junho 30, 2005

água


a guerra pela água

o contrato da superágua para exploração de águas no parque das águas de caxambu terminou faz tempo. foi aberta licitação e concorria também um senhor de barretos que dizem seria representante ou testa de ferro do newton cardoso . lembram?

bem, o tal senhor perdeu a licitação. itamar franco cancelou o contrato da empresa que vencera. a superágua continuou explorando a água de caxambu através de liminares. mas nada mais fez além de explorar. nem um prego numa régua de cerca pregava. e nesta onda de mensalão, acordos com o pmdb , na semana passada a empresa perdeu a última liminar.
na segunda-feira, ante-ontem, fechou as portas e deixou os empregados na rua. sai de lá apenas a água estocada.

quando voltará ao normal? ninguém sabe. o problema afeta também outras estâncias hidro-minerais da região, como lambari, cambuquira, etc.... outra licitação terá de ser feita. mas todos estão atentos, dizem, e normas rígidas para exploração da água serão elaboradas informa o governo do estado.

enquanto isto, ah, enquanto isto, o baixo astral da cidade cresce assustadoramente e ouve-se em grupos de conversa que o preço para ser caxambuense é maior do que o pago para ser brasileiro. sei lá.... uma carroça está atrelada a outra portanto os riscos e as calamidades são iguais. é esta névoa de luto sobre o brasil que nos sufoca, é não ver luz no final do túnel é o excesso de clichês que uso, são as metáforas tão de agrado do presidente operário que enfiou um prego enferrujado numa caldeira de vapor. pode ser tudo isto e mais aquilo. mas que é um acúmulo de desengano, é ... e também isto: muda a concessão de águas minerais . como o tisunami do pacífic, todos na cúpula do poder ( redundância, pois só o poder tem cúpula) sabiam que iria acontecer, menos a população. mas , cá entre nós, responda? para que serve um povo?

há alguns meses falei aqui no porcas sobre a venda da supergrasbrás para a SHV que pretende a liderança no mercado de glp. ora, a superágua era uma das empresas da supergasbrás. ela não entrou na venda, mas o risco de sua paralisação era iminente. há muitos interesses em jogo. e hoje, o do psdb . na época deste tucanato na presid6encia do brasil o subsolo foi internacinalizado.

lembro o senador lucio bittencourt que conseguiu com uma emenda, dentre as 150 apresentadas ao projeto de criação da petrobrás, a nacionalização do subsolo e sua inviolabilidade por empresas internacionais. hoje , hoje o país foi vendido e continua sendo concedido como colcha de retalhos por tutaméias. a criação da petrobrás.

Posted by pparafusos at 7:51 PM | Comments (275)

google vídeo


google deseja ser central de video na Internet

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(29/06/2005 13:58 EST): Google podría convertirse en el mayor distribuidor de vídeo en línea. Esta semana, la compañía lanzó su servicio Google Video.

DIARIO TI: Google ha ampliado la funcionalidad de su servicio de búsqueda de video, haciendo posible para los usuarios de Internet publicar sus propias filmaciones. Otra novedad es la posibilidad de reproducir la secuencias de video en los resultados de las búsquedas.

Para poder visualizar la secuencias de video encontradas es preciso instalar Google Video Viewer, una aplicación propia que por ahora tiene soporte de Internet Explorer y Firefox para la plataforma Windows.

Según se ha informado anteriormente, Google está desarrollando un sistema de pagos para contenidos en línea. A mediano o largo plazo, la compañía probablemente abrirá la posibilidad de que proveedores de contenidos puedan cobrar por sus producciones de video publicadas en Internet.


sobre o google vídeo

Posted by pparafusos at 2:56 PM | Comments (0)

alguns poemas

li , hoje que realmente vi a extensão desta publicação. menina!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Posted by pparafusos at 2:12 PM | Comments (2)

ilhada em casa


moro num condomínio rural em caxambu. ligado ao continente por uma ponte sobre o ribeirão do glória, que podemos também chamar de istmo. como todo condomínio este também tem um síndico.

hoje ninguém pode sair de casa. e precisava de manhã ir para conceição do rio verde. sem aviso fazem obras na ponte. não em uma parte, para que se poossa passar e depois em outra. não, na ponte inteira. e estamos aqui todos ilhados em casa. se alguém passar mal pode se preparar para o pior.

reclamar? eles consideram intervenção demasiada de quem é condômino, proprietário e tem suas cotas pagas em dia. o que é isto? desmando, prepotência e o que mais pudermos adjetivar. aqui há um síndico que não responde por nada e uma sub-síndica filha de um senhor que veio do rio e faz parte do conselho fiscal . é este senhor quem dá as ordens. quem os paga que se dane!

Posted by pparafusos at 2:04 PM | Comments (1)
junho 29, 2005

a epopéia do cb

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condomínio brasil, uma quase epopéia


até hoje, e o porcas e parafusos tem uns três anos, portando há três anos e meio estou na rede, ainda não me desenganara com as pessoas com que convivo no mundo virtual. umas conheci pessoalmente; com outras partilhamos gentilezas que vão além da cortesia formal, são atitudes afetivas de amizade.

em muitos momentos e com vários amigos virtuais sinto-me, mesmo sendo mais idosa do que eles, como se tivéssemos uma infância em comum. há algumas semanas atrás conheci cora ronai. assim, num de repente. eita ser humano bonito! natural, sentimento puro. noutro dia foi suely, a filha e roberto, e a amizade parecia antiga. compartíamos as mesmas ânsias . nestas conversas que mantenho no blog aprendo com meus amigos e combinamos uma verdade que a helô enfatiza: parece que nos aproximamnos de pessoas afins. e assim tem sido.

com uns amigos, todos virtuais, com excessão do servio tulio que dirigia a programação da radio mec fm e resolveu ser mais feliz produzindo apenas programas e tocando seus grupos e música, um de cabaré, e outros pop/rock (se estou errada, corrija servio, por favor) e dizendo pedro e o lobo de prokofieff com a orquestra sinfônica, pois trabalhamos juntos durante alguns anos, mas descobrimos que andávamos unidos durante todas as vidas, resolvemos fazer o cb ou seja o condomínio brasil. o nome é um reportar aos nossos blogs amigos e camaradas mantidos por administradores movidos por encantamento: os blogs brasis. nele trataríamos o que a grande mídia esconde ou ignora seguindo o fio da história oral.

por exemplo: josé dirceu saiu da casa civil. isto só seria notícia se o homem do povo se preocupasse com este fato, se isto significasse mais ou menos comida em sua mesa. o mensalão só teria sentido se o povo reclamasse que era seu dinheiro que estava sendo gasto com rapinagens em vez de ser usado para coisas úteis como educação, saúde, alimentação. por aí. enfim a visão dos fatos da história em vez de ser apresentada pela visão oficial teria a humanidade de quem sente as agruras na carne, o prejuízo no bolso, o desfalque em sua cidadania.

há quase dois meses estamos pelejando com o condomínio brasil, ou o cb. e nada acontece. já perdemos matérias, mesmo trabalhando com o atemporal, já perdemos até a paciência. pois foi este o momento em que tropecei. entreguei o condomínio brasil para ser hospedado e feito em quem não devia confiar. errei no julgamento. acreditei séria uma pessoa que não o foi comigo e com nossa equipe. ainda bem que existem amigos para nos tirar de apuros. e estes amigos, como a li , o http://www.hipermail.com/blog/ fábio, além de muitos outros que torcem e ajudam a viabilizar uma idéia.

muito bem. o cb já era para ter iniciado suas atividades. não começou. mas ainda está vivo e em boas mãos. nos aguardem , por favor.

Posted by pparafusos at 6:33 PM | Comments (4)
junho 28, 2005

recado para nana

recado para nana do coisas de nana


tarantino, bertolucci, kubrick, alan parker, muita coisa em comum, nana. sugestão: ler a sombra do vento, de carlos ruiz safón e contos de maria lucia medeiros, em por exemplo "velas para quem". foi a lyl quem me indicou. uma professora universitária do pará que encontrei no orkut quando ela fazia a tese de mestrado sobre o age de carvalho.


quer dizer então que você morou em são lourenço? mudei de niterói para lá em 93 e até então moro no sul de minas. para caxambu mudei em 95, moro numa chácara num condomínio rural, onde construí uma casa. deixa te explicar sobre as águas. não sei se você tem acompanhado as denúncias que aqui faço . a nestlé comprou e perrier que explorava o parque das águas de são lourenço. desde então o parque foi minguando e as fontes secaram. lembra da água magnesiana? uma delícia, não? não existe mais.

a nestlé cavou um poço com mais de 150 metros de profundidade e acabou com as águas. por que? ora, a região é vulcânica, em cada canto uma propriedade medicinal nas pedras, e a água da chuva se acumula nos poros, nos interstícios das mesmas. com a exploração desenfreada não há tempo para a natureza , ou seja a precipitação pluviométrica, repor esta água. resultado, as fontes secaram. a magnesiana foi explorada da seguinte maneira: eles retiravam o lítio, o magnésio, o escambau da água, e produziam a pure life.

dizem eles que não vendiam a magnésia nem o lítio. vá acreditar! então, porque desmineralizar a água e depois mineralizar artificialmente e colocar o gás? vá entender!!!! hoje se duas fonte pingam água la no parque de são lourenço que mudou de nome, não é mais parque das águas e sim "da melhor qualidade de vida" é muito. ontem ouvi que a nestlé francesa estava aborrecida com a gestão brasileira do parque e resolveu ajudar a prefeitura de são lourenço. sei lá.... sabe cidade do interior? você sabe, já morou por aqui, é um diz que diz de doer. e depois , que adianta se arrepender agora, nana?

sobre a água de caxambu, de que fala ana laura diniz em seu comentário, que tranformei em post, ela explicou no texto que comprou em supermercado de são paulo . hoje não soube de mais nada pois passei o dia em são lourenço. cortei cabelo, fui ao banco, conversei com juliana a gerente, a gente cria vínculos afetivos até com o pessoal do banco! passei na livraria e namorei uns livros. sabe como é, né?

morei na rua batista luzardo. lembra onde é? está no mesmo lugar. sabe, nana, creio que temos em comum também a ciganagem, isto de não parar em lugar algum por muito tempo. nem em niterói, minha terra, morei tanto tempo quanto aqui no sul de minas. e lá se vão 12 anos....

Posted by pparafusos at 8:28 PM | Comments (0)

sobre águas e comentários valiosos


"água de beber camará"....


sobre o assunto abaixo, água de caxambu, trago do comments de porca e parafuso esta avaliação da jornalista ana laura diniz. podemos debater aqui um pouco de brasil ou, em breve, no condomínio brasil que a ana laura dirige também. obrigada, ana, por enriquecer com seu comentário o post.


"Água de beber, Água de beber camará". Por essa nem Jobim, nem Vinícius, nem eu podia esperar. Coisa louca! Onde já se viu Caxambu sem "sua" água?
Hoje mesmo fui ao supermercado e comprei uma garrafa. Entre tantas marcas, a "Caxambu" foi para o carrinho. Penso: Caxambu - de São Paulo para o mundo! Que nada. Nada mais se salva... e que venha a Nestlé! E a cara do Brasil fica lotado de tatuagens e piercings multinacionais.

