ou ao passeio pelas praças. No máximo até dez horas. A partir desta hora o toque de recolher era severo. E foi justamente no meio deste limite, aí pelas nove horas da noite, que as ladeiras de Olinda começaram a ser assombradas. Um vulto que mais parecia flutuar, com uma imensa capa negra, acentuava suas aparições com horrendas gargalhadas. Aparecia rápido, sempre próximo a um casal que namorava num portão ou regressava do passeio. E mais rápido ainda desaparecia.

As aparições se repetiram por uma semana. A princípio poucos levaram a sério, era "conversa de bêbado". Não era conversa de bêbado, era molecagem da rapaziada, que inventou a assombração e se ocupava de caçá-la, pretexto para tomar umas e outras. Um pai de família que fora buscar a filha na praça do Carmo, ao descer uma das ladeiras de iluminação precária, viu a tal aparição. Na verdade, viu o que o Diário da Noite estava promovendo, um ator vestido com uma enorme capa negra. As reportagens acabaram por gerar o boato que o bicho andava à caça das moças, uma espécie de vampiro. Nascia o Makobêba de Olinda

A rapaziada de Olinda continuou a desfrutar da história, mas um grupo aguerrido, que não sabia a origem da assombração, passou a caçar o Makobêba pra valer! O vulto de preto continuou aparecendo, e assustando com sua gargalhada assombrosa. Alguns pais de família prometeram um tiro de papo amarelo na tal visagem. O Diário da Noite vendia furiosamente em Olinda e no Recife também.

Alguns tiros foram disparados contra gatos assustados. A aparição era muito viva. Só se deixava ver por casais desprotegidos e desgarrados. Um comissário de polícia, na pretensão de receber as homenagens pelo fim das aparições, arranjou um culpado e o prendeu. Na noite seguinte o Makobêba reapareceu e a rapaziada seguiu se divertindo em farras animadíssimas. As vigílias se prolongavam nas noites de Olinda. Mas, a disposição de ser o herói que matou o Makobêba, objetivo do grupo que levava a sério a história, preocupou a tal aparição.

Um dia o Diário da Noite revelou tudo: a assombração era o ator Mário Salaberry, que estava promovendo sua peça em cartaz no Recife. Mas, a esta altura, o Makobêba já era uma lenda que virou sucesso no Carnaval. Inspirou máscaras e fantasias, e o grande compositor de frevos Levino Ferreira lançou em setembro de 1949, com a famosa orquestra de Severino Araújo, Makobêba vem aí! Não faltaram, também, os folhetos de cordel. A jogada do ator teve a parceria do repórter José do Patrocínio Oliveira, que nas páginas do DN alimentou a assombração, ajudou a criar uma lenda e deu oportunidade aos mentirosos, que contavam duros enfrentamentos com a visagem.

Posted by pparafusos at 1:47 PM | Comments (1)
março 11, 2005

bhagavan, hermínio miranda e a teologia gnóstica

olha sérvio , quero te contar como você fez falta aqui ontem e como iria gostar de estar entre nós, neste pequeno mundo menor que o sopro da voz a pronunciar uai! de repente .

herminio-miranda-e-bhagavan.jpg
hermínio miranda e bhagavan maurício.


ontem cá em casa estavam mauricio, ed, edalmo e mais tarde hermínio miranda. conversávamos sobre o gnosticismo, o cristianismo etc... uma tarde inesquecível.

e o encontro destas pessoas foi mais intrigante ainda. maurício, deixe-o apresentar é o é o bhagavan do fotolog.net. o que anda entre os índios, percorre as entranhas deste brasil, deste mundo de cá e de lá.

ele avisou num post, sabendo que moro em caxambu que viria para a cidade. informei meu telefone e disse que ele podia perguntar por mim . ele esqueceu em casa o telefone. o mais estranho é que maurício está hospedado na casa do edalmo, com quem conversamos sobre gnosticismo, geralmente. ele e o ed, e mais alguns amigos formam um grupo de estudo da ciência para o futuro. grupo que observo e escuto pelas beiras. leio os livros, como pistis sophia conversamos, mas não participo das reuniões.

maurício perguntou a edalmo se conhecia uma moça - fico maravilhada com o moça- chamada esther. claro que edalmo conhecia. ontem telefonei para ele procurando por um livro que estava perdido em algum lugar e não estava com ele. edalmo falou: irei aí a tarde com uma surpresa.

sabia! é o bhagavan, perguntei afirmando.

não é bhagavan, respondeu edalmo.