Ai, ai.
Retrocesso. Década de 90. A globalização provocou a invasão de multinacionais em todos os países considerados emergentes. Muda drasticamente o conceito de competitividade em vários setores até então dominados por empresas nacionais.
Com raras exceções, ocorreu no Brasil uma avalanche de desnacionalizações com a transferência do controle acionário de empresas como Varga (vendida pra americana TRW), Metal Leve, etc. O setor de bebidas, alimentos e fumo liderou o ranking de investimentos estrangeiros a partir dali. Em uma análise geral, muitas empresas nacionais "viram cara da morte". Algumas conseguiram enfrentar os gigantes, outras sucumbiram.

O questionamento que se apresenta é : Qual o fator crítico que impede as empresas nacionais não apenas defenderam o seu mercado doméstico mas passarem a se internacionalizar com êxito?
Especialistas apontam a todo instante: a internacionalizãção é tendência no mundo dos negócios. Por que então o Brasil apenas permite que as multinacionais entrem? Por que não arrisca a colocar a calça e subir a braguilha? Por que Caxambu fica de braços cruzados?
Tá, pequeno vai dizer: "não se bate um gigante enfrentando-o diretamente". Mas que se lance mão de outros artifícios. Que se descubra as fraquezas, vulnerabilidades das multinacionais. Elas existem e são diagnosticáveis porque muitas adotam posicionamentos estratégicos previsíveis e comuns. Elas tendem a dirigir-se a um dado segmento de mercado mais sensível às marcas globais, culturalmente mais " internacionalizado " e influenciável por "valores universais".

Ó, meu Brasil de todos os santos, crenças e valores!! A maior parte da produção brasileira é de água leve e macia. Nos quesitos básicos - ser inodora, insípida e incolor -, a água nacional está entre as melhores do mundo. Muitas estrangeiras são pesadas e razoavelmente salgadas.
...
É... mas eu sei. Enquanto o mercado interno não investir nele mesmo e alçar vôo, o brasileiro ali na esquina... Sim, o seu Francisco da padaria, o seu Joca da farmácia, a dona Cláudia da clínica de acupuntura permanecerá com a mentalidade de que tudo que vem de fora é melhor. Mesmo que seja um contrabando "made in paraguay" ou um carimbo escravagista "made in china".
A água Caxambu deixa de existir, e quem perde não é apenas a cidade. É o País afogado em dívida, escândalo, inflação, aflição e viadutos concorridos: já falta espaço para esticar papelão na rua e dormir.
E nessa lama, entre mensalões e tráfico de interesses, o Brasil mais importa água do que exporta. Mas sabe como é, né? "Glamour" faz parte. É sofisticado pedir água francesa (a Perrier lidera as importações em mais de 60%) ou italiana em um restaurante. E enquanto as multinacionais invadem... "mim vamos ficar" cada vez mais tupiniquim... Por aqui, nem água, nem esperança, nem alegria, nem sotaque... Por aqui nem a chuva é mais natural. É ácida, e corrói. Assim como a fome carcome as paredes internas do estômago. E quem liga para esses 10.300 desempregados??? Juntos, são do tamanho de uma pulga a fazer côro aos milhões já em desespero.

Posted by pparafusos at 12:57 PM | Comments (0)
junho 27, 2005

fechada para balanço


que tal fechar a cidade para balanço?


bem. a superágua fechou. assim como quem estala um dedo. fechou, demitiu todos os funcionários e nem deixou sair os caminhões que estavam carregados com água de caxambu. por que fechou? bem, há tempos que ela funcionava por liminar. perdeu a última. hoje fechou definitivamante as portas.150 desempregados diretamente e mais 150 indiretos.

a conversa corria no café do beto. expressões constrangidas. conversávamos sobre "o trágico destino de amelie poulan". o dono de uma firma que terceiriza serviços de segurança estava apreensivo. uma reunião com prefeito , funcionários demitidos e hoteleiros corre no hotel palace, ainda.

marcia bacco ao telefone: "esther são 150 desempregados a mais em cerca de 10 mil. portanto, 10.300 desempregados na cidade. realmente, a cidade está desamparada. o atual prefeito pegou um rabo de foguete que assusta. mas tem esta coisa de mineiro: tudo é muito devagar quando as ações precisam ser para ontem. falta a coragem para arriscar. sei, falta grana. mas arrisque. faça um contrato de risco com alguma empresa para desenvolver o turismo, injetar vida na cidade. divulgue a licitaçã para exploração da água na europa inteira , no mundo. mas arrisque!

as coisas pequenas em estado de aflição ficam medíocres . é preciso pensar grande. mas a prefeitura nem tem dinheiro para pagar a conta de telefone, caramba! não é o caso de além de perguntar como a cidade chegou a isto pegar um empréstimo no bid, com o governo federal, solicitar a um deputado ou a mais de um suas cotas de mensalão para ajudar uma cidade a se erguer, a pedir aos ministros que destinem alguma verba para cá?

sabe quanto se paga por uma garrafinha de água de caxambu aqui na cidade? mais de 1.50 reais. e a de são lourenço,que é totalmente artificial, quanto custa? : 0,90 centavos. e a de contendas. bem, o garrafão de 10 litros eu compro por 4 reais. a superágua já não administrava mais nada. e quem ganhará a licitação aqui, santo deus? a nestlé que faz pose de arrependida em são lourenço e pretende mudar a imagem da cidade e a sua própria?

ai deus meu! nhá chica, todos os santos! olhe por esta cidade erguida na cratera de um vulcão! ou será péssima idéia fechar a cidade um tempo para balanço? ou será que ela própria fecha as portas? sei lá.....

Posted by pparafusos at 7:41 PM | Comments (2)
junho 26, 2005

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naoenaoenaoser.jpg

Posted by pparafusos at 5:56 PM | Comments (1)

ektoplasma

ektoplasma em estréia

veja aqui a estréia da ORQUESTRA EKTOPLASMA, ontem. ela é formada por Servio Tulio (vocal), Roberto de Gasperis (baixo) e Brian Higgin (máquinas e guitarra). o vídeo foi feito pelo pato... ops!! sóter frança do batatada patética. cantam ave maria de gounod.

Posted by pparafusos at 5:31 PM | Comments (1)
junho 25, 2005

desabitado rito

me remeta ao círculo que a gertrude stein consegue fazer com o dela; uma rosa- : "A rose is a rose is a rose is a rose" e forma as pétalas e as conforma no movimento de repetição. a gertrude, em minha invenção, é circunflexa no sentido em que o ângulo do cone ( do acento) é uma possibilidade e a abertura ( do mesmo) um olhar de imaginação sobre a letra . mas apenas deliro.


seguem alguns links que ouso sugerir:


http://www.tanto.com.br/luizedmundoalves.htm

http://www.netmarkt.com.br/frases/poesia.html


me remeta a mim.


desabitado rio


e vou ao estuário

este desabitado rito


onde o rio expressa mar


há de se beber

neste ponto


até que não mais reste saliva


e ser monção de onda


na areia

decerto

lí­quida para o embate


com a pedra

Posted by pparafusos at 12:57 PM | Comments (0)
junho 24, 2005

e não é que é?

obrigado, idebel avelar

"Desconstruir é aprender que lei e justiça não são sinônimos, que esta tem sempre o caráter de promessa aberta. Não se realizará nunca, mas se você perdê-la de vista enquanto horizonte, perdeu-se tudo, não há lei que resolva. A desconstrução é a tentativa mais radical de pensar essas noções tão complexas: perdão, hospitalidade, justiça.

Daí as várias fórmulas paradoxais de Derrida: só se perdoa o imperdoável; só se decide o indecidível. Se uma decisão for absolutamente lógica, racional e dedutível de regras pré-estabelecidas, bem, não houve decisão nenhuma, só uma aplicação de princípios já dados, não é mesmo? A decisão verdadeira só ocorre quando você se enfrenta com o inteiramente cabeludo, com o indecidível."

copiado de o biscoito fino e a massa

Posted by pparafusos at 11:17 PM | Comments (1)
junho 23, 2005

carta ao povo brasileiro

recebi de fonte segura e repasso.


CARTA AO POVO BRASILEIRO

Contra a desestabilização política do governo e contra a corrupção, por mudanças na política econômica, pela prioridade nos direitos sociais e por reformas políticas democráticas


A sociedade brasileira mudou e, na Constituinte de 1988, decidiu por mudanças.
Constituiu novos poderes e elegeu novos governantes, para promover processos de transformação social. Criou novas estruturas, combateu velhas instituições e gerou novos mecanismos para fazer valer os direitos de todas e cada uma das pessoas a uma vida digna.

Com a força desta história recente, mas vigorosa, de fortalecimento e radicalização da democracia em nosso país que nós, representantes das organizações populares, das organizações não governamentais, do movimento sindical, dos movimentos sociais e personalidades, convocamos toda a sociedade brasileira, cada cidadão e cada cidadã, para uma grande e contínua mobilização que torne possível enfrentar a crise política e fazer prevalecer os princípios democráticos.

Nas últimas eleições, com a esperança de realizar mudanças na política neoliberal que vinha sendo praticada desde 1990, o povo brasileiro elegeu o Presidente Lula. Até este momento, avaliamos que pouca coisa mudou e presenciamos um mandato cheio de contradições. De um lado, o governo seguiu com uma política econômica neoliberal, resultado de suas alianças conservadoras. De outro, adotou um discurso da prioridade social e uma política externa soberana e de aliança com as nações em desenvolvimento. A eleição do Lula reacendeu as esperanças na América Latina, e influiu de forma positiva em alguns conflitos políticos na região.

De olho nas eleições de 2006, as elites iniciaram, através dos meios de comunicação uma campanha para desmoralizar o governo e o Presidente Lula, visando enfraquecê-lo, para derrubá-lo ou obrigá-lo a aprofundar a atual política econômica e as reformas neoliberais, atendendo aos interesses do capital internacional.

Preocupados com o processo democrático e também com as denúncias de corrupção que deixaram o povo perplexo, vimos a público dizer que somos contra qualquer tentativa de desestabilização do governo legitimamente eleito, patrocinada pelos setores conservadores e antidemocráticos.

Exigimos completa e rigorosa investigação das denúncias de corrupção, feitas ao Congresso Nacional e à imprensa, e punição dos responsáveis.
Sabemos que a corrupção tem sido, lamentavelmente, o método tradicional usado pelas elites para governarem o país.
Exigimos também a investigação das denúncias de corrupção, por ocasião da votação da emenda constitucional que aprovou a reeleição e dos processos de privatização das estatais ocorridas no governo de Fernando Henrique Cardoso.
Trata-se, portanto, de fundamentar a vida política em princípios éticos como a separação entre interesses privados e interesses públicos, de transparência nos processos decisórios e a promoção da justiça social.

Diante da atual crise, o governo Lula terá a opção de retomar o projeto pelo qual foi eleito, e que mobilizou a esperança de milhões de brasileiros e brasileiras. Projeto este que tem como base a transformação da sociedade e do Estado brasileiros, uma sociedade dividida entre os que tudo podem e tudo têm e aqueles que nada podem e nada têm.

Por isso, vimos a público defender, e propor ao governo Lula, ao Congresso Nacional e a sociedade civil, as seguintes medidas:

1 - Realizar e apoiar uma ampla investigação de todas as denúncias de corrupção que estão sendo analisadas no Congresso Nacional e punir os responsáveis .

2 - Excluir do governo federal setores conservadores que querem apenas manter privilégios, afastar autoridades sobre as quais paira qualquer suspeição e recompor sua base de apoio, reconstruindo uma nova maioria política e social em torno de uma plataforma anti-neoliberal.

3 - Realizar mudanças na política econômica no sentido de priorizar as necessidades do povo e construir um novo modelo de desenvolvimento.
A sociedade não suporta mais tamanhas taxas de juros, as mais altas do mundo, sob o pretexto de combater a inflação.
A sociedade não sustenta a manutenção de um superávit primário, que apenas engorda os bancos.
Os recursos públicos têm de ser investidos, prioritariamente, na garantia dos direitos constitucionais, entre eles, emprego, salário-mínimo digno, saúde, educação, moradia, reforma agrária, meio ambiente, demarcação das terras indígenas e quilombolas.

4 - Realizar, a partir do debate com a sociedade, uma ampla reforma política democrática.
Uma reforma que fortaleça a democracia e dê ampla transparência ao funcionamento dos partidos políticos e aos processos decisórios.
Por isso, somos favoráveis à fidelidade partidária, ao financiamento público exclusivo das campanhas, à exclusão das cláusulas de barreira, e à apresentação de candidaturas em listas fechadas com alternância de gênero e etnia, obedecendo critérios de representação política pluriétnica e multiracial.
Queremos também a imediata regulamentação dos processos de democracia direta, que implica o exercício do poder popular mediante plebiscitos e referendos, conforme proposta apresentada pela CNBB e a OAB ao Congresso Nacional.

5 - Fortalecer os espaços de participação social na administração pública e criar novos espaços nas empresas estatais e de economia mista, viabilizando o controle social e real compartilhamento do poder.

6 - Fortalecer as iniciativas locais em favor da cidadania e da participação e da educação popular, como por exemplo os comitês pela ética na política, conselhos de controle social, escolas de formação política.

7 - Enfrentar o monopólio dos meios de comunicação, garantindo sua democratização, inclusive através do fortalecimento das redes públicas e comunitárias.


Neste momento de mobilização, conclamamos as forças democráticas e populares a se mobilizarem para realizar manifestações de rua e protestos, e trabalhar para promover as verdadeiras mudanças que o país e o povo precisa.

Brasília, 21 de junho de 2005.
Atenciosamente

Seguem-se entidades e movimentos da sociedade e da CMS (Coordenação dos Movimentos Sociais)

CUT - Central Única dos Trabalhadores
MST - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
CMP - Coordenação dos Movimentos Populares
UNE - União Nacional de Estudantes
ABI - Associação Brasileira de Imprensa
ABONG - Associação Brasileira de ONG
INESC - Instituto de Estudos SocioEconômicos
CNBB/PS - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil / Pastorais Sociais
P.O Nacional - Pastoral Operária Nacional
Grito dos Excluídos
Marcha Mundial de Mulheres
UBM - União Brasileira de Mulheres
UBES - União Brasileira de Estudantes Secundários
CONEN - Coordenação Nacional de Entidades Negras
JOC - Juventude Operária Cristã
MTD - Movimento dos Trabalhadores Desempregados
MTST - Movimento dos Trabalhadores Sem Teto
CONTEE - Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimento de Ensino
CNTE - Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação Federação Nacional dos
Advogados

CONAM - Confederação Nacional de Associações de Moradores
UNMP - Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e pela Vida
CEBRAPAZ
ABRAÇO - Associação Brasileira de Rádios Comunitárias
CIMI - Conselho Indigenista Missionário
CPT - Comissão Pastoral da Terra
FENAC - Federação Nacional das Associações
AMB - Articulação de mulheres brasileiras
CFEMEA - Centro Feminista de Estudos e Assessoria
IBRADES - Instituto Brasileiro de Desenvolvimento
EDUCAFRO - Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes
MSU - Movimento dos Sem Universidade
CONIC - Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil
ANPG - Associação Nacional dos Pós Graduandos
CSC - Corrente Sindical Classista
MPA - Movimento dos Pequenos Agricultores
IBASE - Instituto Brasileiro de Analises Sociais e Econômicas
Federação Nacional dos Economistas
Sindicato dos economistas do DF
Conselho Nacional de Iyalorixás e Ekedes Negras
CBJP - Comissão Brasileira Justiça e Paz
Campanha Jubileu Brasil contra as dívidas e contra a Alca

se o povo desejar assinar é só copiar, colar e enviar por email ou colar no blog, como fiz.

1- esther maria duarte lucio bittencourt- http://porcaseparafusos.blogbrasil.com e http://porcaeparafuso.blogspot.com.

Posted by pparafusos at 8:55 PM | Comments (1)

luto nacional


dia de luto nacional .que pena: é todos os dias.

veja em mídia independente onde vez em quando também colaboro.

Posted by pparafusos at 2:24 PM | Comments (1)

colcha de retalhos


amigos me internem, por favor, envolta em 10 camisas de força porque creio que somente eu vejo o golpe que se abate sobre a nação, forças reunidas para derrubar um governo legitimamente eleito pelo povo. desde a eleição desencantei do pt porque ele falhou com suas convicções partidárias e pelas quais foi eleito. mas neste momento de golpe defendo o governo de lula. muito pior aconteceu no governo de fhc que saiu impune porque soube controlar os militares e suas eternas insatisfações. não defendo a impunidade e sequer o roubo às nossas bolsas. não sou masoquista. mas vamos e podemos estabelecer um rumo coerente para o que acontece pelo menos para nós, individualmente.

morava em porto alegre, na praça anita garibaldi onde desemboca a rua da praia, quando aconteceu o golpe de 64. o mesmo silêncio , a mesma tropa de choque que são as mulheres de militares a chorar o soldo baixo, porque não sei se perceberam mas as primeiras a ir para as ruas são as mulheres dos militares. ao lado de meu apartamento morava um casal de militares e só os via de relance, vagamente, no fechar de uma porta. nunca ao abrir. éramos vizinhos de porta! o ar que se repirava neste andar era pesado, o silêncio absoluto e o frio intenso. quando do golpe eles sumiram. nunca soube quem seriam.

hoje vejo o mesmo silêncio pesado e pessoas que se movem nas sombras do brasil. os militares reclamam de falta de reposição de peças para seus equipamentos e de soldos baixos, mas até o início desta semana os f 15 voavam rasteiros pelos céus de caxambu. saíam de agulhas negras, diz a população , para exercícios. os sempre brincalhões informavam que eles estavam atrás do et de varginha.

mas voltemos aos f 15. sabem quanto custa tirar um avião destes no chão? não sei dizer, mas garanto que é dinheiro paca gasto a cada sobrevôo. outros diziam ser mirages. como não conheço nem um nem outro digo sobre o ronco dos motores e o céu rasgado.

portanto fiquemos atentos não à voz rouca das ruas, mas ao silvo sussurrante da traição, pois o pt cai e sobe fhc que vendeu o brasil como colcha de retalhos.

quem não desejar ouvir o que ocorre pode usar uma tapa orelhas como neste flash abaixo, bonito e sugestivo que suely, a blogueira dos enta enviou por mail. valeu, sue.
drum machine

Posted by pparafusos at 2:03 PM | Comments (1)
junho 21, 2005

sonja faria rosa

conversa com sonja rosa, no cinema paradiso


não só falar sobre as voltas que o mundo dá mas lembrar, não é sonja? que de hemisfério para hemirfério ele gira diferente. nunca tinha pensado nisto. estava na janela de papo com sonja faria rosa, aprendendo um pouco da vida, ah! o que ela me ensinou? que não vi o filme "michel kohlhaas " do livro de henrich von kleist, lançado no brasil com o mesmo nome em 1975.

e sonja explica: do kleist! não , não lembro. depois pesquiso no google, que já foi mas não e mais e vejo que já lera do mesmo autor "a marquesa de o". o que me obriga a pensar. onde andava em 75? ah! anos difíceis no brasil. meu filho nascera em 74 e no ano seguinte andava eu na corda bamba vivendo de freelas para a revista do café. e ela diz que a lua em londres, quando crescente , fica com as pontas voltadas para a esquerda e que a água desce pelo ralo fazendo o círculo ao contrário. uma questão de hemisfério.

sonja, não me detivera a pensar sobre isto. acredita? ah, por que o filme ? falávamos de alguma coisa sobre a idade média e "michel kohlhaas" , diz ela: "nossa, esse filme é o que mais me dá idéia da idade média". sonja é amiga da helô. um dia i, ao falar de "boujour tristesse " aqui disse que ele fora estrelado por romy schneider. sonja corrigiu: jean seberg.

sonja é amiga de uma quase amiga, ainda falta conviver mais, de são lourenço, maria alice que conheci através da sônia, dona da livraria avalon - este conhecimento tem mais de 10 anos- e amiga da helô . as duas conhecem muita gente de quem sou próxima. as voltas do mundo.... estabelecemos laços virtuais. ela está vindo ao brasil em visita ah, o avô dela foi dono de um cinema e ela gosta como eu daquele filme "nunca te vi, sempre te amei"- " 84 charring cross road", com a anne bancrof. vamos ao papo?

esther diz:
me conte o que você faz aí?

Sonja diz:
bom eu trabalhava numa livraria e agora saí, te contei, por causas do acordo com a nestle. vc vende livro mas tem que empurrar chocolates junto. Isso pq a nestle queria cobrar uma dívida de um desses países do norte da áfrica (talvez a etiópia, nao me lembro mais)

e eles boicotaram a nestle e com isso as vendas de chocolates caíram. E essa cadeia de livros (a maior daqui) pressionava a gente para empurrar chocolates para os clientes. Bom eu não nasci para isso, ficava constrangida
esther diz:
pode dizer o nome da rede de livrarias?

Sonja diz:
e como comecaram a me pressionar muito eu eu saí, e como vou ao brasil logo logo, nao quero procurar nanda antes de ir, pq aqui quem procura acha rs...

esther diz:
diferente dqui

Sonja diz:
eles tem mais de 800 livrarias pelo país e vc não pode imaginar como vendem... igual bolo quente

esther diz:
sonja como você foi parar aí?
por que?
Sonja diz:
vc nem vai acreditar

esther diz:
eu creio em tudo. diga

Sonja diz:
Um dia eu estava vindo de JF com a minha irmã e falei para ela "já que vc nao tem filhos, pq nao vai para os Estados Unidos"
Mas eu fiquei com aquilo na cabeca e a noite do mesmo dia eu ja tinha pensado por que não vou eu?
Do pensamento a vinda passaram-se 6 meses.

esther diz:
e não tinha filhos..
.
Sonja diz:
Com 4 filhos, como eu viria? Bom, eu resolvi que se eu podia sustentar os filhos os pais (2) tb podiam e eles aceitaram de ficar com eles.

Sonja diz:
O Afonso, um amigo meu e da Heloisa (ele é professor na UFJF) me disse pq vc não vai para a Austrália?

E pra Austrália eu ia. Mas na hora de comprar a passagem era muito caro e ele sugeriu, vá para Londres.
Bom ele viria comigo para passear e eu iria ficar, mas na ultima hora teve um Globo Repórter sobre o frio na Europa e ele desistiu

Sonja diz:
Eu fui para Madrid com o Arlindo Daibert (que era um artista plastico de JF) e passei 3 dias em madrid, mas ele ia fazer uma exposição em Barcelona e eu vim pra Londres sozinha

Sonja diz:
Sempre tive paixão pela História da inglaterra, mas quando cheguei aqui e não conheci ninguém, nada, nao sabia o que ia fazer, so tive vontade de chorar. Mas como tb nao conhecia ninguém e ninguém viria me consolar, fiquei.
E aqui estou . Nunca me arrependi.

esther diz:
está aí há quantos anos?