é. insisti. ele viaja pelo brasil fazendo contato com indígenas .

este é o maurício.para mim baghavan.

bem, o maurício é coordenador dos grupos de estudos da ciência do futuro. já estávamos com a conversa andada quando lembrei! quem sabe o hermínio miranda não gostaria de estar aqui. telefonei. hermínio precisa poupar o coração de 85 anos, mas veio. e ficamos até à noite. eu ouvindo , ouvindo. ouvindo o que de conhecimento eles têm e compartilham.

hermínio miranda é autor de mais de 35 livros, dentre eles os "cátaros e a heresia católica"; cristianismo, a mensagem esquecida" e afirmou com propriedade: ou o mundo será gnóstico ou nada.

se o mundo como dizem os cientistas e provam, perdeu oito horas em cada dia, se um ano equivale a um terço de seu valor, ontem o dia ganhou mais 24 horas de prazer e alegria, não por acúmulo mas eternidade.

o que é gnose

gnose é o substantivo do verbo gignósko, significa conhecer. gnose é conhecimento superior, interno, espiritual ou mesmo iniciático. no grego clássico e no grego popular, koiné, seu significado é semelhante ao da palavra epistéme.

em filosofia, epistéme significa "conhecimento científico" em oposição a "opinião", enquanto gnôsis significa conhecimento em oposição a "ignorância", chamada de ágnoia.

a gnose é um conhecimento que brota do coração de forma misteriosa e intuitiva. é a busca do conhecimento, não o conhecimento intelectual, mas aquele conhecimento que dá sentido à vida humana, que a torna plena de significado porque permite o encontro do homem com sua essência.

mais sobre teologia gnóstica.l

Posted by pparafusos at 3:12 PM | Comments (0)
março 9, 2005

capivaras de são lourenço

capivara12.jpg
na passarela com inhambus cantando para ela


quando postei esta capivara no fotolog lembrei de um pecado, o único momento em que prevariquei em jornal.

porque um fato me remeteu a outro, explico: a capivara surgiu na lagoa. foi uma febre. a cora ronai> tornou-se sua protetora e registrava em cliques sua aparição.

o senhor das bandagens, a múmia que um vento traiçoeiro pode transformar em pó, criou o capipress em sua homenagem, da capivara.

mas levaram a capivara . criaram uma comunidade no orkut: "devolvam a capivara da lagoa" e, sem mais nem menos olha uma capivara no parque das águas de são lourenço, minas gerais. eu que moro aqui soube delas no internETC pois uma turista as havia fotografado. fiz mil cliques a resolvi conseguir um casal de capivaras para o laguinho cá de casa.

bem, o outro fato. plena ditadura. faltavam notícias. não. elas não faltavam.nós não podíamos publicar nada, ou muito pouco. fazer pauta era um tormento. o chefe da redação, joão luiz faria netto precisou viajar. eu estava na pauta. passava um circo em niterói, com vários animais e um leão marinho. sem qualquer remorso, pois o tal leão fugira mesmo, eu o fazia parecer em várias praias de nosso litoral. e suitávamos dia após dia.

atração total. habíamos notícia! por fim, depois de assustar o litoral inteiro consegui que o pessoal do bureau da baixada fluminense pudesse brincar com o leão marinho. e ele surgiu apoteótico até no rio paraíba do sul! mas eis que retorna jõao luiz, hoje no connar. E

chega a bronca. eu mesma havia feito uma matéria sobre a universidade do mar, em cabo frio. por lá encosta uma corrente ascendente que vem da patagônia (por isto o nome cabo frio) muito gelada e própria para desenvolvimento de planctons, bentos, e o que mais caiba.

a ordem de acabar com a brincadeira foi cumprida: coloquei o leão marinho nesta corrente, nadando contra ela, na contra-mão zarpando direto para a patagônia.

enquanto isto, mario dias, repórter de polícia do jb e de o dia criava uma loura que assustava no cemitério do maruí em são gonçalo e um papagaio falante, única testemunha de um crime, que o repórter guardava à sete chaves. até que o papagaio foi intimado para depor e com o choque faleceu.

luta inglória para preencher as páginas dos jornais que normalmente saíam em branco ou com receitas culinárias.