Sonja diz:
Tem uma cultura fantástica acessível a todos os bolsos...

Sonja diz:
Vim em 1987
fiquei 3 anos e voltei. Minha filha veio em 88 e está aqui até hoje. Depois no final de 93 voltei e continuo aqui.
esther diz:
é mais barata a vida cultural do que no brasil, além de mais intensa?

Sonja diz:
Sim, museu é de graca ao contrário de outros países da Europa, exceto galerias privadas

esther diz:
teatros, o preços dos llivros, cienemas...

Sonja diz:
No começo a gente tinha saudade de tudo, mas agora tem um brasil aqui na porta; vc compra de tudo do brasil

Sonja diz:
Se vc comparar com o Brasil é muito caro, mas para aqui não é tanto assim
Minha filha fez uma Universidade ótima, em Durham, no norte da Inglaterra.
Sonja diz:
É uma cidade líndissima e tem uma catedral do ano 900 (a escola de mágica do Harry Potter foi filmada lá) . O Peter Ustinov foi o Paraninfo dela.

Sonja diz:
Vc pode imaginar, todas essas pessoas que a gente sonhava no cinema, aqui são de carne e osso, e ninguém se espanta com isso

esther diz:
é. ainda mais que você tem o cinema nas veias!

Sonja diz:
Eu ja vendi livro pro Sean Connery, para a Pauline Collins (a Shirley Valentine), para a mulher do paul McCartney

Sonja diz:
a lista é grande

Sonja diz:
mas vc não pode nem mostrar espanto...rs...

esther diz:
você chegou e foi trabalhar direto na livraria?

Sonja diz:
Ih não...esse foi um longo caminho. Fui fazer faxina como todo mundo.

esther diz:
cara, cê saiu de um trabalho estável em são lourenço e foi enfrentar a vida dura na europa...

Sonja diz:
Mas fui fazer faxina na casa de um diplomata que já tinha sido cônsul no Rio de Janeiro nos anos 50. E foi ele que me deu as boas referências

Sonja diz:
E ele recebia livro das editoras e depois que lia passava para mim

Sonja diz:
Foi uma das pessoas mais interssantes que conheci.

Sonja diz:
Quando saiu o filme " the end of the affair" sobre o livro do Grahan Greene, ele me contou que ele trabalhava com os dois no serviço diplomático (com o marido e o Ghrahan Greene, que era o amante*)
Sonja diz:
Tb conheceu o Principe Yossupov, que matou Rasputin, quando ele estudou na França nos anos 40.

De repente o mundo ficou pequeno demais...e muito real E quando ele foi embaixador na Russia, ele deu a festa dos 25 anos da Jacquelinne du Pré que estava em Moscou na época
Sonja diz:
E na casa dele todo mundo torce para o Brasil na Copa, já que a Inglaterra sai logo...rs...

esther diz:
depois então você foi para a livraria?

Sonja diz:
Para ir para lá, antes tive de me casar para ter um visto de trabalho. Mas casei com o namorado mesmo (francês) e isso já faz tempo rs...
Já pensei de ir morar na França, mas não me decidi realmente.

esther diz:
e nesta vinda para o brasil não há risco de ficar?

Sonja diz:
não em Paris, pq nãoo gostaria de morar lá, só para passear.

Sonja diz:
Não, não acostumo aí mais não. Aqui é tudo tão prático... e eu gosto daqui. E detesto ele calor que faz no Brasil rs...
Para quem gosta de calor dos brasileiros, como a Cynthia, é difícil acostumar aqui. Mas se estou com um bom livro o mundo é dentro de casa mesmo...

esther diz:
você é de onde, aqui em minas?
como foi sua juventude?
Sonja diz:
de uma cidade pequena. Ih...já vai longe rs... Eu amava os Beatles mas não os Rolling Stones

Sonja diz:
O meu avô era o dono do cinema entãoo eu cresci indo ao cinema todo santo dia... e comecei anotar aos filmes que via num caderno em 1962, então vc pensa bem...haja filme ! E o projecionista cortava para mim, os pedacinhos de filme das cenas que eu gostava, principalmente se tinha o Alain Delon e o Gregory Peck

Sonja diz:
que ainda tenho.
Bem como no filme "Cinema Paradiso". Que chorei tanto quando vi, pq vi um pouco da minha vida tb
esther diz:
é mesmo, sonja!
Sonja diz:
Mas tudo acaba, a cidade que até era bonitinha, com um jardim florido, com o coreto, hoje em dia parece uma Baixada Fluminense. Até a Ingreja matriz foi derrubada, com aquelas colunas bonitas e o teto todo pintado para dar lugar a uma coisa quadrada sem arquitetura nenhuma.

esther diz:
aí você faz a diferença entre uma cultura e a outra. aí se preserva aqui se destrói

Sonja diz:
vc já esteve por aqui Esther? Aqui se preserva tudo

esther diz:
não sonja

Sonja diz:
isso é que é emocionante. Quando fui a primeira vez no Museu Britânico, chorei como uma vaca. Tudo dos livros de História que a gente estudava na 3a.série do ginásio estava lá. > Os Assirios e Caldeus, a Pedra da Roseta... as múmias...

Sonja diz:
É certo que os inglêses roubaram isso tudo, eles ainda se acham o centro do mundo. Mas se não estivesse lá eu nunca teria visto

esther diz:
quer dizer que você não sentiu diferença pois esta vida você já a vivia em desejo

Sonja diz:
é verdade. Parece que já tinha vivido aqui em outra vida

esther diz:
e como andam as coisas da política por aí?

com a invasão do iraque, o casamento de charles com a camila
Sonja diz:
Esther, a conversa tá boa, mas eu já to indo. Já são 22:40 e tô aqui até tonta
Sonja diz:
O povo não gosta da camilla não, eles não esquecem a Diana


ainda era dia , de tarde por aqui e nesta conversa nem senti o tempo passar. diz maria alice, de são lourenço que meu gênio parece com o da sonja, nisto de querer resolver as coisas na hora e não deixar passar mal entendidos. bem , ao fim e ao cabo creio que todos nos parecemos e nos aproximamos porque alguma coisa de comum ,que vai muito além da razão humana, temos.

e vocês? aceitam um cafezinho mineiro ou um chá inglês para matutar sobre estas relações virtuais ? as fotos? bem fotos dela fico devendo para julho, início, quando estará no brasil.


*"The End of the Affair" (1999 - 98m)

Sarah Miles (Julianne Moore) é casada com Henry (Stephen Rea), um homem que ela ama mas com quem não partilha momentos de intimidade. Quando conhece Maurice Bendrix (Ralph Fiennes), os dois sentem uma atracção imediata um pelo outro, iniciando um tórrido romance. A sua paixão é devastadora como os bombardeamentos à sua volta, até ao dia em que Sarah desaparece misteriosamente da vida de Maurice. Dois anos mais tarde, Maurice encontra Henry que lhe confessa desconfiar que a sua mulher o trai. Movido pelos seus próprios ciúmes e ansioso por descobrir o mistério que rodeia o fim do seu romance, Maurice concorda em ajudá-lo. A sua investigação não só faz ressurgir o seu amor por Sarah como o leva a descobrir um terrível segredo que mudará as suas vidas para sempre... Uma história romântica de desejo e vingança passada em Londres durante a guerra, do aclamado realizador Neil Jordan (Jogo de Lágrimas e Entrevista com o Vampiro).

Posted by pparafusos at 11:31 PM | Comments (3)

na mata, recanto

recanto da mata

minha mania, meu vício. o cavalo pampa, os gansos do caminho o prazer de pisar na bosta macia de vaca, a gangorra enoooooooooooooooooorme, que eu penso até que foi deus quem fez. o cheiro do curral e dos arreios presos às mãos.
assim os dias. a canjiquinha cheirando no fogão à lenha um café mineiro, ralo ralo, tucanos, maritacas, sanhaços, canário da terra e
um brilho. o importante: uma luz, quiçá um brilho e as formigas pastando a manhã.

arco do recanto.jpg

calvário de planalto? tem não. só se a gente ligar a tevelisão como diz o joão vitor. tirar bezerro da estrada, virar o café colhido para secar e reza, muita reza para não chover. e choveu de fininho, manso, fazendo brotação na terra e frio na pele. nestas terras de ai meu deus os caras que nem são jagunços mas andam como tal, apeonados, de chicote na mão cortam o ar, cheios de diz que diz um palavrório dezarrazoado roubam à chusma a vadiagem deste povo do brasil. que é assim que eles pensam na gente: vadios. tem dó não.

olhar percevejo na folha. e se tem sol botar no cocuruto um chapéu porque nestes tempos de falta de ozônio o câncer tá dando até em galinha. zezé perdeu quase todas num estalar de dedos, quase assim. cocô aparecia branco podia contar, morte certa. "penso que as galinhas vão primeiro. depois os gatos e cachorros e depois é nóis." diz assuntando o analfabeto. tudo parou de prosperar, marcia bacco que o diga. e na leveza deste vício sonho com amanhãs, uma terra vizinha no recanto da mata, um bezerro no curral, uma vaquinha e um cavalo pampa casqueado. sinto na veia correr a delícia do meu paraíso natural.

Posted by pparafusos at 7:27 PM | Comments (1)
junho 20, 2005

para helô do banana & etc


os caminhos de nossos carinhos


enquanto da minha estadia na rede, neste mundo de blogs, fui presenteada com grandes bons amigos. alguns que nunca vi mas de primeira amei. outros, parceiros de vida sem os quais não teria como dizer de minha biografia , meu talhe, esta feição que trago hoje de sabor gostoso de vida, pessoas que dividiram momentos difíceis e outros de pura felicidade. sem elas esta esther certamente não poderia existir.
heloise, cujo rosto conheço de foto mas que em letras se descreve com perfeição, a do blog banana & etc é, a helô, com ela aprendo delicadezas além de compartilharmos a memória de alguns mesmos lugares e pessoas, sem no entanto nunca nos encontrarmos nestes lugares e entre estas pessoas.

arcoiris5.jpg
um arco-íris para heloisa

pois a helô que me emociona há tempos hoje dobrou a dose. sabe o que não se pode agradecer pois qualquer palavra perde a densidade do sentimento, o deixa esvair? pois é. um cartão que recebo dela dentre outros bens e vejo sua letra que oscila entre ser de forma, principalmente nos erres, e no mais caixa baixa, bela, limpa, definida - neste momento gustav holst canta "in the bleak midwinter" - de repente, helô está aqui nesta sala do micro, lembra sue? onde fica minha biblioteca, ela, a sonja que chega na janela do msn e mora em londres e maria alice, de são lourenço, com quem combino algo ao telefone. (ouço "so am I" em gershwin plays gershwin)

e tinha de um tudo para encontrá-la há tempos atrás, há uns 13, 14 anos quem sabe? e de repente a descubro na rede. sem saber quem é ela sem saber quem sou me envia cds, chegaram hoje no início da tarde e publicações literárias. helô intui que me alimento de música. ela passa uma tarde na modern sound, onde costumo me perder quando vou ao rio e me presenteia com sons de mozart, wagner, nino rota, compay segundo, gershwin.

bananeiras.jpg
um monte de bananeiras

deixe explicar a expressão sem saber quem somos: significa desconhecer que conhecíamos algumas pessoas afins, alguns locais que muito nos dizem, mas nunca nos vimos e nem supunhámos quem éramos. sim helô, como diz você é: " difícil expressar o que vai no coração." mas não é que você o disse? e sabe como? intuindo o que gosto. tem relação mais afetiva e antiga do que esta? - e olhe que helô é jovem e eu trago 63 anos vividos- onde amigas se adivinham e intuem como se tivessem morado na vizinhança desde a infância?

com helô ganhei outras amigas, assim como através da sue, a blogueira dos enta conheci o lucas do vírgula e ponto final, um gênio de menino amigo, além de muitos mais . como fiquei com conexão capenga e definitivamente sem sinal na semana passada inteira, e só hoje tateio caminhos, estou em dívida com todos. (swanee, helô).

sem falar na li, gente! do palavras tortas a quem devo todos os templates. e deixe parar por aqui. muitos citaria. um ror!

a sonja? bem a sonja, amanhã postarei uma conversa com ela. mas, por enquanto leiam o que ela escreveu sobre o que vinícius de moraes escreveu sobre amigos. aqui. exato o que todos diríamos.

Posted by pparafusos at 6:06 PM | Comments (6)
junho 18, 2005

os fantasmas da minha rua


no meu bairro vale das colinas as ruas são mortas. só passeiam por elas peões de obra. não tem gato, cachorro, criança brincando nas ruas. não. eu não afirmei que os peões de obra são fantasmas mas é que com eles a vida é muito concreto, argamassa, tijolo e cal.

eles usam suas maquiagens de cal, os pés carcomidos pelo cimento e as roupas, as roupas são as que todos os peões de obra usam.

mas vem cá por que peão de obra? peão não é só o que doma cavalo, burro xucro, boi vadio?

acredito que seja por causa do peão do jogo de xadrez, peça subalterna, que só faz um movimento: para frente e de casa em casa. daí a relação com o peão de obra que é uma pessoa que ajuda outra, o oficial, no caso o pedreiro.

pára de desconversar volta para a rua.

"soy del sur. su buena gente e su dignidad. siento ao sur como tu cuerpo e la intimidad." volto ao sul viu? volto sem norte. não desejo estas ruas mortas onde nem um zunir de nada e o vento passa em silêncio. como ir para rua? estou cantando.

é sábado. é sábado.

Posted by pparafusos at 8:46 PM | Comments (1)

desculpem a ausência

desculpem a ausência

amigos, desculpem-me a falta de visitas, a falta de abraços. mas estive a semana inteira sem internet. troquei de provedor. hoje volto a ter sinal. e por isto, só por isto a ausência. postei até na quinta feira numa lan house daqui. hoje não retorno com força total, isto deve acontecer depois de segunda, mas já dá para falar das saudades.

às vezes, como na música que a elis regina cantava, os dias são assim. mas deu para ler muito e ver muitos filmes. hoje viisito os amigos curiosa para saber como precebem esta roupa suja exposta estes restos decompostos cobertos por moscas varejeiras. coisas do brasil.

Posted by pparafusos at 3:59 PM | Comments (0)
junho 16, 2005

james joyce

a alma da irlanda*

em 1903 james joyce solicitou uma ajuda da escritora irlandesa lady gregory quando estava na iminência de ir para paris estudar medicina. esta o apresentou a longworth, diretor do daily express. longworth ofereceu a joyce um emprego no jornal para fazer crítica literária. nesta ocasião lady gregory lançava mais um de seus livros "poets and dreamers" onde tratava sobre os contares irlandeses.

lady gregory e yeats amavam o popular e joyce estava saturado dele. sobre os dramas rurais de yeats, "celtic twilight" joyce já havia feito uma dura crítica e fecha o círculo de sua insatisfação com o texto, do qual traduzo alguns períodos abaixo, sobre o livro de lady gregory o que a deixou profundamente descontente pois menos delicado ele não poderia ter sido.o livro, de leitura agradável e que recebeu tão severa descompostura marca seu rompimento com a tradição artística não somente irlandesa mas com toda a estrutura narrativa de então.

assim como guimarães rosa recriou a arte de contar sem precisar trocar sopapos à torto e à direito, rompendo com a estrutura sintática e léxica e criou um estilo próprio também de difícil versão, como "finnegans wake" de joyce, joyce esperneou, o que não diminui seu valor artístico, em suas criações após "dublinenses". tornou-se um homem voltado aos prazeres do sexo e do amor. quando fala em infantilismo talvez refira-se a este momento de sua vida em que se deixou imbecilizar por romances mal vividos.

nesta crítica,mais do que em outra joyce torna-se pessoal e expressa seus sentimentos nacionalistas dissimulados durante toda uma vida e que só mais tarde ficariam claros em artigos publicados em "piccolo della sera "e em conferências realizadas em trieste.

fica sempre uma clareza para mim quando se fala em artista, obra e vida: nunca misturo uma com a outra, pois sempre sairei decepcionada. o racionalismo de quem trabalha a linguagem, após a explosão da criação de um texto não confere com o emocional do ser humano que nos fala através das vozes de tantos personagens.

"segundo aristóteles, toda especulação começa com um sentimento de assombro, um sentimento próprio da infância e, se a especulação é inerente à meia idade o natural será que o fruto da mesma ou seja, a sabedoria gerada por ela, aconteça no último período da vida, o que coroa os anteriores, a velhice.

atualmente, porém, as pessoas mesclam a infância com a meia idade e a antiguidade pois os que conseguem chegar, graças aos avanços da civilização, à longevidade parecem menos sábios do que o foram anteriormente ao passo que as crianças que mal começam a andar e falar dão provas de ter mais e mais senso comum. talvez em um breve futuro os jovens de barbas compridas aplaudam os idosos em suas partidas de futebol ao arremessar uma bola contra a vidraça do vizinho.

isto pode acontecer na irlanda se levarmos em conta a visão de lady gregory sobre a maturidade de seu país. no seu mais recente livro ela se esquece das lendas irlandesas e sua heróica juventude para debruçar-se sobre a tristeza e senilidade da terra. a partir do meio, seu livro nada mais é do que relatos de velhos e velhas do oeste da irlanda. estes anciãos sabem infinidades de histórias sobre gigantes e bruxas, de cães e punhais de negra empunhadura, e as contam prolixamente, uma após outra, repetindo-as sempre (não esqueçamos que os idosos são pessoas que dispõem de muito tempo) sentados junto ao fogo ou numa praça.

é difícil julgar sua sabedoria de encantamento e de curas através de ervas medicinais, já que este é um tema exclusivo para especialistas, pois podem comparar as diferenças existentes entre costumes de um e outro país. além do mais é prudente manter-se afastado de ciências mágicas, já que os ventos mudam e enquanto um derruba e fere maçãs silvestres outros podem levar qualquer pessoa à loucura.

no entanto, estes relatos podem ser julgados mais facilmente, apenas os relatos pois eles suscitam um sentimento que não é precisamente o de assombro, que constitui o início da especulação . quem os narram são pessoas idosas e sua imaginação não é a da infância. o narrador conserva a estrutura do maravilhoso porém sua mente está adormecida, fatigada.
.........................

"em resumo, a obra de lady gregory, quando se centra em "pessoas do povo" nos presenteia com toda sua senilidade, a mesma mentalidade que mr.yeats exibiu em seu melhor livro "the celtic....." segue por aí ainda citando mallarmé como escritor de menos valia. finalmentge esculacha com a epígrafe do livro que é um verso de whitman: "as batalhas são perdidas com o mesmo espírito com que as ganhamos" justificando que a escrita de lady gregory foi feita para os vencidos.

"das lutas materiais e espirituais que durante tanto tempo atormentam a irlanda ficaram muitas crenças e recordações, uma principalmente: de que é incurável a vilania das forças que a avassalaram...." neste parágrafo joyce acompanha yeats em sua crença de que o materialismo dos inglêses ameaça o idealismo, inclusive as superstições irlandêsas, "cujos velhos e velhas quase parecem julgar a si mesmos quando contam suas desventuradas histórias".

que a partir de hoje, de ontem, de amanhã, em algum momento de nossa escrita como brasileiros, possamos romper com a tradição de não contarmos tristes histórias também, contares sobre uma nação envilecida pelo materialismo e a truculência de seus representantes. e passemos a reconstruir nossas vidas sem que nos roubem a todo momento o direito de sermos cidadãos da terra de vera cruz, finalmente, brasil.

hoje, dia 16, comemora-se o bloomsday no mundo inteiro. e nós? eu, de minha parte, acompanho os mirages rasgando o céu de caxambu.


* do livro: "escritos críticos" de james joyce

Posted by pparafusos at 4:10 PM | Comments (1)
junho 15, 2005

pátria minha..........

pátria minha gentil que te partistes.....


alma minha gentil que te partistes

tão cedo desta vida, descontente

repousa lá no céu eternamente

e viva eu cá na terra sempre triste

luiz de camões

não preciso implorar: posso iniciar o exercício para amar a lama, o lodo , a derrisão: necessito acostumar meus membros a chafurdar, da mesma forma que acostumo os ouvidos , há dois dias, a ouvir jatos rascantes a serrar o céu de caxambu como se houvesse um aeroporto ali na esquina.

e por aqui não é rota de aviões. sei, a embraer vendeu jatos para a índia? será que por este céu sem mar chega-se às costas da índia?

ah, enfim tenho adesão de meus olhos do projeto de desmanche do brasil e da américa latina. e quase falei latrina. vejo claramente, como os relógios de dalí, este imenso continente derreter pelas bordas e deformar-se.

subitamente, o jefferson com sua máscara imperturbável me faz lembrar a do bush e seus projetos de se adonar do mundo. atento, o rosto sem nenhuma expressão, os olhos mantém a mesma serenidade do jogador de pôquer vivido com um full hand. sob a pele das bochechas perdidas algumas marcas de gordura antiga insistem em descaveirar sua não expressão; a máscara blindada da impassibilidade vestida para o dia em que o povo retém um ó de espanto nos ombros caídos.

seus advogados o impedem de levantar para mostrar que é homem, num pequeno acesso; um sorriso onde o deboche se mescla ao prazer ao ser chamado de metrosexual e um riso ancho, ao final da jornada quando novamante sua sexualidade é abordada.

o plenário da comissão de ética indisciplinado precisa do mestre escola a conclamar silêncios. enquanto isto , no país, ouve-se as asas das moscas a sobrevoar, e melar-se nas xícaras de cafezinho acumuladas nos bares, nas salas, na azia da alma. o povo escuta calado o que de há muito está exausto de saber, pois cortam-lhe a carne, e avisam! para que sobre mais grana para o butim, mas aprendeu a saborear o prazer dos atos decaídos. somos voyers de ouvido.

cada representante do povo, os pais da pátria, quando abre a broca da boca vejo saltar delas pequenos sapos em fuga dos vômitos de lama.

sei, quer dizer então que bogotá está mais próxima de miami do que de brasília? mais jatos no céu de caxambu.
sei, quer dizer que a bolívia pede aos congressistas que renunciem a seus mandatos para apressar novas eleições?
sei.

responda, sartre, por favor!

no responder ao lira, o deputado, uma ameaça velada, mas percebida pelo que se ousava oponente. apoio inconteste do psdb, pfl ao jefferson/bush. ah, como são semelhantes: a mesma carinha de mico!

passa a tarde. passa a noite. pobre américa! a quem interessa as leis que o congresso votou, originadas nos esconsos do governo federal que pagou mesada para que fossem votadas e aprovadas?

não. não são leis para o povo. bem sabemos. mas para quem então? beneficiam a quem?

la monada foi bombardeada novamante? restou um operário no meio dos escombros a olhar o bico do sapato alinhado, vestido por roupas bem talhadas, sem um dedo, com o rosto vermelho dos beberrões. derribado.