Posted by pparafusos at 1:41 PM | Comments (2)
março 8, 2005

ei tia, chega pra lá!

mulher.jpg


na verdade, na verdade, talvez tenha sido uma enorme besteira. como considerar-se liberta, independente neste mundo em que todos somos escravos?

o que as mulheres ganharam? mais responsabilidades, trabalhar para ajudar no sustento da casa, apesar de ganhar menos do que um homem na mesma função. voltar para casa e cuidar dos filhos, da empregada (quando tem. ou fazer a comida de hoje e a de amanhã, passar a roupa e lavar, encerar a casa), zelar pelo marido, prover de alimentos a geladeira, resolver problemas de escola, ensinar o dever para a criança, e depois disto tudo ser amante, cúmplice, companheira, manter o bom humor e nunca reclamar das atribulações do dia.

ah! ela pode assistir ao "monólogo da vagina", votar e ser votada e .... e...... mas perdeu as capas estiradas sobre a chuva, o lugar sentada no ônibus, mesmo carregada de compras, a preferência. hoje como todos, menos ainda pois por todos não é respeitada é só uma mulher, que se fosse mundo seria catalogada como de quarta qualidade.

ei tia!.. que droga, mulher no volante... sabia... só podia ser mulher...

na próxima vida, se é verdade o que dizem, quero ser pássaro, peixe, cachorro, gato, cavalo. pelo menos não terei ilusões de que sou humana e como tal ocupo o topo da escala evolucionista de onde depredo o planeta.

no entanto quero guardar em mim a lembrança de que liberdade das campinas e das pradarias é simples geografia e dialética histórica. também filme de holywood dirigido por jonh ford

Posted by pparafusos at 7:38 PM | Comments (2)
março 7, 2005

autoentrevista autorizada com matusalém



matuscamon


tem anos que peço a esta excriatura uma entrevista. e ele faz-se de mouca, muda, sorri entre as bandagens . o matusalém.

agora copiei e pastei uma autoentrevista autorizada desta atual pessoa que preferiu ficar com o autofuro de reportagem. na minha vida de repórter só duas pessoas refugaram. drumonnd o poeta, e a múmia matusca. ah! esqueci que tem também um arcebispo na história, na época dos protestos contra a missa deixar de ser rezada em latim.

taí. nosso passado e nosso futuro no corpo e verbo da múmia. além de verve.


Entrevista com o Matusca

Nome?
Matusalém Matusca.
Apelido?
Matu, Canalha, Tutusa, Múmia, Seu coisa, Matusquelo e por aí vai...
E Matusquinha?
O pessoal confunde. Acho que é igual cachorro, depois de muito tempo o dono fica com o focinho do animal e o animal fica com o focinho do outro. Mas ele é só a minha caveirinha de estimação.
Data de falecimento?
24 de outubro de 1090 a.C. O "Ano da Hiena"
Cor da pele?
Cinza-grafite.
Cabelos?
Cinza vela-aton.
Olhos?
Castanho vidrotil.
Dentifrício?
Dez gotas de água sanitária no copo... hunfhunfhunf.
Do que o senhor está rindo?
Não estou rindo... escorregou.
Sabonete?
Aspirador Arno.
Xampu?
Tsc.. tsc... tsc...
Perfume?
Áspide de Cleópatra VII.
Desodorante?
Sério? Leite Antefélico.
Onde compra roupas?
Droga Raia.
Qual?
Aquela comprida que parece um travesti.
O que escolhe?
Ataduras Corpetex e Emplastro Sabiá.
Sapatos?
Esparadrapo. E pra sair, pé-de-pato.
É mais confortável?
Não. É que evita que eu arraste os pés quando ando.
Lugar preferido?
Vale dos Reis.
Lugar que não vai de jeito nenhum?
Purgatório.
Quantas odaliscas?
Não falo da minha intimidade.
Acredita em fada?
Ó!
O que prefere comer?
Ó!
Sério!
Ver de terre à la sauce de sable doux
Pode traduzir?
Mais ou menos: Miojo ao molho de areia doce.
O que não come de jeito nenhum?
Cueca e caviar Verruga.
Não seria Belluga?
É verruga mesmo. Uma receita que a rainha dos emergentes da Barra prepara com sagu.
O que não pode faltar na geladeira?
Miolos.
O senhor gosta muito?
Não! É que guardo o cérebro sempre que não estou usando, como agora.
Melhor brasileiro?
Santos Dumont.
Pior brasileiro?
Deus.
Político?
Severino Araújo e sua orquestra.
Maior bronca?
O tal do políticamente correto, que transforma um anão simpático em prejudicado vertical.
Livro?
Livro dos Mortos.
É bom?
Ótimo! Principalmente para quem vai ter o coração pesado por Anúbis.
Não entendi!
Então vá ler o Paul Rabbit.
Tem alguma coisa contra os livros dele?
Negativo! Só acho o cara muito egoísta.
Egoísta!?
É o único brasileiro que sabe fazer chover e nem liga para o sofrimento do povo do nordeste.
Mas ele é um escritor...
É, mas bem que podia passar uma temporada no semi-árido, fazer chover, e aproveitar para escrever um novo romance: "Lendo Euclides da Cunha Sentei num Cacto e Chorei"
Filme?
A Múmia, com Boris Karloff, e outros bem românticos.
Disco?
Solar, de Rá. Por favor, não confunda com o Rá da Baby Coisa.
Cantores?
Uirapuru, Sabiá e Caga-Sebo.
Caga-Sebo canta?
Não, mas é imitado por todos os cantores de axé. Um pio, um pulo... um pio, um pulo...
Ator?
O Monstro da Lagoa Negra.
Atriz?
Maria Rita
Animal de Estimação?
Já falei, o Matusquinha... e os escaravelhos, claro!
E o Fominha?
Aquele cachorro empalhado mijão é mascote do Matusquinha.
Já viu disco voador?
Já! E com gente em pé de tão lotado: Elba Ramalho, Baby Coisa, Caetano Veloso, Tarciso Meira, e outros menos voados. Elza Soares pilotava. O troço sacudia pra lá e pra cá assustado com tanto ET.
E o tal do Thomas Green Norton?
Ele construiu, usando o terceiro olho como chave-de-fenda.
Já viu algum gnomo?
Tirando um anão orelhudo aqui do condomínio, nunca vi. Bom, a Xoxa tinha um de estimação mas dizem que era fêmea.
Um poema.
Ser poeta de privada
É coisa de gente lerda
Procurar inspiração
No meio de tanta merda!
Frase Preferida?
Pode ser um texto que consegui juntando respostas das provas do ENEM?
Pode.
"O serumano no mesmo tempo que contrói também destói, pois nois temos que nos unir para realizar parcerias. Vamos mostrar que somos semelhantes iguais. Vamos deixar de sermos egoístas e pensarmos um pouco mais em nós. No paiz enque vivemos, os problemas cerrevelam. Nos dias de hoje a educação está muito precoce. Na televisão o governo vem com aquela prosopopéia flácida. Porisso eu luto para atingir os meus obstáculos.
Dá o que pensar.
Ô!
Seu nariz está descascando ou é impressão minha?
É que eu tô resfriado e a atadura escorrega pra boca.
Obrigado, senhor Matusca!
De nada, queri... me diz uma coisa: você é homem ou mulher?
Homem.
Então tá! Dá pra sair do meu colo?