a última frase de jefferson/bush ecoa gargalhando pelas grotas e bueiros: "eu não posso mentir".

ainda no domingo passado olhava as bananeiras do recanto da mata que trazem expostas o coração da américa atado por um cordão de fibras ao corpo, ao cacho de bananas e me perguntava: qual será o ditador de plantão que aguarda assumir o evento latino desta américa do sul? heim, bush , heim condolezza ?

com cansaço, vi idelber avelar, o cansaço do luto eterno, abano as cinzas do corpo e atolada na lama vou à próxima lan house postar meu mal estar de todos os dias, esta sensação eterna de perda: o que restou para nos ser retirado? de nós, povo?

lembram do tempo em que ainda usávamos telegrama para comunicar fatos imediatos? : lembram do ponto final? é assim: pt.

só isto: pt.

che1.jpg

Posted by pparafusos at 4:16 PM | Comments (1)
junho 14, 2005

pequena antologia do nada

quando me aposentei na universidade federal fluminense o reitor de então, josé raymundo martins romêo, recusou-se a assinar meu pedido de aposentadoria. alguns amigos reuniram-se lá em casa, dentre eles cristiane romêo e maria antonia botelho para saber se eu estava certa do que pretendia fazer. já havia explicado para todos as razões : não acreditava mais na instituição universitária, dentre outros assuntos.

quando josé raymundo foi empossado pela segunda vez reitor da uff, após nova eleição, eu já lhe comunicara que desejava me aposentar. isto em conversa no gabinete dele, na reitoria. e o motivo era o mesmo: não acreditava na instituição universidade, como não cria mais em um monte de brasil e gentes. e quando a gente descrê de gente nada melhor do que conviver com os chamados animais.

ele me perguntou: o que deve ser mudado na universidade ?

(ora, com o barreto neto como reitor, em 65, vivemos a experiência de a uff servir de laboratório para formar o pensamnento universitário no brasil. saíamos de faculdades isoladas unidas quase por acidente de percurso para constituir universidades com sua estrutura de reitoria com um reitor, conselho universitário, etc... até os nossos dias de prós-reitorias, ou seja, de uma pretensa descentralização do poder. foi extinta a cátedra vitalícia, feita a reforma universitária e administrativa- a uff como laboratório para isto- e recebi a vaga incumbência de criar o espírito universitário, ou seja aglutinar pensamentos semelhantes em torno de uma só idéia : o prazer do saber e da arte dividido e multiplicado ad infinitum.)

disse que a universidade brasileira, o ensino, o mec, precisavam ser implodidos e começar de novo. mas como seria impossível ir além de nossos muros ele me desafiou: escreva como deveremos agir , me entregue e verei se posso aprovar suas idéias. imediatamente fui para a sala da secretaria, datilografei... não , nesta época nem havia computador assim de uso comum, os computadores eram usados por professores em seus centros de estudo e pesquisa. o que de mais moderno havia, lembro bem , de uso individual era o tk 85 lá de casa. esbocei um planejamento que ele aprovou em primeira instânccia. faltava detalhar o projeto. mas a síntese estava aceita.

(lembram que na época vivíamos sob a égide da reserva de mercado? e não poderíamos usar para fins pessoais computadores? sei que entrava por aí muito da teroria da conspiração do governo militar)

bem, resolvido de onde iniciaria o desmanche, com sala e funcionários lá fui eu inventar como minar uma estrutura em seu interior, preservando o exterior para inglês ver e, enfim, quando o processo de mudança estivesse pronto fazer surgir novo arcabouço .

gente eu sou muito tonta, além der burra em acrditar ser possível algo semelhante. em quantas vaidades tocaria! ô presunção minha, eita veleidade idiota, irra! esta incapacidade em nomear bosta de bosta.

pois foi assim que me aposentei. levando de quebra para casa três moções de repúdio do conselho universitário, das quais me orgulho, três chamamentos para argüição do pt, às quais compareci.

ah, por que? porque a universidade já estava dividida em esquemas políticos partidários e ao fazer alguma coisa era preciso cuidar que a direita , esquerda, centro, abstêmios, alcóolatras, todos ficassem satisfeitos. lógico que malandramente criei uma comissão de representantes de cada área política e toda decisão era referendada por escrito por todos os membros desta comissão. e nela é que foi escrito o breviário que dá título a esta matéria: pequena antologia sobre o nada. ou melhor, não foi escrita, mas exercitado.

nos reuníamos às sete da manhã de quarta-feira, eu apresentava as idéias e tocava as que eram aprovadas. quando o pt me chamava para ser argüida sempre levava a ata destas reuniões com a assinatura de seu mais ilustre membro concordando , em nome do partido, com a ação. não esquecer do pc, o marxismo vivo, que pontuava nas rodas da economia universitária e lá estava também representado.

em síntese: maria antonia botelho se aponseta também, depois de mim. nossas reuniões de fim de semana continuavam. os amigos aposentados e os da ativa se encontravam cada sábado na casa de um para almocar ou jantar e trocar figurinhas. aí , numa destas reuniões, maria antonia do nada me pergunta: esther, o mundo é isto mesmo que estamos vendo aqui do lado de fora? esta coisa sem educação e sem jaça?

eu já criava gado nesta época, depois de ter passado um tempo procurando passar o que sabia em trabalhos de base para o pt, em associações de bairro e alfabetizando adultos e crianças. é , maria antonia, respondi. é. era grande o choque quando passávamos a viver a vida extra muros da universidade.

há anos não tenho mais notícia de maria antonia. sei que ela retornou para são fidélis, onde tem a fazenda esmeralda e cria peixes. ela conseguia as violetas mais lindas que já vi na vida. de muda em muda, de foilha em folha obtinha florações maravilhosas.

pois é, o tempo passa.... e repararam quanto escrevi, que tanto de palavras e letras usei e falei exatamente sobre o nada?
zezé do celsinho tem razão; "este mundo esther", diz ela cheia de erres," é dividido assim: pra dentro da porteira e pra fora da porteira, se não as coisas fogem, né mesmo?"

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junho 13, 2005

cuidado com fhc


POVO! POVO!!! NÃO VAMOS PERMITIR MAIS MANIPULAÇÃO

"viver é muito perigoso", ensinou diadorim. viver no poder mais perigoso é ainda pois a exposição por mais velada que seja está presente e forma o chamado inconsciente coletivo que reproduz no micro as, por enquanto só podemos falar em safadezas, do macro.

há tempos, desde o início da gestão lula, que dessonhei, desisti, descorçoei pois vi sendo traída a ideologia de um partido no qual o povo acreditava. compras e vendas são atitudes banais do poder, compra de pessoas, de cargos, do país inteiro. hoje mesmo olhando as nuvens a correr no céu me perguntava: e se não houvesse tanta corrupção no brasil, como seria? como nossa vida poderia ser melhor!

não defendo lula, mas pergunto e creio ser bom que nos perguntemos, a quem interessa tudo o que acontece? quem sará beneficiado com esta profusão de m.... no ventilador? qual partido político e qual grupo econômico ?

lembro que o tal do roberto jefferson era amigo do collor de mello. e quem sabe ele não esteja vingando de alguma forma o amigo. quem sabe o fhc queira pavimentar com cuidado seu retorno ao poder. afinal que partido pode lhe fazer frente? que homem político? muitos morreram, muitos sumiram na poeira da estrada, alguns estão muitos desgastados, outros foram afastados por corrupção.... e todos devem lembrar que fhc em algum momento no poder sonhou por lá perpetuar-se.

POVO, POVO. preste atenção. o que acontece não é banal e está inscrustrado no poder e tem nome: corrupção. mas tenta-se derrubar um presidente eleito constitucionalmente pela segunda vez. vamos perguntar antes quais poderiam ser os motivos que movem tantos interesses em ocupar o posto de presidente do brasil? será que o luiz eduardo magalhães teria varrido a sujeira deste país como prometera. mas que pena, não há mais como saber pois morreu.

POVO! POVO!!!!! cuidado com a manipulação. não nos deixemos mais manipular. pois algo mais do que aviões de carreira sobrevoam estes céus de brigadeiro, e quem sabe um rio esteja pretendendo mudar o curso da história?

fiquemos atentos. observemos a revista veja dos civita e o grupo fhc. nunca esquecerei em entrevista ao pasquim barbosa lima sobrinho , então presidente de honra da abi, falando o que um tio de fernando henrique cardoso dissera sobre ele: ( o tio militar que lutou pela petróleo é nosso) neste rapaz não confio.

eu também não. e ele já provou que não merece confiança vendendo a nossa pátria por tutaméia e quem comprou pagou com dinheiro financiado por nós. vamos ficar atentos. só isto. o pt não é o pt de nossos sonhos. quando palocci elogiou malan que deixava o ministério deixou claro ao que vinha. nós povo nunca fomos bem tratados realmente e o que pagamos de impostos e benefícios é roubado descaradamante. vamos cobrar mais respeito. mas com cuidado para não perdermos de vez a terra prometida.

Posted by pparafusos at 8:51 PM | Comments (3)
junho 12, 2005

como no céu


oi

Estarei autografando "Como no céu/Livro de Visitas" (Bertrand Brasil) em Belo Horizonte, no dia 20/6 (segunda), após palestra no projeto "Sempre um Papo". Local: Teatro Usiminas da Biblioteca Luis de Bessa (Praça da Liberdade, 21 Tel.: 32611509) Horário: 19h30

beijos e abraços
Fabrício

carpinejar

ConviteSUPVirtual-FabricioC.jpg

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junho 10, 2005

titula pra mim? a

titula pra mim?


a esta hora da tarde, gripada, sinto o sono, uma bobeira de sono querendo tomar conta. rola na tv uma conversa sobre trabalho escravo infantil . tanta letra usada inutilmente, "sim devemos condenar o trabalho escravo" dizem todas as vozes, que me atordoam. as vozes finas, grossas, indefinidas vozes a ressoar na minha sala que aos poucos ganham sons de eco vazamdo a paciência.

tarde típica de inverso em caxambu. seca, azul e fria. e falam sobre a abolição da escravatura. acabei de ouvir. e me pergunto: estas pessoas acreditam no que falam? realmente? ora, num país onde se troca uma menina por uma enxada, uma amiga jornalista contou, num país onde não existe emprego, e os jornais de hoje avisam que o desemprego crescerá, num país que que as grande zonas produtivas estão em poucas mãoes e em sua perifería residem os lúmpens da vida falar em condenar o trabalho escravo parece piada.

ei, pessoal do senado que gasta o nosso vernáculo em vão, todos condenamos a escravidão, principalmente esta que o poder espúrio exerce sobre o povo em nome da democracia. mas e aí? qual a saída para o problema, qual a solução? fazer uma lei punindo, mas punindo a quem cara pálida? ah, vamos falar sério. há muito tempo jurei que não abordaria mais nossos problemas sócio econômicos pois falar sobre eles nada mais é do que fazer catarse. como as que fazíamos na época da ditadura, numa mesa de bar, em volta de chops quando se criava uma terra justa com direitos iguais. para no dia seguinte todos os construtores do mundo novo amanhecer de ressaca.

mas cara, eu sou perjura, e tem horas que não dá. calem a boca, vocês que falam pelo brasil e que o povo escravo faça soar sua voz. que a de vocês virou som poluído. profundamente enojados com você subscrevemo-nos : povo brasileiro.

bem andei perguntando aos amigos como definiriam o brasil: lá vai a resposta da jornalista renata figueira de mello do blog renata sem rodeios, ou meu city blog da vida

"Uma linha reta me leva direto ao país que amo
Uma sinuosa me faz, por vezes, ter vergonha dele
Uma elipse me garante a esperança: tudo a qualquer momento pode mudar..."

azul.jpg
um azul cor de sorvete

Posted by pparafusos at 6:56 PM | Comments (2)

frases preferidas

"Não se sente senão o que se soube falar". Paul Geraldy


esta é a frase preferida da fal

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junho 9, 2005

adelaide amorim

como se livrar de glória

adelaide.jpg

"como se livrar de glória" é o novo livro de adelaide amorim .
com "umbigo dos sonhos" ela nos oferece contos. desta vez , pare se livrar de glória ela escreve um romance que pode ser encontrado:

no rio de janeiro
- livraria leonardo da vinci
av.rio branco, 185 - subsolo
ed. marquês do herval - centro - rio

No Paraná
- livraria bom livro
londrina

na web:
pedidos por e-mail:

dedaamorimo@globo.com
deda_amorimo@yahoo.com.br

toda segunda feira adelaide escreve para o focando

@@@@@@@@@@@@@@@@

sugestão: o caixote aqui vocês encontram também maria lucia medeiros em target=blank> i' m in the mood for love; fábia vitiello de azevedo cardoso em "a traição" e maria odila, do digressiva maria que não gosta de enterros nem de despedidas e muito menos de biografia em maria e quimaz.

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dica para quem gosta de beethoven:


a BBC de Londres disponibilizou as nove sinfonias em: beethoven

só tem as cinco primeiras. A 6ª ficará disponível para download de 28 de junho a 4 de julho. A 7ª ficará disponível para download de 29 de junho a 5 de julho.

A 8ª ficará disponível para download de 30 de junho a 6 de julho.

E a 9ª ficará disponível para download de 1º de julho a 7 de julho.

de manoel carlos para a goldenlist do -c.a.t.


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pedro e o lobo

13/06 - PEDRO E O LOBO de Prokofiev. Orquestra Sinfônica Brasileira sob a regência de André Cardoso. Narrador: Servio Tulio. Série Concertos Ditáticos no Teatro Carlos Gomes.

25/06 - ORQUESTRA EKTOPLASMA - estréia da banda formada por Servio Tulio (vocal), Roberto de Gasperis (baixo) e Brian Higgin (máquinas e guitarra).

30/06 - SAARA SAARA - ao vivo no PUB 9 em Niterói, São Domingos.

15/07 - MUSIK! MUSIK! MUSIK! - comemoração dos 100 anos de nascimento do compositor alemão PETER KREUDER, com Servio Tulio (voz), Sula Kossatz (voz e piano), Lars Höckerberg (acordeão e percussão) e Marcos Lessa (violão e percussão. Café Cassino da Galeria de Arte do Cine Arte UFF em Niterói.
::http://zieckzackradio.blogspot.com/ Zieckzack ] ::


e tenho dito.


conversa de mineiros

lula1.jpg

Posted by pparafusos at 12:41 PM | Comments (1)
junho 8, 2005

anne bancroft


anne bancroft

anne-bancroft.jpg


ela possuia uma densidade na interpretação, um comedimento nos gestos que funcionava como entrelinhas, um deixar de falar para explicitar. fantástico, não é helô; pois é, sonja.

estranho o mundo. pois as pessoas conhecidas, no real ou virtual vão embora para onde a gente nem sabe. esta partida da anna maria louisa iItaliano , que nasceu no bronx, nova york, eua , no dia 17 de Setembro de 1931 anne bancroft expõe toda a tragédia do humano pois nós que a pensávamos deusa do olimpo do cinema vemos que, como nós, é humana. morreu. os deuses não são trágicos pois desconhecem a ameaça pendente da morte. trágicos somos nós que convivemos com ela .

acabei de saber pela sonja, aqui, na janela do msn, sobre sua partida. eu sempre a amei. fica sem sentido um antigo desejo: ir até a 84 charing cross road.

Posted by pparafusos at 5:00 PM | Comments (1)

pois é....


chora na rampa, brasil!

assim que se diz, em gíria de sinuca, quando se pede para alguém falar: chora na rampa. um dos regulamentos da sinuca, como no tênis ou no golf, jogos de concentração é ficar calado. jogo típico de brasileiro que vive em sinuca e calado. calado mas pensando em como sair da situação incômoda de ser brasilkeiro e entender sua pátria.

seu orlando dono do bar e bilhar ponto azul, 68 anos, "acha que o brasil é uma nação muito boa só que tem políticos muito vagabundos, principalmente os deputados e senadores que só sabem encher seus bolsos. mas mesmo com a politicagem prefiro morar no brasil, apesar de toda a bandalheira. o brasil é uma madrasta maravilhosa para os estrangeiros que aqui chegam comendo e bebendo, enchendo os bolsos de dinheiro."

já para o doutor oswaldo espíndola, 75 anos, médico, professor aposentado da uerj e que só mata na sinuca, como informam seus parceiros, o brasil é um país situado na américa do sul, uma república federativa com um regime democrático presidencialista."mas o nosso hino que é relativamente bonito tem a letra muito complicada. gosto mais do hino da independência quando diz assim: "liberdade, liberdade, abra as asas sobre nós".

ele é contra metáforas, ou seja não gosta de dizer uma coisa da qual podemos auferir outro significado. donde se depreende que liberdade, liberdade é seu anseio. "impressionistas nós éramos, mas depois que os alemãs criaram o expressionismo jão não sei o que uma coisa ou outra. mas de surrealismo não gosto." com o taco na mão observa as jogadas . seu jogo terminou, olha o dos outros, gosta da sinuca para matar a bola na caçapa.

"político só é bom antes de chegar ao poder e o brasil é o país mais racista que conheço, não é racismo de cor não, mas de grana. ponha o pelé e eu lado a lado e veremos quem será melhor tratado; o branco pobre aqui ou o negro com grana? "esta é a visão do brasil de josé de lima, 38 anos, segurança no supermercado eldorado.

constâncio pereira, o josé eugênio, que tem um trailer, o quartel general, vulgo qg, só porque acha o nome sonante, onde serve sanduiches proximo ao hospital e que trabalhou três anos no bobs havia chegado de barreiros onde foi comprar um queijo prato, tipo chedar , com o qual faz seu big bob. para ele "o brasil é como caxambu, tem tudo para dar certo, mas não dá."

a unanimidade existe: o brasil é bom de terra e gente, mas os políticos acabam com a pátria. ferreira, funcionário municipal licenciado, pois sofre de esclerose múltipla esperava do brasil menos injustiça social. ele tem apenas 58 anos. antonio carlos gomes, barbeiro, 57 anos, não gosta de políticos pois na campanha prfometem uma coisa e no poder fazem outra.

carlos tenório galve que com a mulher toca a livraria "sabor do saber", 52 anos, define assim o brasil: ëm se tratando de poplítcos é uma terrra de corruptos: em se tratando de povo é passional, esperançoso, mas lento.

foi com ele que ouvi pela vez primeira a expressão "chora na rampa" significando : fala!. o que trouxe a lembrança das senhoras e senhores e crianças e jovens subindo a ladeira do viterbo , e haja ladeira, como se fosse a ladeira brasil. de pouco em pouco faziam a escalada. em zig zag para cansar menos o coração e chegar ao topo. lentamente, com paradas para recuperar a respiração, trocar um cumprimento, uma palavra de alento, todos em busca do consolo de um deus, da igualdade e fraterninade entre os homens e, quem sabe, da liberdade do topo da colina abindo as asas sobre nós .

sem nenhuma tentativa de jogar com cores e variações de luz ou dizer de maneira vaga , fluída e delicada impressões subjetivas como no impressionismo, mas deformando e exagerando a realidade para melhor expressar sentimentos e percepções de maneira mais intensa e direta a questionar o convencional e a razão acomodada assim se definem os brasileiros que ouvi na sinuca.

Posted by pparafusos at 12:30 PM | Comments (3)
junho 7, 2005

niterói

poste de niterói, lembrar marly


marilia cd.jpg
cd bodas de vidro, de marília medalha valeu, marília!

Esther amiga,
Enviei para tua Cx. Postal via Sedex na sexta-feira.Me disseram que chegaria até hoje - terça.
Até a faixa 11 é da Niterói Disco, as outras foram gravadas praticamente em casa. "Bodas de Vidro" marcou para mim o final de um amor que durou quase 12 anos. Foi muito forte, bonito e corajoso. Coisa rara nas gerações de hoje!
Espero que você goste. Nossa irmã Marly aprovou, de coração.
Abraço,
Marília

e chegou hoje, terça-feira. obrigada, marília. caminho no cd, de mãos dadas com nossa irmã. beijos.


um poste em niterói caminha. poste antigo de ferro que carrega fios de energia e de telefone. às vezes estaciona como um navio de cracas grudadas ou um carro antigo que ganhou vida própria de tanto conviver com o motorista e resolve seu destino a cada paragem.

pode estar em pendotiba, saco de são francisco , pois o meu são francisco sempre tem saco, em camboinhas, itaipú, icaraí, passa pelo centro da cidade em visita à antigos sebos, impertinente esquece-se em frente ao gold star na rua da conceição a ouvir pimentel; no valonguinho, na miguel de frias ou em santa rosa, olhar calmo na ladeira da viterbo, no campo de são bento na estrada fróes. em muitos momentos queda-se na charitas. ah, tenha caridade! lá perdi os olhos e a juventude sonhou nos cavalos soltos que pastavam na areia.

marly.jpg
marly medalha poeta

por lá até neil sedaka, que levei para conhecer niterói, se apaixonou. almoçamos no lido. mas espere.... ninguém lembra de neil sedaka? deixe para lá... está na ativa, se não me engano, mas brilhou no passado. petit paris, onde revoluções foram sonhadas. aldeia curumim.

no sábado passado em conversa com amigos olhava o mar e dissemos que o que nos definia de primeiro é que éramos filhas de beltrano e sicrano, depois e finalmente, depois de sermos a tal mãe de nossos filhos nos tornamos a do blog tal. pois é.....

marly-1944a.jpg
marly em 1944

hoje marly medalha poeta, amiga irmã, me é trazida por fotos que sua irmã cantora marília medalha de são paulo me envia . além do cd "bodas de vidro e outras bodas". de saída uma composição de márcio proença e paulo cezar pinheiro, "poeta". e dulcinéa pilla, em "cassorotiba"; "na tarde" composição de marília e vera coutinho., depois marília canta "vejam só" de marcio proença e gianfrancesco guarnieri .

lembra, gina, sentávamos no cais em frente ao "maria torta" em tardes vagas sentindo a paisagem, o anoitecer no saco, e marly ao piano acabava de fazer a música para a letra em que cantava minha sobrinha priscilla recém nascida. compasso de histórias de vida. veiga, bel, anibal, carmen da silva, claudio, vânia, suely... não esqueci de ninguém, só que o ror tropeça na saudade.

encerro a manhã com marília medalha cantando "andei numa saudade" composição dela e de márcio trigueiros. "de são paulo te vi tão serena...
...niterói tão profundo na alma/ niterói tá riscado na palma/ icaraí, icaraí
...icaraí, tem água escondida , marly...

viu lucas , do ponto e vírgula e suely do blogueira dos enta e yasmine? a vida continua a ser escrita, agora com vocês também. lagoa, o mar sempre na beira e o sereno que levanta do sal e deságua sobre nós.

não te falei, sue, que a descida da serra curaria a gripe? curou.