fim

na realidade bem que entendo. ele tem preconceito com letra minúscula, que é como escrevo. mas ficou boa a autentrevista, viu matusca? tá perdoado.

Posted by pparafusos at 12:55 PM | Comments (11)

sei lá, não sei não...

na europa ou no brasil, ei a questão?

era uma vez, nos tempos hodiernos, uma batata indecisa que em determinadas situações supunha ser pato -onde se viu uma batata, tubérculo puro, acreditar ser pato? ave anseriforme, anatídea ou iguaria?-

na maoiria das vezes quando estava lá desejava voltar para cá. mas quando cá chegava (cacófato puro) desejava estar lá. era o cúmulo de sua crise existensial (eu sei que é com c ô meu, é que tô me preparando para ser política ou líder sindical). causou um racha no movimento das batatas unidas e dos patos venceremos.

e assim, de seis em seis meses fazia de sua vida aungústia por lá e cá e por cá e lá. até que, finalmente, sentado no vaso sanitário entalou e de lá não mais saiu com seus gambitos de azeitona. careca, angustiado e mal dormido, aqui.

pegou o hábito de pendular de uma lado para outro quando ficava em pé e de brincar com patinhos de borracha na banheira. às noites suspirava por uma saxofonista morena que lhe massajeo ( eu sei...) como um xuxu ( continuo sabendo....) e tem testemunhas! jody.jpg

perdido de amores na terra ignara desabafa nos traços com maestria. às veis ... sei lá.

é una batata patética. holla!

Posted by pparafusos at 11:43 AM | Comments (2)
março 6, 2005

cotidiano

caminho2.jpg


costurar a manhã na noite, entremear a tarde com fios de meio-dia é cestaria dos passos nos babados bêbados do cotidiano.

Posted by pparafusos at 1:45 PM | Comments (0)
março 5, 2005

podemos?

poderíamos fazer alguma coisa?