Posted by pparafusos at 3:45 PM | Comments (2)
junho 6, 2005

fabrício carpinejar lança novos livros


"como no céu"e "livro de visita" são os livros que do poeta fabrício carpinejar . a editora bertrand e a livraria cultura convidam para o lançamento dos livros que tem apresentação de flávio loureiro chaves e mirna spritzer, na quinta feira, dia 9 de junho, às 19h30m na livraria cultura bourdon shopping country, na rua tulio rose, 80, loja 302 em porto alegre, rio grande do sul.

ler fabrício é um passeio no céu que a gente imagina, sonha, deseja, fabula seja em prosa ou verso. com este livro ele ratifica a sensação que nós, seus leitores, sentimos: as palavras que ele constrói nos encaminham ao divino, sem passaporte e burocracia. seja o divino que imaginarmos.

abaixo um poema do livro "como no céu"

carpinejar.jpg


COMO NO CÉU

Fabrício Carpinejar


As cartas de amor
deveriam ser fechadas
com a língua.
Beijadas antes de enviadas.
Sopradas. Respiradas.
O esforço do pulmão
capturado pelo envelope,
a letra tremendo
como uma pálpebra.
Não a cola isenta, neutra,
mas a espuma, a gentileza,
a gripe, o contágio.
Porque a saliva
acalma um machucado.


As cartas de amor
deveriam ser abertas
com os dentes.

Posted by pparafusos at 8:21 PM | Comments (0)
junho 5, 2005

até!!!!!!!!!!!!

ou inté,

inte.jpg

falemos sobre a luz da cidade refletida no espelho da lagoa rodrigo de freitas. também do mar e do cheiro de salsugem. sobre a água salgada ancorada num suor de sereno. conversemos sobre palavras que no limite das estrelas, no encontro de horizontes ecoam para ensinar ostras a fazer pérolas.

podemos silenciar e ouvir, ou apenas ver. há prateados de cardumes sob as águas; é noite mas adivinha-se. gestos que se combinados com a música que rola na sensação fazem um perfeito balé. pode ser até o exato vôo da mão que enfatiza a palavra e o silêncio de quem quem cala.

sobre os bancos uma esteira conforta a anatomia e novos sabores contam perfeitos como se finaliza um dia. ah, devo fotos que não fiz, mas seria impossível postar minha retina.

Posted by pparafusos at 2:59 PM | Comments (4)
junho 1, 2005

salão do livro em belo horizonte

salão do livro de minas gerais debaterá literatura e blogs

fal fabia azevedo, do drops, estará no salão do livro em minas gerais

fal está em pânico mas diz que tudo bem. a gente aqui no brasil só vive de adrenalina mesmo! no pânico de cada desando de governo jogar a gente num buraco mais fundo que este... somos brasileiros e por isto nem sabemos o que é endorfina. vivemos de galho em galho, de susto em susto, de tranco em tranco. por isto, para saber o que já estou lotada de saber nem leio mais jornal, nem vejo o da televisão ou ouço o do rádio.

só que o caso da moça do drops é outro. ela foi convidada junto com o inagaki de do pensar enlouquece e o idelber de o biscoito fino e a massa para participar do sexto salão do livro de minas gerais e encontro de literatura de 12 a 21 de agosto . no dia 12 haverá mesa redonda sobre blogs e literatura com fal, inagaki e o idelber avelar que vem ao brasil para estar lá.

mas voltando ao papo lá de cima , leio blogs. nuns lavo a alma, noutros a égua. saio deles mordida de inveja, mas dizem que é inveja das boas. sabem inveja construtiva? vou na fal e pergunto pro tempo se dava uma ajuda de, pelo menos no ponto marcado do encontro com "a ïndesejada das gentes", onde todos os destinos se encontram, onde a tábula é rasa, conservar um olho pelo menos, um olhinho só, para continuar a ler os drops. aguardo a resposta, senhores do tempo. câmbio!

fal.jpg

FAL diz:
mulé eu vou estar em bh dia 12

FAL diz:
menina, vc viu que legal a palestra

FAL diz:
tou em pânico, mas tudo bem.

esther diz:
agosto. mês tradicionalmente difícil até para a literatura, a poesia, né fal? e você enfocará os blogs na literatura ou a literatra nos blogs numa palestra. como explorar este assunto sem cair no chavão?

FAL diz:
mulher, ótema pergunta. e eu sei lá, ester? eu vou lá na capital de todos os mineiros mais pra aprender que qrr outra coisa. O genial Inagaki e o fofo do Idelber, não menos genial vão tar lá, de modos que se eu der vexame, alguém acode. Mas o fundamental, que acho que não só nos une, mas nos move é o seguinte: os blogs tão aí. Eles são um fato, é feito a lei da gravidade, num dianta nego ser contra.

Servem pra montes e montes de cousas.
Servem a causas e idéias diferentes. E são uma coisa muito da bacana. Por tudo que já se fala, da democracia e tal que envolvem, mas, pelo menos pro meu olhar, por uma coisa mais séria e legal: qd vc bota no papel, a coisa fica real. O mais idiotinha dos diarinhos, a mais respeitada jornalista do Brasil, todo mundo que senta o rabo numa cadeira e faz um blog, tem que, nalguma hora, se olhar, examinar a cachola, organizar seus pensamentos e sentimentos pra apresentar pros outros.
Isso é sensacional, é sempre um processo lindo de se ver.

esther diz:
esta abordagem se blog é literatura e vice versa nos remete aos velhos tempos de jornal, quando este nascia, feito por ficcionistas ou seja, homens que produziam o que se convencionou chamar de literatura, e com eles a questão : será jornalismo literatura, o que é discutido até hoje porque o povo fal, encrenca que precisa definir tudo, ou seja reduzir para entender.

FAL diz:
Bão. Eu detesto definir as coisas Ester, detesto dizer se o que eu faço é crônica ou conto, e esse blablablá todo. Tem blog que é literatura sim. Pega 10 aqui comigo quem não achar o que a bela Ticcia faz no http://www.naodiscuto.com blog dela literatura. É literatura, e da boa, dá licença. Tem blog que não é literatura, sorry. Tem blog que é jornalismo, como não, vc é prova viva. E tem blog que num é. Mas nestes tempos que correm, Esther Maria, bicudos e despenados, em que temos alguns jornais que não fazem jornalismo, livros que não fazem literatura e árvores que não fazem sombra, quem somos nós pra decidir sem direito a recurso se blog é ou não veículo literário? Eu leio a Ticcia e voto que é literatura sim senhores. Mas cada um, cada um.
E o que tem mais de escritores on line, negada fazendo blog pq é blog ou gaveta, e ng quer publicar os nego. Tem uma ou outra iniciativa corajosa, mas é meia dúzia. Tinha que editar esses caboclos em massa, vamos ver no que é que dá.

esther diz:
sabe o que penso fal, que em vez de o povo ficar mais analfabeto ,(como temiam os luminares) com o advento da net que possibilitou o surgimento dos blogs, o pessoal lê mais, segue em busca de livros citados, de músicas sugeridas.... muito pelo contrário está ajudando a tirar o brasil de sua fase oral, que é nossa tradição, para a escritura e mais pessoas se envolvem com a escritura e a leitura.

FAL diz:
Mas não tem nem dúvida, Esther, a estudiosa de blogs, Vera Correia, tava outro dia falando nisso. Pode ser jargão (como em todas as outras áreas de atividade humana, meu deus), pode ter gíria, mas o fato é que sim, nego lê mais, procura mais, compra mais. O que eu já comprei de livro por indicação, por lincagem, por ler aqui e ali nos blogs e sites só eu e o cartão de crédito do Alexandre sabemos.

esther diz:
e mais. acredito que os blogs fazem história, a história do cotidiano, a que narra o mundo pela ótica do cidadão que forma o povo.

FAL diz:
eu tb acredito firmemente nisso. Eu reli o Minha Vida de Menina faz pouco. Ela fala lá da vidinha dela, séculos atrás nas Minas Gerais. Olha o valor que a gente dá as historinhas dela (ela, a autora, é avó do grande escritor mineiro Eduardo Almeida Reis, sabia???). Pensa, daqui 300, 500 anos, olha o material sensacional do nosso cotidiano que os negos vão ter? Eu adoro isso.

esther diz:
menina, não sabia, que o dr. reis era parente dela! e o reis eu leio porque você me passou o jornal onde ele escreve . viu a troca?

FAL diz:
O que é aquilo, senão um blog, Esther? ( fal refere-se ao livro "minha vida de menina" da helena morley)

FAL diz:
o Reis é um Deus.

esther diz:
vamos dar o link dele pro povo também saborear?

FAL diz:
Ele faz crônicas diárias no Jornal Hoje em Dia, e arrasa: dr. reis/

esther diz:
veja seu blog fal, ali a vida todo dia é narrada como se desse mundo, o seu, fizessemos parte, e fazemos! pois nos identificamos, com os comentários que pedem interação. há necessidade de responder quando você pergunta num post: "Ei?
De quem é aquela poesia que fala "além do sonho e da rua (...) que carrega nos bolsos doces geografias" ???? Deu branco ni nóis aqui." mesmo que seja só pra dizer :•••" ih fal, não sei."

FAL diz:
e num é, mulé? é uma diliça.
ester tem os comentários, tem os maisl (quase 150 por dia, ester, fora os spams). Isso tudo te obriga a botar a cachola pra funcionar, a pensar, a estruturar seu pensamento numa forma inteligível, é maravilhoso.

esther diz:
afinal, de quem é a poesia?

FAL diz:
Eu num sei, os pilantras que lêem meu blog já chegam lá de fogo, ng lembra mais nada
.

esther diz:
hahaha, mas que é bom carregar geografia nos bolsos é, né? e lá vai você pegar o trânsito impossivel de bh e garanto perder-se na savassi e naquele bar, qual é mesmo fal, onde jorge um brasileiro fazia ponto todo dia, esqueci.

esther diz:
no mais, você prepara material ou vai com este geito seu que a gente adora contar a vida?

FAL diz:
ah, esther, num é por nada, é que eu só sei falar assim, cara. E o mais aflitivo é que eu falo exatamente como escrevo, esse monte de gíria, esse trem escrachado.

vou tomar aulas de etiqueta até agosto, pra não envergonhar Mestre Idelber.


fal-e-norma.jpg

esther diz:
mas quanto a blog de repórter mesmo, jornalístico, voto no da cora e nos que ainda não conheço.

FAL diz:
a cora é outro deus

FAL diz:
e tem o Idelber, que faz uma mistura de blog jornalístico com debates, com diário com sei lá eu o que, que é bão demais

esther diz:
é lindo o biscoito

esther diz:
pedi entrevista para ele e vou pedir pro inagaki com a maior cara de pau que não conheço nenhum dos dois.

FAL diz:
pede, pede, o idelber é um docinho, tudo que a gente pede ele faz, o coitado, uma fofura de homi, num sei como ele dá conta. só imagino o que tem de mulé desmaiando com a chegada dele no brasil, e o que vai ter de suspiro e gritinho no salão do livro em bh

a pode terminar de outra maneira uma conversa com a fal? ela estará em agosto no sexto salão do livro de minas gerais e encontro de literatura que irá de 12 a 21 . no exato dia 12 de agosto. quem aprecia o bom não perderá. estarei lá fal. certamente.