"vivemos em um mundo louco onde os
contrários se convertem continuamente
entre si, os pacifistas se descobrem
adorando hitler, os socialistas
tornam-se nacionalistas, os patriotas
colaboracionistas,os budistas oram pela
vitória do exército japonês, e a bolsa
sobe se os russos preparam a ofensiva".

george orwellL, set.1943

einsten disse que mais preocupante é quem assiste ao mal e não quem o faz. ou seja, o poder, as corporações que podem destruir o ser humano só o fazem porque assistimos anestesiados ao nosso fim.

johann strauss na ópera o morcergo ( die fledermaus) faz um personagem afirmar que feliz daquele que consegue esquecer o que não pode mudar.
.

duplipensar é um termo da novilíngua (newspeak): guerra é paz; liberdade é escravidão; ignorância é força;" uma rua ou estrada interrompida por uma placa: estamos trabalhando em seu benefício... duplipensar é a capacidade de armazenar duas crenças contraditórias simultaneamente e aceitar ambas."

a intenção da implantação do novo idioma, a novilíngua é reduzir o vocabulário ao extremo para diminuir a capacidade de pensamento, o que aumenta a vulnerabilidade: fim dos sinônimos, fusão de palavras como mixugo para amigo, naum para não etc...

1984 de george orwell, "é uma metáfora pessimista do pós-guerra para o futuro da humanidade dominado pelo totalitarismo. ... ".

metáfora?

Posted by pparafusos at 9:11 PM | Comments (0)
março 4, 2005

funcionário terá aumento


ENFIM, aumento para o funcionário público federal, severino também terá direito

pelado.gif

"Brasília, 28 de fevereiro de 2005 - O governo federal encaminhou ao Congresso Nacional no dia 25 de fevereiro texto do projeto de lei que propõe um reajuste geral de 0,1% para os servidores públicos federais dos três poderes para o ano de 2005, com efeitos financeiros a partir de 1º de janeiro deste ano, extensivo aos aposentados e pensionistas."

cumprido1.gif


fal, santa, você que tudo pode e inda recebe mil spans por conta minpresta seus carrinhos de mão quando eu receber o próximo salário para carregar este zero vírgula um porcentão? sabe porque? eles vão pagar a gente tudo de uma vez, sem parcelar como é o hábito antigo pois tem mais de 10 anos que a gente não vê reajuste salarial.

modess.gif


aproveita!!!!!!!!!!!!!!!
aproveite a felicidade pelo aumento e dê uma chegada aqui foco da fal porque está bom de parar de doer.

Posted by pparafusos at 9:54 AM | Comments (3)
março 1, 2005

dear ndugu,

você não sabe como é o pôr de sol por aqui. nem eu o sei por aí. mas este não saber não nos interrompe, pelo contrário; nos torna comunheiros. eu falo com você, como o smith, porque você não existe e a não existência, a ficção é mais real em nossas vidas surreais. ela nos referenda como vasos comunicantes.

acabei de vir do sítio
tsunamiquilt-site
da leda cruz.

não. lá não tem água, galinhas e o chão não é crivado de bombas. é um sítio virtual, imaginário mas real, nem sei se você entende o que falo. mas é alguma coisa assim; não é real porque não se toca, ou melhor, só é visto com os olhos não com os dedos. não é bem uma coisa que diz respeito a coisas. ou até é. mas não pertence a realeza. é deflacionado . creio que quando há este estado, de existir como faculdade, chamam de virtual. mas é um sítio muito
bonito e aprazível.

ah, aprazível quer dizer "o que apraz" que não vem do verbo aprazar. explico, ndugo, por que sei que você mal começa a aprender a ler. e não em português. mas isto não vem ao caso. pois o interesse de quem escreve está em dizer independendo se quem que o lê entende ou não.

antes, ndugu, passei por outro sítio
telling stories também da leda, moça de mãos bonitas, diáfanas como a juventude.


olhe aqui. veja se estas mão não combinam com ela? nem sei se são delas.mas invento que sim..

************************

ndugu, precisei sair para acompanhar a faxina que o romário está fazendo no jardim. se não ficar ao lado dele, já sabe, faz tudo errado. a mão de obra
por aqui é um caos mas ele trabalha cá em casa há mais de cinco anos. já
me acostumei com suas tonterias.

e depois, eu planto muita coisa junta. aqui em casa parece a floresta
amazônica que vem do grego amazónikos. bonito .não?
e as plantas mal podem respirar. não cortei nada. tirei folhas velhas e só.

não disse? romário acabou de arrancar uma samambaia.
amanhã eu converso mais com você ndugu, esta conversa de mão única. mas sabe? quem escreve vive a falar com seus botões.

romario-e-a-samambaia.jpg

bem, até amanhã e preste atenção nas letras pois elas são o elo entre os humanos. esta carta sim , segue interrompida.
carta-para-ndugu.jpg

Posted by pparafusos at 11:42 AM | Comments (0)